Skip to Content

archive

Monthly Archives: abril 2016

Perigo aos Veículos nas Vias

Rodando pelas vias, independentemente de sua importância ou localização, é comum ver pedaço de madeira, ramo de árvore ou objeto qualquer saindo do solo. Em alguns lugares são cones colocados ao lado de um buraco na sarjeta. Trata-se de uma boca de lobo que teve a grelha furtada.

Para evitar um grave acidente alguém colocou ali uma advertência, uma sinalização precária para chamar a atenção do motorista. Quando não há tal aviso, a ausência da grelha só é percebida quando já não há mais possibilidade de evitar um desastre.

Um veículo à velocidade de 60 km/hora percorre 60 metros em menos de 4 segundos, tempo curto para perceber o buraco e desviar o carro. A distância de 60 metros é uma estimativa da proximidade necessária para que o ângulo de visão do motorista sentado ao volante permita que ele visualize a ausência da grelha. É quase certo que um veículo indo em sua direção irá cair no bueiro.

Um bueiro desses de sarjeta têm em geral 110 x 45 cm, sendo a dimensão maior no sentido da via. Assim, se a boca de lobo está sem tampa nela caberá o pneu e a roda do carro. Caindo ali a roda o veículo sofrerá um tranco brusco capaz de causar um capotamento com desdobramentos imprevisíveis.

Em alguns locais tampas de poços de visita de bueiros de água pluviais, de rede de energia elétrica ou de rede de telefonia também são furtadas, pois são de aço, material de valor de revenda em depósitos de ferro velho. Esse poços também representam risco para veículos que por tais vias circulem.

A Prefeitura de Salvador fez, a partir de 2013, uma experiência de substituição das grelhas de boca de lobo e de tampas de poços de visita por outras feitas de polietileno de alta densidade. Esse material teria a resistência requerida, suportando veículos pesados. Seu valor de revenda para reciclagem seria bem menor que o aço ou o ferro fundido. O propósito era substituir todas as grelhas e tampas.

Enquanto não se tem uma solução definitiva no Distrito Federal, seria desejável que o órgão responsável pelas vias fizesse verificação rotineira de modo a identificar os locais onde as bocas de lobo e os poços de visita estejam sem grelas ou tampas e providenciar os reparos no menor prazo, dados os riscos. Pode-se afirmar que à noite é quase impossível ver um buraco causado pela falta de uma grelha. O risco é grande.

Puxadinho Oficial

Título: Puxadinho II de Lucas Bambozzi

A Codeplan – Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal foi criada originalmente como Companhia de desenvolvimento do Planalto Central em 10 de dezembro de 1964. Sua sede fica no Setor de Administração Municipal – SAM, ao lado da Procuradoria do Distrito Federal. Aquele prédio faz parte da área tombada, parte do Patrimônio Histórico da cidade.

Olhado de frente, o edifício da sede, verifica-se que a calçada e os jardins à direita do acesso principal foram pavimentados até a parede do edifício. Acima dessa área há uma cobertura de zinco apoiada em uma estrutura metálica precária. Um autêntico puxadinho. Duas placas informam: Presidente, Vice-Presidente. Presumo que sejam abrigos para os carros dos dirigentes.

O puxadinho está ali independente do fato de que há garage no subsolo do prédio e de que que ainda há soluções de sombreamento dos estacionamentos com lona e outros materiais, sem interferir no prédio tombado. É um prédio do Governo do Distrito Federal a quem foi cometida a incumbência de preservar o Patrimônio Histórico do Distrito Federal.

Passando pela via N-2, aquela entre os ministérios e seus anexos, no trecho entre o Ministério da Educação e o Ministério da Justiça podem ser vistos inúmeros arranjos e distorções ao projeto original com a apropriação de jardins para estacionamento de motos, calçadas como depósito de containers etc.

Em vários locais, áreas estão cercadas para servirem de estacionamentos privativos de servidores públicos que trabalham em prédios particulares alugados pelo Executivo, pelo Judiciário em desrespeito ao público em geral e ao Patrimônio Histórico representado pelo planejamento e destinação original da área, ocupada em desacordo ao projeto urbanístico.

Há processos de desocupação de áreas públicas e daquelas com apropriações em desacordo com o originalmente projetado. São áreas lindeiras do lago, puxadinhos nas lojas do comércio local, fechamento e áreas verdes nas habitações individuais, fechamentos de blocos etc. Vejo sério conflito entre as atribuições governamentais de preservar o Patrimônio Histórico e a ação de alguns que teimam em desconsiderá-lo.

Audiovisual, Valores e Cultura

Assisti com meus netos, Gabi e Otto, de seis e dois anos respectivamente, o filme em desenho animado, Dumbo, produzido pelo Studio Walt Disney. Indiferentes aos comentários sobre o filme, as crianças se divertiram com o desenho primoroso cujo enredo tem um elefantinho orelhudo como protagonista e um rato como seu parceiro.

Alguns aspectos me chamaram a atenção em conversa com o cineasta Iberê Carvalho que também compartilhava o momento. Iberê comentou o fato de os personagens daquele filme, feito para criança, fumarem e apresentarem comportamento que hoje seria considerado inadmissível. O fato principal desse comportamento se apresenta quando o elefantinho Dumbo ingere bebida alcoólica e descobre que pode voar.

Ao tomarem champanhe misturada com a água, ele e seu amigo rato são levados a uma viagem psicodélica e terminam por dormir no galho de uma árvore. Elefantes não sobem em árvores o que os leva a entender que chegaram ali voando. Sóbrio, o elefantinho é levado pelo rato a voar usando suas enormes orelhas.

Iberê explicou que o Núcleo Criativo da Pavirada Filmes avaliando as produções audiovisuais exibidas no país, em sua maioria produzidas na América do Norte têm como mote central a violência. Os personagens são vingadores ou mesmo policiais que se notabilizam pela violência o que leva à sua banalização e aceitação como normal.

A exigência legal de obrigação de aumento do conteúdo nacional nos canais de TV e nos cinemas deu ênfase à carência de projetos de longo prazo. O Programa Brasil de

Todas as Telas, lançado em julho de 2014 prevê a formação de Núcleos Criativos para o desenvolvimento de ideias e roteiros de filmes e séries.

O edital de 2014 selecionou 3 produtoras de Brasília. A Pávirada Filmes foi uma delas. Nos últimos 18 meses ela desenvolveu 3 projetos de longa-metragem para salas de cinema e 2 projetos de séries para TV. O Núcleo conta com 5 roteiristas profissionais, 3 diretores, 3 profissionais de produção, 2 pesquisadores, 1 designer, 1 consultora de negócios e 1 consultora jurídica.

O cinema e a TV têm o poder de influenciar o imaginário das pessoas, passar valores, criar mitos e modelos. Daí a importância de ter uma produção nacional. Maior ainda a responsabilidade de quem produz conteúdo para as crianças. A violência e o ódio devem ser evitados. Os temas e valores melhor seria que fossem os de nossa tradição e cultura.

Traços de Cultura e Ação Social

Estava em uma casa de chá na Asa Norte quando fui abordado por um homem, nem jovem nem velho, trajando roupas pouco cuidadas e que trazia embrulhadas em um saco plástico, exemplares da revista TRAÇOS. Ele vendia exemplares dessa publicação de Brasília, pois seria ajudado. Do preço de R$ 5,00 do exemplar, o valor de R$ 4,00 seria dele. O R$ 1,00 restante seria para comprar outro exemplar para continuar vendendo.

A revista TRAÇOS, que comprei, era a de número 5 cuja capa traz a foto de Camila Márdila, a atriz brasiliense que conquistou o Brasil por sua atuação no filme “A Que Horas Ela Volta”. Todo o conteúdo da revista é voltado para a cultura popular do Distrito Federal (DF). Neste caso entenda-se cultura popular aquela produzida pela população da periferia do DF, não necessariamente incluída no circuito comercial.

Ao repassar 80% do valor de venda da revista para o vendedor, pessoa em situação de rua, aqueles que conceberam o projeto da revista, pretendem gerar uma renda para esta população de modo a estimular sua saída da situação de rua. Em suas palavras, a rrevista TRAÇOS é uma publicação dedicada a promover as manifestações culturais do DF, além de ser um instrumento de reinserção social para as pessoas em situação de rua.

O Decreto Federal nº 7053/2009 que Institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua conceitua aquela população como “o grupo heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento de forma temporária ou permanente…”.

O Governo do Distrito Federal identificou 4 mil pessoas em situação de rua. É um número pequeno em relação a uma população de quase 3 milhões de habitantes, mas a sua presença nas ruas faz compadecer a todos que por essas pessoas passam.

O Decreto acima citado, em seu artigo 5º descreve os princípios da Política por ele instituída a saber: respeito à dignidade da pessoa humana; direito à convivência familiar e comunitária; valorização e respeito à vida e à cidadania; atendimento humanizado e universalizado; e respeito às condições sociais e diferenças de origem, raça, idade, nacionalidade, gênero, orientação sexual e religiosa, com atenção especial às pessoas