Em 26 de dezembro de 2006, nos últimos dias do governo anterior, foi publicada a Lei Complementar nº 733 que dispõe sobre o Plano Diretor Local da Região Administrativa do Guará – RA X, e estabelece diretrizes e estratégias para seu desenvolvimento sustentável e integrado.

Essa Lei permitiu que a altura máxima dos edifícios fosse aumentada para oito pavimentos e que por outorga essa altura fosse aumentada ao sabor dos interesses imobiliários. Também permitiu que, entre outras facilidades nos vários setores da cidade, o Setor de Oficinas Sul recebesse habitações.

Tem sido noticiada a venda de unidades habitacionais no Setor de Oficinas Sul. Os anúncios alardeiam as qualidades das unidades habitacionais e dos equipamentos postos a disposição dos moradores nos limites do lote onde elas estarão implantadas.

O conceito de bem morar, conforme concebido por Lucio Costa nas Unidades de Vizinhança ultrapassa em muito a unidade de moradia. Lucio teve o cuidado de prever o comércio local com as padarias, farmácias, mercearias, restaurantes, bares, e outros estabelecimentos comerciais indispensáveis ao atendimento das primeiras necessidades de abastecimento e apoio aos moradores.

Também previu as creches, a escola para as crianças menores, a escola parque, o clube de unidade de vizinhança, a igreja, as áreas de lazer e de convivência para populações de até 10 mil habitantes, como um bairro onde as pessoas se encontrariam e se desenvolveriam harmonicamente.

O Setor de Oficinas Sul está localizado ao longo da rodovia de ligação entre o Norte e o Sul do Distrito Federal, por onde trafegam os caminhões oriundos de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, além daqueles que vêm ou vão para Salvador, Fortaleza e outras cidades do Norte. Tráfego pesado.

O trânsito ao redor daquele setor é intenso e perigoso. Região inadequada para circular o transporte de crianças para as escolas, para o culto religioso, para a busca do lazer ou qualquer outra atividade interativa. A hierarquização das vias nos planos urbanos tem por objetivo proteger as pessoas de perigos previsíveis e desnecessários, daí porque não foram previstas habitações ao longo da EPIA.

É tempo de corrigir esse equivoco que permitiu a mudança de destinação de uso do Setor de Oficinas Sul e evitar que pessoas menos avisadas sejam levadas a adquirir ali suas moradias, pois por certo no futuro descobrirão o equivoco de viver no isolamento cercado do desconfortante e perigoso fluxo de veículos pesados, por todos os lados.