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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: outubro 2009

Espaço de convivência para a UnB

A escuridão e a insegurança foram mote de campanha para o cargo de Reitor da UnB. As promessas tomavam por justificativa a existência, recente, dos cursos noturnos, coisa que não havia no passado. Foram lembrados os furtos nos estacionamentos, para os quais se prometia melhoria da iluminação.

Propunha-se a transferência dos custos da iluminação e de sua manutenção para a CEB, sob o argumento de que caberia a ela arcar com os custos decorrentes. Como se sabe, a taxa de iluminação pública é cobrada junto com o IPTU. Sendo a UnB parte do Governo Federal e dela não é cobrado qualquer tributo, não se sabe em que se apoiava a idéia de transferir aqueles custos de iluminação para outrem pagar.

A verdade é que a eleição do Reitor passou, a discussão sobre a iluminação não prosperou e a escuridão é atemorizante. Nos pontos de ônibus mal se vê aqueles que esperam por transporte e nos caminhos que ligam os prédios espalhados pelo Campus não há iluminação que permita ao transeunte se sentir seguro.

Por outro lado, o Campus contém inúmeras atividades de apoio que são toleradas e não assumidas por sua administração. A banca de jornais, a livraria improvisada, a lanchonete ao final da ala norte do Minhocão, bancos e diversas outras. São atividades necessárias, mas postas em conflito com a finalidade de cada edificação. Funcionam de forma precária e não atendem aos clientes como poderiam e deveriam.

Há um caminho quase obrigatório a quem estuda na UnB. Mesmo aqueles que estudam durante o dia vão à biblioteca em algum momento. Quase todos para lá se dirigem á noite para reforçar os estudos, pesquisar algo, fazer trabalho em grupo. Para tanto, enfrentam a escuridão e o isolamento da Biblioteca.

Para conter todos os serviços necessários ao apoio à atividade acadêmica e atividades culturais imagino uma Galeria que siga em direção á Biblioteca, que se inicie próximo à L-3, defronte ao posto de gasolina.

Nesta Galeria o transeunte poderia encontrar: lojas de reprografia, encadernação e edição de monografias, dissertações e teses. Um teatro para as apresentações dos tantos grupos que existem no campus. Um espaço para apresentação dos vídeos e filmes produzidos pela comunicação. Livrarias, várias. Restaurantes, pizzaria, café, lanchonete, bancos, cooperativa, e espaços para as associações de servidores e alunos e as Fundações de Apoio. Quanto renderia uma licitação para a lanchonete?

Imagino lojas pequenas de dois pavimentos com varanda ampla e contínua cobrindo todo o caminho, iluminação intensa e espaços generosos, com as edificações em pequenos blocos de modo a não se tornar uma barreira entre o Minhocão e parte norte do Campus. Um caminho com uma cobertura para abrigar todos os serviços. Isso daria um espaço de convivência ao Campus, um espaço para o fervilhar das idéias e proposições como deve ocorrer nas universidades.

Calma! Isto não é um novo mote de campanha nem eu sou candidato à Reitoria. É uma contribuição, de um ex-aluno, usuário da biblioteca, que enfrentou aqueles caminhos à noite.

A Esplanada não Permite Monumentos nem Barracas

O projeto de Oscar Niemeyer, Memorial dos Presidentes, foi motivo de recente debate em Brasília, o que transformou a cidade em palco de discussão que envolveu pessoas de todas as profissões, moradoras de todas as localidades, especialistas, jornais, televisão, rádio e internet. Debate apaixonado, como tem acontecido com assuntos que envolvem a cidade.

O projeto do arquiteto previa a construção, na Esplanada dos Ministérios, de uma grande praça de concreto, com estacionamento subterrâneo para três mil veículos, contendo na superfície um edifício curvo, o Memorial, oposto a uma torre de mais de cem metros de altura – Monumento ao Cinqüentenário. O projeto foi rejeitado apesar do anúncio de que o governo local teria se disposto a construí-lo. Entre outras razões, a rejeição ocorreu sob o argumento de que o

Monumento iria interferir na paisagem tombada, em especial na vista do Congresso Nacional para aquelas pessoas que estivessem na Plataforma da Rodoviária, ou outro local situado nas cotas acima.

Curiosamente tornaram-se rotineiras as construções na Esplanada para receber diferentes eventos. Quem passa por lá percebe que no espaço onde o arquiteto Oscar Niemeyer propôs aquele monumento há sempre algo construído. Ora para um show, uma manifestação, uma exposição etc.

Recentemente aquele espaço foi ocupado por várias barracas de plástico branco, algumas baixas, outras mais altas, circulares, retangulares, enfim, de varias formas. Em frente à Catedral vê-se um palco de formato retangular e à sua volta postes de concreto com luminária que em nada combinam com o local. Em redor destas construções os gramados foram transformados em pistas e estacionamentos e estão totalmente danificados.

Espera-se que os gramados e as calçadas sejam recuperados, mas ao colocar ali os veículos, atitude que vem sendo sempre evitada, causa a preocupação de que isso possa se tornar um hábito e que os condutores se sintam encorajados a transformar a Esplanada em um grande estacionamento a céu aberto. Seria o fim daquela área gramada, monumental, que compõe o conjunto formado pela vias, os edifícios e o gramado central.

Permitiu-se que a Esplanada fosse transformada em Feira Permanente, com sucessivos eventos, que são substituídos imediatamente por outros. Por esta razão pode-se dizer que a paisagem foi comprometida no ano em curso. Impossível fazer uma foto do Congresso sem que aquelas barracas não estejam presentes. Também tornou-se impossível ver o gramado central composto, pois sempre está ocupado ou em recuperação.

Estas exposições e eventos, embora bem vindos, poderiam ficar entre o Teatro Nacional e o Ministério da Indústria e Comércio. Aquele espaço, uma vez nivelado, tem área suficiente para receber os eventos que têm ocorrido nas proximidades. Sua localização tem as mesmas qualidades das áreas que vem sendo utilizadas com a virtude de não interferir na paisagem ou nos equipamentos da Esplanada.

Está terminando a temporada de cantoria das cigarras

Esta semana as cigarras cantaram com toda força! Até parece que estão se despedindo de sua temporada de cantoria. Quando vieram as primeiras chuvas elas pareciam tímidas. Algumas aqui, outras ali. Agora é aquele contínuo siiiiii siiiiiiiii siiiiiiii, canto sincronizado, que se inicia com o vibrar de uma delas e que vai se encorpando com a adesão de outras até que soem uníssonas, ritmadas, em intervalos regulares.

A história mais conhecida da cigarra é aquela contada pelo fabulista francês, La Fontaine, em que ela é uma cantora preguiçosa, que no inverno iria morrer de frio por não acumular alimentos no verão. Diz a fábula que por não trabalhar e viver a cantar ela dependeria da generosidade da amiga formiga para não morrer de fome e frio.

A verdade é que a cigarra nasce nas folhas das árvores, resultado do ovo posto pela mãe, certamente depois de um festival de cantoria e muita azaração. E se enterra no solo, ainda larva. Ela desce até encontrar uma raiz apetitosa, isto é, com seiva suficiente para alimentá-la durante toda sua vida subterrânea. Nesta fase ela mede apenas 2,2 milímetros, mas com as patas dianteiras ela cava a terra, comprime parte do solo contra o peito e constrói uma galeria vertical onde ela viverá até perto da fase adulta, que se completa quando sai do solo.

Já no solo, depois de um tempo ela troca sua pele ou casca (exoesqueleto). Isto acontece quando ela alcançar aproximadamente 4 milímetros. Aquela roupa já não a cabe mais. Começa ai o seu segundo instar, período entre as trocas de cascas. Ela a troca novamente quando chegar a 8 milímetros de comprimento. A terceira troca ocorre com 15 milímetros, a quarta com 25 milímetros. Nesta fase ela adquire a cor amarelada.

Então a cigarra sobe para o tronco da árvore. Isto depois de 4 até 14 anos vivendo nas galerias semelhante às formigas cupins e outros insetos. O período de vida no subsolo varia de uma espécie para outra. Ao subir ela toma a cor escura característica e terá asas transparentes que permitirá seu deslocamento de uma árvore para outra.

Lá irá “cantar” fazendo vibrar partes de seu exoesqueleto abdominal. Seu som pode alcançar 120 decibéis e pode ser agudo o suficiente para não ser ouvido por humanos. Os cães que podem ouvir sons mais agudos se incomodam com aquele canto quando este excede aos limites do conforto.

Quem canta é o macho. Canta para acasalar. Essa fase da vida adulta das cigarras dura de dois a três meses. Eles acasalam, as fêmeas põem os ovos e as cigarras adultas, machos e fêmeas, morrem. Daí surge mais uma lenda. Segundo o entendimento corrente as cigarras cantam até estourar e morrer. Na verdade aquela casca é a ultima troca de “roupa”, o passaporte para a vida adulta.

Os insetos sempre foram vistos como inoportunos, indesejáveis ou desnecessários. Todavia, cada vez mais, desenvolve-se a consciência de que todos os seres vivos fazem parte do mesmo ecossistema e que, ainda que não saibamos qual, cada um tem uma função definida no conjunto de seres que habitam a terra.

A cigarra não é preguiçosa, não estoura de cantar e tem uma função de, para alguns, anunciar firmemente a primavera. Longe de querer incomodar, a cigarra canta para alegrar a natureza. Ela vibra para conceber uma nova geração da sua espécie. Viva a cigarra! Viva a natureza!

A Lei, a Água, o Hidrômetro e o Meio Ambiente

Estávamos todos, no Distrito Federal, premidos pelo prazo de individualização dos hidrômetros nas edificações verticais residenciais, nas de uso misto e nos condomínios residenciais do DF. O prazo espiraria em 2010. Para aqueles que deixaram para a última hora restou o desespero de buscar empresas especializadas em elaborar os projetos e aquelas aptas a empreender as obras.

Muitos administradores de edifícios, com hidrômetros não individualizados, vinham alegando que a proximidade do prazo final estava elevando os preços e em alguns casos seria tão onerosa a individualização que dificilmente o investimento seria recuperado. Em alguns casos alega-se que o prédio sofreria intervenções radicais, inviáveis.

Com a edição da Lei Nº 4.383, DE 28 DE JULHO DE 2009 aquele prazo foi estendido para 2015. A nova lei permite que os edifícios em que seja comprovadamente inviável a instalação de hidrômetros individuais, do ponto de vista técnico ou econômico, que o condomínio encaminhe à Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal – ADASA/DF, uma justificativa da sua inviabilidade ficando assim desobrigada da individualização.

O custo de individualização não é pequeno. Muitas vezes o edifício está construído de tal forma que se torna muito difícil procedê-la aquelas modificações. É o caso dos prédios que utilizam válvula de descarga e/ou que têm aquecimento centralizado. Isso pode levar a substituição do revestimento dos compartimentos e àquele quebra-quebra indesejável, com a presença de pessoas estranhas no apartamento por prazo maior que suportável.

A individualização é decorrência da preocupação com o consumo de água e suas repercussões sobre o meio ambiente. A oferta de água, alem necessidade da sua existência em abundancia nas proximidades das áreas de consumo, implica na utilização de muita energia. A Caesb está entre os grandes consumidores do DF.

O alto consumo implica também na transposição de grandes volumes de água de uma bacia para outra. A bacia tributaria tem reduzida sua vazão e com prejuízo para a flora, a fauna e para os humanos que porventura vivam a jusante da barragem de captação. Por outro lado, maior utilização de água resulta em maior volume de esgotos a tratar. Reduzir o consumo é reduzir o tamanho e o número de estações de tratamento a serem construídas.

A verdade é que a cada dia percebe-se uma maior consciência e responsabilidade com as questões ambientais. Muitas são as edificações que procuram reaproveitar as águas de chuveiro para a utilização nas descargas sanitárias. Muitas também utilizam as águas da chuva para tarefas menos nobres como lavar pisos, automóveis e também para descarga sanitária.

O projeto do Noroeste contempla a solução de lançar em poços as águas de áreas impermeabilizadas de modo a evitar um fluxo de enxurrada maior que o costumeiro. Entende-se que as águas de superfície não absorvidas pelo solo aumentaria momentaneamente o volume de águas lançadas nos riachos e lagos e carregam para eles todo tipo de sólidos soltos na superfície do solo provocando o assoreamento e a poluição dos riachos. A natureza agradece.