A Câmara Municipal de São Paulo aprovou no final do ano passado, em primeiro turno, Projeto de Lei do vereador Goulart determinando que os telhados e outras coberturas das edificações naquela cidade sejam pintados de branco. A justificativa do projeto é a redução do calor no interior das edificações, a redução da retenção do calor nas edificações, a redução do consumo de energia com aparelhos de ar condicionado.

A cobertura branca ou qualquer outra superfície reflexiva tem a propriedade de lançar de volta ao espaço os raios solares incidentes nas edificações e reduzir o calor no seu interior ou o calor irradiado para o meio ambiente.

Em depoimento publicado no Jornal The New York Times o casal Jon e Kim Waldrep conta que ao voltar para casa costumava ser recebido por uma muralha de calor. “Chegávamos em casa, no verão, e a temperatura estava em mais de 45 graus, era sufocante. Agora chegamos em casa em dias de em que a temperatura externa é de mais de 38 graus e, do lado de dentro, encontramos temperatura de 26 graus”. Aquele casal Havia instalado lamina plástica branca na cobertura de sua casa. Isso foi suficiente para reduzir sensivelmente o clima no interior da casa.

Estudos realizados no Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (PCC-USP) alertam, entretanto, que o uso de tintas a base de água para pintura do teto pode propiciar a proliferação de fungos filamentosos, algas e cianobactérias que irão escurecer rapidamente as coberturas anulando o resultado inicial.

A pesquisadora Márcia Aiko Shirakawa sugere a utilização de tintas inorgânicas autolimpantes, com nanopartículas de dióxido de titânio, que possuem capacidade de fotocatálise (aceleramento de uma reação por luz ultravioleta), impedindo a colonização microbiana. A adoção desta prática no Distrito Federal seria de bom alvitre visto que a diferença de temperatura entre o centro da cidade e as áreas não edificadas chega a cinco graus.