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Patrimônio Paisagístico

Um menino aparentando 4 anos, acompanhado de perto pela mãe, brincava no parque infantil que vejo de minha janela. Já não era tão cedo e o sol forte o levou a escolher o aparelho localizado sob a única árvore que naquela hora sombreava parte do parque. A sombra das árvores, que retêm os raios solares e recebe a brisa, oferece temperaturas aprazíveis e sensação de conforto térmico.

As árvores e a vegetação em geral, ao transformar o calor do sol em biomassa reduzem o calor no ambiente. Por outro lado, as áreas sombreadas por árvores frondosas amortecem o impacto das chuvas e reduzem o impacto das gotas no solo, fazendo com que as chuvas escorram devagar evitando as enxurradas que provocam alagamentos, erosões e carreamento de materiais soltos no chão.

Reduzir o número de árvores ou a sua copa contribui para tornar o meio mais agressivo. As podas recomendadas se cingem aos galhos que ameaçam cair, secos, que impedem a circulação de pessoas, de veículos ou os que interferem na sinalização urbana.

Ultimamente temos visto, cada vez mais a manifestação de pessoas que se mostram preocupadas com a forma como o serviço de poda vem sendo feito. Podas radicais, com a erradicação total do espécime, retirada de toda a copa, ou mesmo retirada de galhos que em nada interferem com o ambiente. Muitas daquelas que sofrem o corte de toda a copa acabam por não resistir e morrem.

Hoje é quase impossível encontrar uma única árvore nas áreas públicas do Plano Piloto que não tenha sido vítima de poda radical, poda que altera o formato natural daquela espécie. Quase todas aquelas que ainda persistem apresentam copa alta. Mesmo as mangueiras que tendem a ter copa arredondada ou as jaqueiras que dão os frutos nos troncos e galhos maiores perderam parte significativa de seus galhos e folhas.

A perda do patrimônio paisagístico é visível para quem acompanha o manejo do patrimônio verde constituído das árvores e arbustos da cidade. Fotos de 20 anos passados mostram uma vegetação densa, variada, com cor, formato e altura típica.

Seria de todo interessante proceder um inventário do que resta, identificando a localização, a espécie e o porte, de modo a refazer projeto de paisagismo com ênfase nas frutíferas e ornamentais, nos grandes eixos e nas quadras. Junto com a recomposição estabelecer manual de manejo para evitar que se repita a situação atual.

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Sobre
Eustáquio Ferreira

Arquiteto pós-graduado em Administração, escritor e blogueiro.

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