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Ambiência Brasília

Feira de Torre e Mané Garrincha

Há um elevado índice de veículo automotor em relação à população no Distrito Federal. Para aproximadamente 3 milhões de habitantes temos uma frota de 1,650 milhões de veículos automotores. É menos de 2 habitantes para cada veículo. Isso resulta, entre outros motivos do mal atendimento do serviço de transporte público.

Diante da constatação da impossibilidade de acessar seu destino de ônibus, veículo leve sobre trilhos, metrô, de bicicleta o brasiliense anda de carro. Já foi dito que somos compostos de cabeça, tronco e rodas. Uma vez que não há outra maneira de deslocar era de se esperar que a gestão do tráfego fosse primorosa.

Os semáforos deveriam resgatar os anos 60 quando funcionava na Avenida W3 a sincronização dos semáforos de nominada de Onda Verde. Mantida a velocidade estabelecida, de 60 km/hora, o veículo transitaria por toda a via sem encontrar um sinal vermelho. Hoje o vemos é a total falta de sincronização. A própria Secretaria de Mobilidade reconhece ser a sincronização dos semáforos um objetivo a ser perseguido.

A exemplo do ocorrido durante os jogos da Copa do Mundo agora com os jogos da Olimpíada no Estádio Mane Garrincha todo o Eixo Monumental tem sido interditado para a circulação de veículos.

O Eixo Monumental contém número significativo de equipamentos e instalações de uso da cidade: a Torre de TV, a Feira da Torre, o Espaço Funarte, o Clube do Choro, o Planetário e o Centro de Convenções Ulisses Guimarães, todos localizados a uma distância significativa do Estádio Nacional Mané Garrincha. Ao fechar o acesso a estes espaços a gestão do tráfego impede que ali funcione qualquer outra atividade.

O que é motivo de alegria para os torcedores de futebol passa a ser um tormento para todos aqueles que gostariam de ir aos outros equipamentos localizados próximo assim como um problema para quem vive e trabalha ali. A Feira da Torre pode ser aquela que tem o maior impacto, quando os jogos ocorrem no domingo. É no final de semana, principalmente naquele dia que os feirantes recebem clientes. Perdido o final de semana os feirantes ficam sem receita no período.

A verdade é que parece excesso de zelo o fechamento do Eixo Monumental em todo o trecho durante os jogos. Um melhor planejamento possibilitaria o uso dos equipamentos ali existentes sem que isso significasse risco à segurança no Mané Garrincha.

Taxi e Novas Ideias

Os permissionários do serviço de táxi teimam em não aceitar que a tecnologia mudou a forma de prestar os serviços de transporte ponto a ponto. Os profissionais que ainda praticam o antigo modelo, ficam em uma fila, em um ponto, muitas vezes por horas a espera do cliente. Quando o passageiro demanda seus serviços ele avalia se a corrida e a receita decorrentes valem o tempo de espera. São muitos os relatos de pessoas que foram recusadas porque o taxista entendia que tal trajeto não pagaria o tempo no ponto.

Recentemente, uma senhora que veio a Brasilia para participar de um evento, foi recusada pelo taxista e seguiu da rodoviária até o Hotel Nacional arrastando as malas e outros pertences. No trajeto entre a rodoviária e o hotel ela foi assaltada. O fato foi noticia na mídia.

O motorista do Uber ou de outro aplicativo não pode recusar o passageiro. Em geral ele não espera muito. ele está em movimento e próximo ao local de onde o cliente está. Considerando a bandeirada, mesmo que o trajeto seja curto e ele venha a receber um pequeno valor, provavelmente ele receberá uma nova chamada de imediato e a sua receita diária será maior que daquele que espera o passageiro em um ponto. Os que trabalham com aplicativos afirmam que ganham bem mais que o taxista tradicional.

Essa questão não está resolvida com o projeto de lei aprovado na Camara Legislativa. Ficou a cargo do Executivo local estabelecer o limite de carros licenciados. A limitação do número de carros valoriza as permissões e cria um mercado paralelo. Dias atrás, os classificados continham anúncio de venda de três permissões ao preço médio de R$ 70 mil cada.

Atualmente, existem mais de 7 mil táxis de aplicativos. Com a redução do preço aumentaram os clientes e as corridas. A dificuldade de encontrar vagas de estacionamento tem feito com que muitos optem por deixar o carro na garagem, ou mesmo vendê-lo e utilizar os serviços dos aplicativos. O modelo antigo terá que conviver com os novos.

Nesta semana ouvi, em um noticiário nacional, uma taxista da cidade do Rio de Janeiro oferecer um novo serviço, o Taxi Rosa. Trata-se de mulheres taxistas voltadas para o atendimento preferencial às mulheres. A presunção é que elas se sintam mais à vontade em um veiculo conduzido por outra mulher. A tecnologia permite que os serviços sejam adequados à demanda. Tempos novos de desafios e oportunidades.

Comportamento e Civilidade

Vi uma postagem na rede social sobre a questão do uso de faróis baixos durante o dia, estabelecido pela Lei 13.290 que vale discutir. O autor questiona a vigência da lei não pelo fato de que ela seja efetiva na prevenção de acidentes, disso ele não trata. Fala sobre a prática em outros países, fala sobre a possibilidade concreta do condutor esquecer de acionar a luz baixa, mas fala principalmente de multas.

Sobre a possibilidade do uso da luz baixa nas cidades ele questiona o fato de ser exigida apenas nas rodovias. Concretamente, como os trechos muitas vezes implicam na passagem por rodovias, é de se esperar que os motoristas liguem as luzes assim que acionarem o motor, pois de outra forma pode esquecer ou confundir as vias e ser alvo de multa.

O autor, sem citar fonte ou origem, cita estudo que identifica largos erros nos radares móveis. Isso não acontece com os “pardais”, estes contam com sensores nas vias que garantem a acuidade de suas medições. O mesmo estudo daria conta de que com as luzes dos veículos acesas aumentaria a resolução dos radares para próximo de 100%. Para ele esta seria a razão da lei: melhorar o desempenho dos radares para multar mais.

As estatísticas publicadas no site do Detran-DF mostra que proporcionalmente o número de mortes por acidente de veículos no Distrito Federal, vem caindo desde o início da série em 1995. Naquele ano 35,5 pessoas, para cada 100 mil habitantes morreram de acidente, caindo para 14,2 em 2014.

O número absoluto de mortes não é nada animador. Em 1995 morreram 652, caindo para 406 em 2014. O Detran considera nestas estatísticas as pessoas que acidentadas venham a falecer em decorrência do sinistro até 30 dias depois do fato. Entre 1995 e 2014 a frota no Distrital Federal cresceu de 436 mil para 1,563 milhão de veículos, o que mostra que os acidentes fatais vem decrescendo de modo absoluto e relativo.

Voltando a postagem comentada no início e considerando o número de pessoas que vem a falecer em decorrência dos acidentes, seria equivocado dizer que a nova lei tem propósito de apenas aumentar multas, mesmo porque se o condutor se mantiver no limite de velocidade da via ele não estará sujeito a multa. Todos temos responsabilidade social, que inclui aperfeiçoar as normas de convivência para que haja menos riscos e façamos uma sociedade melhor. Espero que a nova lei seja efetiva em reduzir acidentes.

Governos Municipais e Eleições

Desde o dia 2 de julho último, entramos em processo eleitoral nos 5.570 municípios brasileiros. Em 90 dias, a partir daquela data, serão eleitos prefeitos e vereadores. Em 145 daqueles municípios poderá ocorrer segundo turno, caso o candidato mais votado não alcance mais de 50% do votos válidos no primeiro turno que ocorrerá em 2 de outubro.

Em geral as eleições municipais são pautadas por questões específicas de melhoria dos serviços prestados à população. Em pequenas cidades, de características rurais, onde a maioria da população vive no campo ou está relacionada às atividades rurais, a conservação das estradas vicinais tomam importância significativa.

Os serviços municipais de educação são avaliados por todos, sejam moradores de pequenos, médios ou grandes municípios. A quantidade das escolas, sua proximidade dos locais de moradia, o número de vagas são parâmetros de avaliação da gestão municipal e dos compromissos dos candidatos.

O eleitor avaliará as propostas de saúde pública, o atendimento médico acessível, a possibilidade de obter uma consulta ou um exame em prazo razoável, existência de pronto atendimento e a possibilidade de atendimento cirúrgico assim como atendimento pediátrico e obstétrico.

A qualidade das vias na administração em curso sempre pesa na avaliação do governo. A população tende a rejeitar aqueles que deixam as vias esburacadas e não fazem sua manutenção. Também rejeita os que não pavimentam as ruas, deixando-as empoeiradas ou lamacentas e irregulares.

Em cidades maiores, onde a distância da moradia ao local de trabalho, lazer ou estudos é grande e os moradores dependem de transporte público ou da fluidez do trânsito para exercer suas atividades, há tendência a considerar esse serviço na avaliação da gestão municipal, em raras exceções, positivamente.

As eleições municipais diferem das nacionais pela proximidade dos candidatos com os eleitores, o que os levam a conhecer suas qualidades e fraquezas. Há o comportamento partidário apaixonado que contrapõe os grupos. Quem apoia um partido não vota em candidato de outro. Neste ano atípico, com o desgaste moral de todos, sem financiamento de empresas, os candidatos terão que se desdobrar para buscar votos.

Paixão Pelas Árvores

Os textos do relatório do projeto do Plano Piloto de Brasília, apresentado pelo urbanista Lúcio Costa, contém várias passagens onde seu autor se refere às áreas “densamente arborizadas”. E foi assim que a cidade foi construída: com esmero. Houve até uma quadra, a SQS 308 Sul que recebeu um projeto de Burle Marx, que implantado ainda apresenta vestígios dos trabalhos concluídos em 1962 para ser uma quadra modelo.

Essa preocupação foi incorporada pelos habitantes da cidade, antigos e novos. Assim surgiram, a posteriori, os Parques da Cidade, de Olhos D’Agua e o Burle Marx, que fica próximo do Setor Noroeste e ainda não foi implantado. Há também o Jardim Botânico, o Parque Nacional e o Jardim Zoológico.

O final do outono traz a floração dos ipês que se estende até o início da primavera começando com a explosão de cores do ipê roxo, seguido pelo amarelo, o branco e ao final, já próximo do início da temporada das chuvas, os ipês rosa.

Chovem postagens nas redes sociais de pessoas posando tendo como cenários os ipês floridos. São registros para guardar por mais tempo as floradas, naturalmente de breve duração, quando não vítimas dos periquitos que se alimentam do pecíolo das flores, a parte mais macia das pétalas e jogam abaixo os restante.

Durante um bom tempo, a poda ou a remoção de uma árvore dependia de autorização específica. Moradores diziam ser o processo de autorização de poda muito burocrático.

Em junho de 1993 o Governo do Distrito Federal baixou o Decreto nº 14.783 que dispõe sobre o tombamento das espécies arbóreo-arbustivas e dá outras providências.

O Decreto procedeu o tombamento como Patrimônio Ecológico do Distrito Federal das seguintes espécies: copaíba, sucupira, pequi, cagaita, buriti, gomeira, pau-doce, aroeira, embiruçu, perobas e ipês. Além do tombamento destas, estabeleceu que os espécimes arbóreo-arbustivo (sic) nativas ou exóticas raras, de expressão histórica, excepcional beleza ou raridade, em terrenos com declividade superior a 20% e as localizadas em áreas de preservação permanente ficam imunes ao corte.

Vemos esse patrimônio arbóreo sumir a cada dia. Espécimes removidos em razão de obras não são repostos. Em toda quadra encontramos árvores mortas em razão de poda radical. É impossível encontrar uma árvore que não tenha sido mutilada por cortes indiscriminados. Esse patrimônio está sendo destruído por quem deveria protegê-lo.

Inovação que Altera a Rotina

Revendo o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, os livros de Isaac Asimov e de Júlio Verne; contrapondo-os às constantes inovações que estamos vivenciando a cada dia, podemos dizer que as antevisões do futuro daqueles autores eram bem modestas.

É verdade que nossos automóveis ainda usam os motores a explosão criados no final do século XIX, os trens e metrôs usam o mesmo princípio da ferrovia criada no século XVIII, correndo sobre trilhos de aço apoiados em dormentes ainda de madeira, os aviões ainda usam os mesmos princípios do 14-biz criado por Santos Dumont no início do século XX.

São as coisas que aparentam menores que têm provocado mudanças no cotidiano. Os avanços nas comunicações, novas tecnologias da informação tornaram obsoletos em curto prazo o telex, o fax, o telégrafo, as cartas e outras formas de comunicação.

A introdução dos aplicativos para o serviço de táxi parece definitiva, ainda que necessite de regulamentação. O conforto de chamar o táxi pelo aplicativo, receber as informações sobre o veículo, o condutor, a viagem e a comodidade de pagar com o cartão leva a população a preferir esse serviço. Também se consolida a forma de contratar hospedagem por aplicativo, diretamente entre o dono do imóvel e o hóspede.

A maior mudança pode estar acontecendo sem que se perceba. É possível prever que papel moeda e as próprias moedas deixem de ser usadas como meio de pagamento nos próximos 5 anos. Dias atrás uma senhora vendia palhetas do limpador de para-brisa. Ela as ofereceu e eu aleguei que só tinha cartão. Imediatamente ela trouxe uma máquina o que permitiu a venda.

Eu participava de curso sobre cartões oferecido pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e ouvimos o relato de alguém que havia estado em Tóquio recentemente e que afirmou que pagava as despesas com um aplicativo instalado em um relógio. Ao usar o metrô o aplicativo pagava a passagem sem sua intervenção.

Isso nos leva ao próximo passo. Provavelmente, nos próximos 5 anos até mesmo os cartões deixem de ser meio de pagamentos e eles passem a ser feitos por aplicativos instalados em equipamentos móveis. As pessoas já não vão às agências de bancos e não vão precisar de caixas eletrônicos. Tudo será dado por um click armazenado na nuvem.

Taxi, a Guerra Continua

Os poderes Legislativo de Curitiba e Distrito Federal estão mais uma vez às voltas com a guerra entre os profissionais que trabalham com os aplicativos Uber e o 99taxis, os permissionários autorizados por lei, os taxistas que alugam carros e os usuários. Nesta guerra, o legislativo e o executivo municipais não têm tido êxito em evitar confrontos.

A verdade é que o Uber caiu nas graças dos usuários. O serviço tende a ser rápido, o usuário é informado da identidade do motorista, do veículo, do custo da viagem e do trajeto e os pagamentos são feitos sempre por cartão de crédito. Ao final ele avalia o serviço prestado e esta avaliação pesa na relação entre o motorista e o Uber.

O Uber exige informações cadastrais do candidato, requer que o veículo seja de pouco uso, que o motorista aja com urbanidade e se apresente com elegância além de ser gentil, acomodando a bagagem e abrindo a porta para o usuário. Os usuários têm demostrado que gostam de serem bem tratados e muitos confiam no serviço.

Os permissionários alegam que se trata de uma empresa estrangeira, que não paga impostos que os motoristas não são confiáveis, que eles tiram trabalho dos regulares, e que acabam não ganhando nada porque há desconto na tarifa e taxa paga à Uber, restando apenas R$ 1,00 por quilometro para o Uber X e R$ 2,00 para o Uber Black.

O táxi regular é dirigido, na maioria dos casos por motoristas que o aluga. Neste caso realmente não há qualquer triagem sobre o condutor. O permissionário apresenta documentação conforme exigido nas normas, mas aluga o carro no turno em que não trabalha, contudo a grande maioria aluga de alguém que comprou várias permissões.

O 99taxis é um aplicativo de chamada. O motorista se cadastra e paga R$ 2,00 para cada cliente que lhe é indicado e assim aumenta sua clientela. O rádio táxi cobra por quinzena e tem o mesmo propósito.

Alguns têm se beneficiado com a briga. O preço do aluguel do táxi caiu de R$120,00 ao dia para R$ 80,00. Os maiores incomodados são os permissionários que viram cair o valor de revenda das permissões e o valor de aluguel dos carros.

Entendo que o número de táxis deve ser aumentado, conforme a demanda atual. Empresas deveriam ser constituídas para alugar carros. Os condutores, indistintamente, deveriam ser cadastrados. Todos os serviços devem ter registro Municipal ou Distrital. Os motoristas devem contribuir para a previdência. Assim eliminaríamos os conflitos.

Feira dos Importados ou do Paraguai

Lá pelos idos dos anos 90 a crise estava brava. Nada de concursos, economia deprimida, nada de emprego formal. Em situações como aquela a criatividade e a capacidade de empreender podem levar à superação. Viagens a Foz do Iguaçu com visitas ao Paraguai, mostraram que o câmbio artificialmente valorizado permitia a compra de produtos naquele país e venda aqui com ganhos compensadores.

As vendas eram feitas para conhecidos até que aqueles que viajavam juntos passaram a vender juntos no estacionamento da 503/504 na W3 Sul. José Hamilton Ferreira do Amaral em seu estudo “Feira dos Importados como Produto Turístico de Brasília” relata que naquele local, vendendo sobre toalhas postas no chão, os feirantes chegaram a 120.

Logo os comerciantes lindeiros reclamaram por perder o estacionamento para a feira e por perder clientela. A Feira então foi removida para o estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, próximo do ginásio Nilson Nelson.

Lá, em 1994, ela cresceu, absorveu os feirantes da invasão da 509 Norte. Ela chegou a 545 feirantes. Ali as barracas eram de ferro, algumas com guarda-sol, cavaletes de madeira para apoiar os tabuleiros. A feira não tinha energia elétrica ou outras comodidades. Em maio de 1995 ela foi transferida para um pouco abaixo, ainda no mesmo estacionamento.

No novo local, conforme relata Sátyro de Souza, a feira recebeu os feirantes do Itaú, que ficavam na Praça do Povo, localizada entre a antiga agência do Banco Itaú e o Palácio do Comercio no Setor Comercial Sul e os do CONIC, chegando a ter 1.264 feirantes.

A Administração Regional fez padronizar as barracas, que passaram a ter estrutura metálica verde e toldo amarelo e eram construídas pelos feirantes. Como não havia fornecimento de energia eles se organizaram, construíram banheiros, segregaram as barracas de alimentação e adquiriram geradores elétricos. Com isso os clientes podiam testar os equipamentos a comprar. Ali teria sido um dos melhores pontos de venda.

A Feira dos Importados ocupa atualmente uma área designada Setor de Comércio Especial da CEASA. Ela tem 2.096 boxes e é um sucesso de público. Entretanto o acesso aos domingos é dificultado pela administração da CEASA. O estacionamento ao lado da Feira é impedido e não há espaço suficiente para os clientes. A população teria maior conforto com a abertura do estacionamento da CEASA ao lado da Feira.

Luz Acesa e Multas

Sancionada a Lei 13.290/2016 torna-se obrigatório o uso da luz baixa, a partir de 8 de julho próximo, mesmo durante o dia, por todos os veículos automotores. Anteriormente só motos e ônibus eram obrigados a usar a luz baixa a qualquer hora. A justificativa para a edição da norma foi a expectativa de redução dos acidentes nas estradas e do elevado número de mortes decorrentes.

O número de mortes nas rodovias é muito alto, são mais de 40 mil mortes e quase 3 vezes mais de pessoas feridas. Acredita-se que o uso da luz acesa facilitará a visualização dos veículos, especialmente os de cores escuras, que trafeguem no sentido contrário, ganhando preciosos segundos em manobras evasivas. A maioria das mortes se dá em choques frontais e as luzes faria reduzi-los.

A não utilização da luz baixa, durante o dia e a noite, nos túneis e rodovias é classificada como infração média, ocasionando a soma de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do motorista e o pagamento de multa de R$ 85,13.

Ainda que pareça acertada a medida creio que trata-se de paliativo. A maior ocorrência de acidentes frontais se dá em rodovias de mão dupla, em ultrapassagens. As altas velocidades permitidas nestas vias, associadas à imprudência dos motoristas fazem com que pequenos erros se transformem em tragédias. Os choques se dão em até mais de 200 quilômetros por hora considerando a soma das velocidades dos veículos.

Comparar aquelas situações com as vias urbanas do Distrito Federal é inadequado. Basicamente, no Plano Piloto, seria obrigatório o uso da luz baixa dia e noite no Eixo Rodoviário, conforme definição do Departamento de Estradas de Rodagem. Lucio Costa, no Relatório do Plano Piloto, explica que o “cruzamento desse eixo monumental, de cota inferior, com o eixo rodoviário-residencial …”, ou seja, as vias que formam a cruz, se equivalem, têm a mesma hierarquia. Não devem ter tratamento diferenciado.

A imposição do uso de luz baixa em determinadas vias da malha urbana trará os mesmos inconvenientes das alterações da velocidade permitida em vias continuas. Os condutores tendem a manter a velocidade constante, assim como as condições de operação dos veículos. A maioria dos veículos contam com dispositivo automático que liga as luzes. Exigir luz alta no Eixão será uma forma de multar, a maioria dos condutores dificilmente se lembrarão onde ligar ou desligar as luzes.

Transporte Coletivo

O noticiário nacional deu destaque ao Veículo Leve sobre Trilho – VLT do Rio de Janeiro, que, operando em fase experimental apresentou pane e parou em meio ao trajeto, forçando os passageiros a abandonarem o veículo.

Esse meio de transporte é tido como ideal para as grandes cidades por não ocupar espaço no trânsito, não perder tempo em engarrafamento, não poluir e ter visual moderno. Tais características garantem viagens rápidas.

O VLT do Rio ligará o Centro da cidade e Região Portuária e terá 28 km de extensão. Ele funcionará de forma ininterrupta todos os dias da semana, 24 horas ao dia e integrará o Aeroporto às barcas, aos trens, ao metrô e aos ônibus.

O Governo do DF fez um projeto de VLT que ligaria o Aeroporto ao final da Asa Norte passando pela W3 Norte e Sul, pelos Setores Comercial e Hoteleiro Sul e Norte. Um pedido de liminar feito pelo Ministério Público, questionando sobre um estudo arqueológico ao longo do eixo dos trilhos motivou a suspensão da implantação daquele meio de transporte.

O motivo do pedido de suspensão da obra parece ter o interesse especial sobre arqueologia, mas muitos grupos ligados ao transporte de passageiros mostraram inquietação com aquela obra. Ela seria, aos moldes do metrô, operada pelo governo local e poderia ensejar a redução dos ganhos de transportadores.

Estatísticas do Detran constataram que em dezembro de 2015 haviam, licenciados naquele órgão, 1.649.563 veículos no Distrito Federal, ou seja, um veículo para menos de duas pessoas. Com toda esta frota é impossível evitar os transtornos com engarrafamentos, atrasos e acidentes.

Todos os governantes eleitos nas últimas décadas apresentaram em suas plataformas propostas de melhoria do transporte coletivo. Foram implantadas vias exclusivas para ônibus, ônibus articulados, que ligariam as cidades do Sul e Sudoeste ao Centro. Por erro de projeto aqueles ônibus têm usado outras pistas e sua eficiência tem sido questionada.

O metrô que liga as áreas mais populosas ao centro do DF teria um número menor de trens que o desejável. O maior investimento, estações e implantação das linhas já foi feito. Transporte coletivo é o único meio de reduzir os engarrafamentos e transtornos.