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Ambiência Brasília

Patrimônio Paisagístico

Um menino aparentando 4 anos, acompanhado de perto pela mãe, brincava no parque infantil que vejo de minha janela. Já não era tão cedo e o sol forte o levou a escolher o aparelho localizado sob a única árvore que naquela hora sombreava parte do parque. A sombra das árvores, que retêm os raios solares e recebe a brisa, oferece temperaturas aprazíveis e sensação de conforto térmico.

As árvores e a vegetação em geral, ao transformar o calor do sol em biomassa reduzem o calor no ambiente. Por outro lado, as áreas sombreadas por árvores frondosas amortecem o impacto das chuvas e reduzem o impacto das gotas no solo, fazendo com que as chuvas escorram devagar evitando as enxurradas que provocam alagamentos, erosões e carreamento de materiais soltos no chão.

Reduzir o número de árvores ou a sua copa contribui para tornar o meio mais agressivo. As podas recomendadas se cingem aos galhos que ameaçam cair, secos, que impedem a circulação de pessoas, de veículos ou os que interferem na sinalização urbana.

Ultimamente temos visto, cada vez mais a manifestação de pessoas que se mostram preocupadas com a forma como o serviço de poda vem sendo feito. Podas radicais, com a erradicação total do espécime, retirada de toda a copa, ou mesmo retirada de galhos que em nada interferem com o ambiente. Muitas daquelas que sofrem o corte de toda a copa acabam por não resistir e morrem.

Hoje é quase impossível encontrar uma única árvore nas áreas públicas do Plano Piloto que não tenha sido vítima de poda radical, poda que altera o formato natural daquela espécie. Quase todas aquelas que ainda persistem apresentam copa alta. Mesmo as mangueiras que tendem a ter copa arredondada ou as jaqueiras que dão os frutos nos troncos e galhos maiores perderam parte significativa de seus galhos e folhas.

A perda do patrimônio paisagístico é visível para quem acompanha o manejo do patrimônio verde constituído das árvores e arbustos da cidade. Fotos de 20 anos passados mostram uma vegetação densa, variada, com cor, formato e altura típica.

Seria de todo interessante proceder um inventário do que resta, identificando a localização, a espécie e o porte, de modo a refazer projeto de paisagismo com ênfase nas frutíferas e ornamentais, nos grandes eixos e nas quadras. Junto com a recomposição estabelecer manual de manejo para evitar que se repita a situação atual.

Democracia e Perplexidade

Esta semana repete, no plano nacional, as rupturas institucionais vividas pela jovem democracia brasileira nos anos 50 e 60 do século passado que redundaram no suicídio de Getúlio Vargas e na deposição de João Goulart, ambos democraticamente eleitos, o que nos levou a 21 anos das trevas da ditadura militar.

A Constituição Cidadã, assim denominada por Ulisses Guimarães nos encheu de esperanças de que teríamos uma democracia, calcada no direito e no respeito à vontade do povo expressa nas urnas. A instabilidade política no plano nacional tem levado os cidadãos e cidadãs do DF a deixar de acompanhar a crise política local com a preocupação que a gravidade dos fatos enseja.

Quase toda a direção da Câmara Legislativa foi afastada, à exceção da vice-presidente que renunciou ao cargo. Foram afastados sob a acusação de corrupção, utilização de recursos que seriam destinados à saúde pública e que teriam sido negociados com o propósito de distribuir propinas.

A partir da transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília, a capital Federal ficou sem legislativo próprio até 1990. No período que antecedeu a Constituinte deu-se um acalorado debate entre os que entendiam que Brasília não deveria ter legislativo próprio e os que defendiam o direito dos brasilienses a uma representação democraticamente eleita.

Os contrários reforçavam seus argumentos com a corrupção que ocorria na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, denominada pela imprensa da época por Gaiola de Ouro. Os defensores do legislativo local viam na ausência de eleições uma cassação dos direitos políticos dos habitantes locais.

Nesta ocasião foi criado o Comitê Pela Representação Política do Distrito Federal, integrado entre outros por Carlos Alberto Torres, Hélio Doyle, Paulo Timm e eu. A posição dos defensores da representação política local redundou vitoriosa na Constituinte e as primeiras eleições se deram em 1990.

O fato de termos deputados distritais acusados não é novo. Tivemos governador preso no exercício do mandato, deputados, senadores condenados. Cenas de corrupção explicita exibidas nas TVs. A luta por representações probas e legitimas é árdua, mas seu reverso seria a ditadura, que não nos livra da corrupção e sufoca as liberdades.

As Chuvas e o Comportamento da Flora

Este ano teve, um regime de chuvas caprichoso. Em janeiro registrou apenas 100 mm. A média registrada entre 1961 e 1990 aponta para a precipitação correspondente a quase 300 mm para aquele mês. Em fevereiro o esperado era pouco menos de 300 mm e o que se viu foi 220 mm aproximados. A falta de chuvas comprometeu a produção agrícola, especialmente milho, na região com fortes perdas para os produtores.

O que faltou em janeiro e fevereiro sobrou em abril. Choveu próximo de 320 mm. O esperado, conforme a média do período acima, era de 190 mm. A chuva adicional de abril manteve os nossos gramados verdes por mais um tempo, até o final de maio.

Junho e julho chegaram secos, bem secos. Agosto indicava que iria no mesmo caminho até que no dia 12 o céu se cobriu de nuvens. Alguém especulou – será que chove? – parece que não, a umidade está muito baixa, 33%. Mas choveu e voltou a chover no final de semana.

O serviço de meteorologia explicou que a região foi alcançada por uma frente fria que passara pelo Sudeste, o que teria provocado mudança na circulação dos ventos nesta região. Os ventos causaram o aumento da umidade e a formação das nuvens. No sábado, 13 de agosto a umidade registrada à tarde era de 69%. Há previsão de possíveis chuvas nesta quarta, 24 de agosto.

A floração dos ipês é o que ameniza a secura da paisagem. O ipê roxo começa a trocar suas folhas pelos cachos de flores já nas primeiras semanas de julho, pouco depois da queda das últimas flores das paineiras. Assim aconteceu e esperava-se que no início de agosto os ipês amarelos, os preferidos de muitos, inundassem os canteiros. Eles teimaram, alguns deram algumas flores, mas a maioria não floresceu.

Com as chuvas temporãs, os ipês amarelos, tabebuia alba, deram o ar da graça e finalmente floresceram como esperado. Alguns ainda têm metade de sua copa tomada pelas folhas que vão sendo substituídas pelas flores.

O inusitado, é que o ipê branco, tabebuia róseo-alba, que aparece em setembro explodiu de flores logo depois destas chuvas. Muitos dos espécimes de ipê branco estão ainda pequenos. Há espécimes espalhados pela cidade, mas a pista que liga a Avenida L2, passando abaixo da Esplanada dos Ministérios, ao lado da Catedral tem uma leira que se estende por toda ela. Atrás do Ministério da Educação há um ipê branco com quase 20 metros de altura, que tem uma floração imponente.

Revitalização do Setor Comercial Sul

O senhor José Aldemir Holanda, à época aposentado, entrevistado por um diário local em 2010, às vésperas do cinquentenário de Brasília, relatou nostálgico que nos anos 90 o Setor Comercial Sul – SCS era um local de prestigio, onde as empresas instalavam suas sedes. Ele lembrou que Juscelino Kubitschek teria mantido um escritório no Edifício Denasa.

As mazelas apontadas por José Aldemir eram a presença excessiva de camelôs, a concentração de mendigos e drogados a dormir sob as marquises, nas áreas de circulação dos edifícios. Causava espécie o fato de que os edifícios não recebiam manutenção e apresentavam fachadas sujas, descascadas de péssimo aspecto. A maior reclamação era a presença ostensiva de flanelinhas e a falta de vagas de estacionamento. Os carros em fila dupla dificultavam a fluidez do trafego.

Recentemente o assunto da revitalização tem sido assunto constante na mídia. Os comerciantes parecem conformados a conviver com os problemas que exigem maior investimentos e até dispostos a oferecer ajuda para que o governo recupere calçadas, a iluminação, retire os ambulantes e as pessoas em situação de rua.

Pouco se fala do projeto, finalizado em 2008, de construir 1.500 vagas de estacionamento subterrâneo. O edital de licitação da construção das garages sob os atuais estacionamentos chegou a ser lançado pela Terracap e depois suspenso por uma liminar obtida pelo Ministério Público. Houve um interesse grande das incorporadoras do DF e de fora. Elas construiriam os estacionamentos e os explorariam comercialmente por períodos estabelecidos nas licitações.

Durante um tempo as áreas de estacionamento do Setor Comercial Sul foram administradas pela Secretaria de Serviços Sociais. A receita deveria compor os recursos das políticas de assistência à infância. Durante o período de cobrança de estacionamento muitos dos que ali trabalhavam deixam seus carros em outras áreas liberando assim as vagas no SCS para os que as utilizavam por tempo reduzidos. Em dado momento a Secretaria entendeu que a receita mal cobria os custos e suspendeu a cobrança.

A revitalização do SCS implica em projeto abrangente. Tal projeto deveria levar em conta as demandas dos que ali trabalham, mas também contemplar melhoria da infraestrutura, dos espaços de convivência e da acessibilidade.1616

Feira de Torre e Mané Garrincha

Há um elevado índice de veículo automotor em relação à população no Distrito Federal. Para aproximadamente 3 milhões de habitantes temos uma frota de 1,650 milhões de veículos automotores. É menos de 2 habitantes para cada veículo. Isso resulta, entre outros motivos do mal atendimento do serviço de transporte público.

Diante da constatação da impossibilidade de acessar seu destino de ônibus, veículo leve sobre trilhos, metrô, de bicicleta o brasiliense anda de carro. Já foi dito que somos compostos de cabeça, tronco e rodas. Uma vez que não há outra maneira de deslocar era de se esperar que a gestão do tráfego fosse primorosa.

Os semáforos deveriam resgatar os anos 60 quando funcionava na Avenida W3 a sincronização dos semáforos de nominada de Onda Verde. Mantida a velocidade estabelecida, de 60 km/hora, o veículo transitaria por toda a via sem encontrar um sinal vermelho. Hoje o vemos é a total falta de sincronização. A própria Secretaria de Mobilidade reconhece ser a sincronização dos semáforos um objetivo a ser perseguido.

A exemplo do ocorrido durante os jogos da Copa do Mundo agora com os jogos da Olimpíada no Estádio Mane Garrincha todo o Eixo Monumental tem sido interditado para a circulação de veículos.

O Eixo Monumental contém número significativo de equipamentos e instalações de uso da cidade: a Torre de TV, a Feira da Torre, o Espaço Funarte, o Clube do Choro, o Planetário e o Centro de Convenções Ulisses Guimarães, todos localizados a uma distância significativa do Estádio Nacional Mané Garrincha. Ao fechar o acesso a estes espaços a gestão do tráfego impede que ali funcione qualquer outra atividade.

O que é motivo de alegria para os torcedores de futebol passa a ser um tormento para todos aqueles que gostariam de ir aos outros equipamentos localizados próximo assim como um problema para quem vive e trabalha ali. A Feira da Torre pode ser aquela que tem o maior impacto, quando os jogos ocorrem no domingo. É no final de semana, principalmente naquele dia que os feirantes recebem clientes. Perdido o final de semana os feirantes ficam sem receita no período.

A verdade é que parece excesso de zelo o fechamento do Eixo Monumental em todo o trecho durante os jogos. Um melhor planejamento possibilitaria o uso dos equipamentos ali existentes sem que isso significasse risco à segurança no Mané Garrincha.

Taxi e Novas Ideias

Os permissionários do serviço de táxi teimam em não aceitar que a tecnologia mudou a forma de prestar os serviços de transporte ponto a ponto. Os profissionais que ainda praticam o antigo modelo, ficam em uma fila, em um ponto, muitas vezes por horas a espera do cliente. Quando o passageiro demanda seus serviços ele avalia se a corrida e a receita decorrentes valem o tempo de espera. São muitos os relatos de pessoas que foram recusadas porque o taxista entendia que tal trajeto não pagaria o tempo no ponto.

Recentemente, uma senhora que veio a Brasilia para participar de um evento, foi recusada pelo taxista e seguiu da rodoviária até o Hotel Nacional arrastando as malas e outros pertences. No trajeto entre a rodoviária e o hotel ela foi assaltada. O fato foi noticia na mídia.

O motorista do Uber ou de outro aplicativo não pode recusar o passageiro. Em geral ele não espera muito. ele está em movimento e próximo ao local de onde o cliente está. Considerando a bandeirada, mesmo que o trajeto seja curto e ele venha a receber um pequeno valor, provavelmente ele receberá uma nova chamada de imediato e a sua receita diária será maior que daquele que espera o passageiro em um ponto. Os que trabalham com aplicativos afirmam que ganham bem mais que o taxista tradicional.

Essa questão não está resolvida com o projeto de lei aprovado na Camara Legislativa. Ficou a cargo do Executivo local estabelecer o limite de carros licenciados. A limitação do número de carros valoriza as permissões e cria um mercado paralelo. Dias atrás, os classificados continham anúncio de venda de três permissões ao preço médio de R$ 70 mil cada.

Atualmente, existem mais de 7 mil táxis de aplicativos. Com a redução do preço aumentaram os clientes e as corridas. A dificuldade de encontrar vagas de estacionamento tem feito com que muitos optem por deixar o carro na garagem, ou mesmo vendê-lo e utilizar os serviços dos aplicativos. O modelo antigo terá que conviver com os novos.

Nesta semana ouvi, em um noticiário nacional, uma taxista da cidade do Rio de Janeiro oferecer um novo serviço, o Taxi Rosa. Trata-se de mulheres taxistas voltadas para o atendimento preferencial às mulheres. A presunção é que elas se sintam mais à vontade em um veiculo conduzido por outra mulher. A tecnologia permite que os serviços sejam adequados à demanda. Tempos novos de desafios e oportunidades.

Comportamento e Civilidade

Vi uma postagem na rede social sobre a questão do uso de faróis baixos durante o dia, estabelecido pela Lei 13.290 que vale discutir. O autor questiona a vigência da lei não pelo fato de que ela seja efetiva na prevenção de acidentes, disso ele não trata. Fala sobre a prática em outros países, fala sobre a possibilidade concreta do condutor esquecer de acionar a luz baixa, mas fala principalmente de multas.

Sobre a possibilidade do uso da luz baixa nas cidades ele questiona o fato de ser exigida apenas nas rodovias. Concretamente, como os trechos muitas vezes implicam na passagem por rodovias, é de se esperar que os motoristas liguem as luzes assim que acionarem o motor, pois de outra forma pode esquecer ou confundir as vias e ser alvo de multa.

O autor, sem citar fonte ou origem, cita estudo que identifica largos erros nos radares móveis. Isso não acontece com os “pardais”, estes contam com sensores nas vias que garantem a acuidade de suas medições. O mesmo estudo daria conta de que com as luzes dos veículos acesas aumentaria a resolução dos radares para próximo de 100%. Para ele esta seria a razão da lei: melhorar o desempenho dos radares para multar mais.

As estatísticas publicadas no site do Detran-DF mostra que proporcionalmente o número de mortes por acidente de veículos no Distrito Federal, vem caindo desde o início da série em 1995. Naquele ano 35,5 pessoas, para cada 100 mil habitantes morreram de acidente, caindo para 14,2 em 2014.

O número absoluto de mortes não é nada animador. Em 1995 morreram 652, caindo para 406 em 2014. O Detran considera nestas estatísticas as pessoas que acidentadas venham a falecer em decorrência do sinistro até 30 dias depois do fato. Entre 1995 e 2014 a frota no Distrital Federal cresceu de 436 mil para 1,563 milhão de veículos, o que mostra que os acidentes fatais vem decrescendo de modo absoluto e relativo.

Voltando a postagem comentada no início e considerando o número de pessoas que vem a falecer em decorrência dos acidentes, seria equivocado dizer que a nova lei tem propósito de apenas aumentar multas, mesmo porque se o condutor se mantiver no limite de velocidade da via ele não estará sujeito a multa. Todos temos responsabilidade social, que inclui aperfeiçoar as normas de convivência para que haja menos riscos e façamos uma sociedade melhor. Espero que a nova lei seja efetiva em reduzir acidentes.

Governos Municipais e Eleições

Desde o dia 2 de julho último, entramos em processo eleitoral nos 5.570 municípios brasileiros. Em 90 dias, a partir daquela data, serão eleitos prefeitos e vereadores. Em 145 daqueles municípios poderá ocorrer segundo turno, caso o candidato mais votado não alcance mais de 50% do votos válidos no primeiro turno que ocorrerá em 2 de outubro.

Em geral as eleições municipais são pautadas por questões específicas de melhoria dos serviços prestados à população. Em pequenas cidades, de características rurais, onde a maioria da população vive no campo ou está relacionada às atividades rurais, a conservação das estradas vicinais tomam importância significativa.

Os serviços municipais de educação são avaliados por todos, sejam moradores de pequenos, médios ou grandes municípios. A quantidade das escolas, sua proximidade dos locais de moradia, o número de vagas são parâmetros de avaliação da gestão municipal e dos compromissos dos candidatos.

O eleitor avaliará as propostas de saúde pública, o atendimento médico acessível, a possibilidade de obter uma consulta ou um exame em prazo razoável, existência de pronto atendimento e a possibilidade de atendimento cirúrgico assim como atendimento pediátrico e obstétrico.

A qualidade das vias na administração em curso sempre pesa na avaliação do governo. A população tende a rejeitar aqueles que deixam as vias esburacadas e não fazem sua manutenção. Também rejeita os que não pavimentam as ruas, deixando-as empoeiradas ou lamacentas e irregulares.

Em cidades maiores, onde a distância da moradia ao local de trabalho, lazer ou estudos é grande e os moradores dependem de transporte público ou da fluidez do trânsito para exercer suas atividades, há tendência a considerar esse serviço na avaliação da gestão municipal, em raras exceções, positivamente.

As eleições municipais diferem das nacionais pela proximidade dos candidatos com os eleitores, o que os levam a conhecer suas qualidades e fraquezas. Há o comportamento partidário apaixonado que contrapõe os grupos. Quem apoia um partido não vota em candidato de outro. Neste ano atípico, com o desgaste moral de todos, sem financiamento de empresas, os candidatos terão que se desdobrar para buscar votos.

Paixão Pelas Árvores

Os textos do relatório do projeto do Plano Piloto de Brasília, apresentado pelo urbanista Lúcio Costa, contém várias passagens onde seu autor se refere às áreas “densamente arborizadas”. E foi assim que a cidade foi construída: com esmero. Houve até uma quadra, a SQS 308 Sul que recebeu um projeto de Burle Marx, que implantado ainda apresenta vestígios dos trabalhos concluídos em 1962 para ser uma quadra modelo.

Essa preocupação foi incorporada pelos habitantes da cidade, antigos e novos. Assim surgiram, a posteriori, os Parques da Cidade, de Olhos D’Agua e o Burle Marx, que fica próximo do Setor Noroeste e ainda não foi implantado. Há também o Jardim Botânico, o Parque Nacional e o Jardim Zoológico.

O final do outono traz a floração dos ipês que se estende até o início da primavera começando com a explosão de cores do ipê roxo, seguido pelo amarelo, o branco e ao final, já próximo do início da temporada das chuvas, os ipês rosa.

Chovem postagens nas redes sociais de pessoas posando tendo como cenários os ipês floridos. São registros para guardar por mais tempo as floradas, naturalmente de breve duração, quando não vítimas dos periquitos que se alimentam do pecíolo das flores, a parte mais macia das pétalas e jogam abaixo os restante.

Durante um bom tempo, a poda ou a remoção de uma árvore dependia de autorização específica. Moradores diziam ser o processo de autorização de poda muito burocrático.

Em junho de 1993 o Governo do Distrito Federal baixou o Decreto nº 14.783 que dispõe sobre o tombamento das espécies arbóreo-arbustivas e dá outras providências.

O Decreto procedeu o tombamento como Patrimônio Ecológico do Distrito Federal das seguintes espécies: copaíba, sucupira, pequi, cagaita, buriti, gomeira, pau-doce, aroeira, embiruçu, perobas e ipês. Além do tombamento destas, estabeleceu que os espécimes arbóreo-arbustivo (sic) nativas ou exóticas raras, de expressão histórica, excepcional beleza ou raridade, em terrenos com declividade superior a 20% e as localizadas em áreas de preservação permanente ficam imunes ao corte.

Vemos esse patrimônio arbóreo sumir a cada dia. Espécimes removidos em razão de obras não são repostos. Em toda quadra encontramos árvores mortas em razão de poda radical. É impossível encontrar uma árvore que não tenha sido mutilada por cortes indiscriminados. Esse patrimônio está sendo destruído por quem deveria protegê-lo.

Inovação que Altera a Rotina

Revendo o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, os livros de Isaac Asimov e de Júlio Verne; contrapondo-os às constantes inovações que estamos vivenciando a cada dia, podemos dizer que as antevisões do futuro daqueles autores eram bem modestas.

É verdade que nossos automóveis ainda usam os motores a explosão criados no final do século XIX, os trens e metrôs usam o mesmo princípio da ferrovia criada no século XVIII, correndo sobre trilhos de aço apoiados em dormentes ainda de madeira, os aviões ainda usam os mesmos princípios do 14-biz criado por Santos Dumont no início do século XX.

São as coisas que aparentam menores que têm provocado mudanças no cotidiano. Os avanços nas comunicações, novas tecnologias da informação tornaram obsoletos em curto prazo o telex, o fax, o telégrafo, as cartas e outras formas de comunicação.

A introdução dos aplicativos para o serviço de táxi parece definitiva, ainda que necessite de regulamentação. O conforto de chamar o táxi pelo aplicativo, receber as informações sobre o veículo, o condutor, a viagem e a comodidade de pagar com o cartão leva a população a preferir esse serviço. Também se consolida a forma de contratar hospedagem por aplicativo, diretamente entre o dono do imóvel e o hóspede.

A maior mudança pode estar acontecendo sem que se perceba. É possível prever que papel moeda e as próprias moedas deixem de ser usadas como meio de pagamento nos próximos 5 anos. Dias atrás uma senhora vendia palhetas do limpador de para-brisa. Ela as ofereceu e eu aleguei que só tinha cartão. Imediatamente ela trouxe uma máquina o que permitiu a venda.

Eu participava de curso sobre cartões oferecido pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e ouvimos o relato de alguém que havia estado em Tóquio recentemente e que afirmou que pagava as despesas com um aplicativo instalado em um relógio. Ao usar o metrô o aplicativo pagava a passagem sem sua intervenção.

Isso nos leva ao próximo passo. Provavelmente, nos próximos 5 anos até mesmo os cartões deixem de ser meio de pagamentos e eles passem a ser feitos por aplicativos instalados em equipamentos móveis. As pessoas já não vão às agências de bancos e não vão precisar de caixas eletrônicos. Tudo será dado por um click armazenado na nuvem.