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Ambiência Brasília

Brasília e as Manifestações Populares

Lucio Costa, Relatório do Plano Piloto, define Brasília como “cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país.”

O referido Relatório do Plano Piloto, no parágrafo 9, define: “Ao longo dessa esplanada – o Mall dos Ingleses -, extenso gramado destinado a pedestres, a paradas e a desfiles, ficam dispostos os Ministérios e Autarquias.”

Entendo, à luz do citado documento, que as manifestações populares, tão caras à democracia, estão contidas naqueles “pedestres” e naquelas “paradas” descritas pelo urbanista Lucio Costa. Assim, a capital de um país democrático tem na manifestação de seu povo a mais legitima forma de expressão da sua vontade e dos seus anseios.

Em 11 de janeiro de 2015 o presidente da França, François Hollande, de braços com Ângela Merkel e muitos outros líderes mundiais, promoveu uma marcha pelo bulevar Voltaire com o propósito de manifestar o descontentamento com os atos de terrorismo.

A Esplanada tem sido palco de grandes manifestações. Cabe às forças de segurança garantirem que os atos públicos de cidadania, ocorram sem sobressalto. Se em dado momento algum grupo diferenciado provocar confronto ou dano ao patrimônio, que seja tratado à parte, para que as manifestações pacíficas tenham sua segurança garantida.

Moradias Precárias No Eixão Norte

Em 1933, durante a crise econômica que atingiu todo o mundo ocidental, o escritor George Orwell publicou em Londres, para toda a Europa, o Livro Down and Out in Paris and London. Este livro foi publicado posteriormente no Brasil com o título “Na Pior em Paris e Londres”.

Ele inicia sua narrativa pela passagem por Paris onde sobrevive lavando pratos em um restaurante com jornadas de 14 horas por dia. A Segunda parte mostra as estratégias de sobrevivência na Inglaterra, nos albergues e o valor dos míseros pertences e das roupas.

Há uma população significativa vivendo em barracas no início do Eixão Norte, tanto ao lado do Eixinho das 200, quanto do lado do Eixinho das 100. O local não permite acesso a água, instalações sanitárias, energia e mesmo o solo é inclinado, dificultando acomodação razoável.

O Brasil vive em situação inúmeras vezes melhor que aquela vivida pela Europa dos anos 30. O governo conta com Secretaria específica para atendimento de pessoas em situação de rua, conta com áreas que têm infraestrutura, como o Camping, dotado de instalações apropriadas e ainda uma Secretaria de Habitação.

A cada dia vemos nas redes a solicitação de donativos para atender populações em situação de precariedade na África, na Ásia. É chocante que tais famílias compostas de idosos e crianças tenham que viver tão precariamente na Capital Federal.

As Paineiras e o Começo da Floração

A partir da última semana de março começa a floração da cerejeira no Sul do Japão. Esta floração se estende até o início de maio nas regiões mais ao Norte. Os governos locais se encarregam de proceder previsões estabelecendo o dia esperado para a floração e a sua duração. Esse evento, denominado hanami, marca o início da primavera e a insurgência da florada estabelece feriado local.

A paineira não é uma árvore de frutos comestíveis, é frondosa, com copa em formato de globo, diferentemente da cerejeira, mas suas flores róseas, que ocupam todos os galhos substituindo parte ou todas as folhas lembram a cerejeira como se fora uma irmã maior, mais avantajada. Diferentemente do hanami, a festa da floração da cerejeira no Japão, não são todos os que aqui notam e apreciam a floração das paineiras.

A paineira ocorre naturalmente no Distrito Federal, em Goiás, Minas Rio, São Paulo, Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e é muito usada para paisagismo por ser adaptada à região e ser resistente, além de sua floração que impressiona.

A Paineira alcança entre 15 e 30 metros de altura. Seu tronco pode chegar a 1,2 metros de diâmetro e é aculeado, ou seja dotado de espinhos, que são maiores quando a árvore é jovem. É uma arvore decídua, isto é, perde as folhas na época da seca, uma forma de se preservar da falta de umidade. A paineira abre a temporada da floração das grandes árvores do cerrado. Depois dela virão, pela ordem, os ipês roxo, amarelo, branco e rosa.

Erosões por Águas Pluviais

Dois casos de erosões por águas pluviais foram mostrados pelos canais de TV na tarde dessa segunda-feira (1º de maio). O primeiro na QNC 14, Taguatinga Norte próximo à Escola Classe 39 e o segundo, numa chácara, nas cercanias da Ceilândia. Ambos no DF.

No primeiro caso, a tubulação foi perdendo apoio, em razão de possível vazamento, cujos tubos de concreto caíram no buraco que se fez sob eles. A cada secção de tubo que caia uma parte do barranco cedia e causava a cada e uma nova cessão. Perto da área erodida há uma residência cujo muro está há um metro da erosão. A família que ali reside tem procurado os órgãos de governo, segundo a reportagem, solicitando que providencias sejam tomadas antes que a erosão ponha em risco sua casa.

No outro caso, uma área de chácara, ocupação irregular, há vários barracos ocupados por famílias. Ali uma galeria de concreto fundida no local se rompeu também por perda de apoio causando erosão de grandes proporções. Dois barracos foram atingidos e demolidos, fazendo com que as famílias se mudassem e pondo em alerta as demais.

Os terrenos no Distrito Federal são muito susceptíveis a erosões, especialmente nas bordas dos platôs e nas encostas. Nos primeiros anos da implantação do Setor P de Ceilândia ocorreram muitas erosões, assim como nos finais de quadras no Gama. Essas situações impõem a necessidade da construção de dissipadores de energia que reduzam a velocidade das águas e evitem erosões.

Placas, Letreiros e Bandeiras

Recebi a indicação de que a loja que procurava estava localizada ao lado de uma floricultura numa quadra da Asa Norte. Seria uma loja de presentes e outros objetos, mas que também faria serviços de fotografia, destas fotos para documentos.

Percebendo que eu buscava a informação nos letreiros colocados acima das porta uma senhora me chamou para dentro da loja e perguntou o que eu procurava e então me informou que era ali mesmo, que a bandeira fora retirada por imposição da Administração Regional de Brasília, que ameaçara com multa se assim não fosse feito.

A senhora mostrava-se indignada, pois nas redondezas, muito próximo dali, situação equivalente não foi objeto de admoestação pela fiscalização. “Eram apenas bandeiras de pequeno porte, em lona, postas junto à fachada que em nada incomodava os vizinhos ou aos passantes”, alegou a senhora.

A legislação que trata do assunto é de 18 de julho de 2002, Lei 3.036. A partir daquela data a fiscalização passou para a Agência de Fiscalização do Distrito Federal – AGEFIS. As Administrações Regionais foram esvaziadas e deixou-se de expedir autorizações de publicidade.

A disciplina no uso da publicidade objetiva a segurança, a preservação do patrimônio e a paisagem urbana. A ausência ou a fiscalização discricionária causa sérios prejuízos à paisagem e dificulta a melhor comunicação entre as organizações e a população.

Regularidade do Transporte Coletivo

O uso do transporte coletivo é tido como a forma menos poluente, afinal um único veículo leva dezenas ou centenas de passageiros. Também é tido como ecológico, pois um único motor, seja a explosão ou elétrico, exige menos energia para o transporte de cada passageiro. Mais solidário e racional por ocupar menos espaço nas vias públicas para o deslocamento que o transporte individual.

O conforto de poder estabelecer o horário de saída, a privacidade e a liberdade de definir itinerários vários leva um grande números de pessoas a optar pelo transporte individual ainda que muito mais caro.

Um outro motivo por optar por não usar o transporte coletivo, além do conforto, é a questão das esperas nas paradas, especialmente no caso dos ônibus coletivos. Em verdade não se sabe em que horário o ônibus passará por esta ou aquela parada.

Não há normas que indiquem em que horário o ônibus deverá passar. A Lei 5.171, de 12 de setembro de 2013 dispõe sobre a obrigatoriedade de disponibilização na internet dos dados relativos ao transporte público coletivo rodoviário no âmbito do Distrito Federal, mas não há, ou não foi encontrada, norma que estabeleça os horários em cada parada.

O fato de não haver horário estabelecido pode propiciar a passagem antecipada ou postergada do ônibus. Resta ao passageiro, que tem horário a cumprir, antecipar sua chegada ao ponto e esperar até por meia hora ou mais o veículo. Assim, opta pelo carro.

Ocupação Descontrolada

Neste final de semana, tentei visitar um amigo que mora na Colônia Agrícola Arniqueira (DF). Entrei, como já havia feito anteriormente, na rua que sai do Pistão Sul, ao lado de um posto de combustíveis que fica próximo à Universidade Católica.

Tudo estava diferente. Muitas novas edificações foram construídas entre a data de minha última visita e agora. Depois de muito tentar, pedi a uma amiga que fornecesse o localizador pelo WhatsApp. Mesmo tendo o auxílio do mapa não acertei o caminho.

São muitas vielas, todas ao longo dos divisores de águas entre os riachos que dão nome às Colônias Agrícolas. Estas vielas não se ligam entre si. Delas saem ruelas, muitas sem saída, que também não se comunicam. O sistema viário tem forma de espinha de peixe.

Não há atividade agrícola, tudo foi subdividido e ocupado por moradias. O solo é pobre, argiloso e encascalhado. A topografia é acidentada, mais de 30% de inclinação. Ali estão as colônias agrícolas de Vereda da Cruz, Arniqueira e Vereda Grande.

Elas ocupam uma área de 150 hectares situada entre as Avenidas: Águas Claras, a Oeste, Vereda da Cruz, ao Norte, Estrada Parque Vicente Pires a Leste e ao Sul a Estrada Parque Núcleo Bandeirante e a quadra 3 do Setor de Mansões Parque Way.

Originalmente era uma área de preservação, por ser imprópria à ocupação urbana ou rural. A falta de oferta de moradias, em conformidade com o crescimento populacional e ausência de fiscalização, ocasionou a sua ocupação desordenada e sem urbanização.

Transporte Coletivo na Ordem do Dia

Nesta segunda, 27 de março de 2017 os transportes coletivos estavam em evidência na mídia. Por um lado, os moradores de Vicente Pires reclamavam da retirada dos dois únicos ônibus que os serviam, substituídos por micro-ônibus, insuficientes, segundo as habitantes daquela Cidade Satélite que questionaram a medida.

Por outro lado, discutia-se sobre a incapacidade de o Metrô transportar mais que 200 mil passageiros por dia. O Metrô atende seis Regiões Administrativas que contém a metade da população do Distrito Federal, o que corresponde a aproximadamente 1 milhão e meio de pessoas.

O enfoque da reportagem relativa ao Metrô deu ênfase à necessidade de terminar a construção das estações da 104, 106 e 110 Sul, bem como de fazer operar as estações Estrada Parque e Onoyama, prontas, porém não postas em uso.

Também foi lembrado o anseio de levar o Metrô até o final da Asa Norte. Segundo informações da direção do Metrô os estudos para a construção de duas novas estações em Samambaia, duas na Ceilândia e uma na Asa Norte estariam prontos e teriam sido iniciados em 2012, mas as obras aguardariam financiamento.

Sabe-se, entretanto, que a construção de novas estações não altera a capacidade do Metrô em transportar pessoas. Essa capacidade decorre do tamanho do comboios, número de carros que os compõem e a frequência da passagem desses comboios.

Hoje os trens circulam com quatro carros em cada comboio. Ocorre que as estações têm apenas 80 metros de plataforma ao longo da linha, o que impede a composição de comboios de 5 ou de 6 carros. Por outro lado, os trens circulam com intervalos de aproximadamente 6 minutos entre a passagem de um trem e outro. Não seria prudente aumentar a velocidade dos trens, isso poderia aumentar o risco de acidentes.

Como se vê a alegação apresentada, de que o sistema transportaria mais pessoas diariamente com a inauguração de novas estações é improcedente. A inauguração das novas estações melhoraria o conforto para os passageiros que teriam acesso ao Metrô mais próximo de suas moradias e dos locais de trabalho.

A solução para aumentar a capacidade do Metrô seria aumentar as plataformas para 120 metros, o que permitiria operar com comboios de 6 carros e reduzir a frequência para 2 minutos. O Metrô, desta forma, transportaria 1,2 milhões de passageiros por dia.

Chuvas e Qualidade das Vias

Depois de um veranico em janeiro, suficiente para preocupar em relação aos reservatórios das barragens que abastecem a população do Distrito Federal, as chuvas voltaram com frequência e precipitações animadoras.

Considerando que já há uma crise hídrica instalada, somente a realização de obras de captação, tratamento, bombeamento e distribuição em regime de urgência possibilitará passar a próxima seca sem maiores transtornos.

A chuva trouxe também a preocupação com as vias. Há reclamações vindas de todas as cidades decorrentes do aumento do número de buracos nas vias. Mesmo nas vias de ligação entre as cidades é visível o crescimento do número de buracos e de outras imperfeições nas faixas de rolamento, especialmente nas faixas da direita das vias, destinadas aos ônibus e outros veículos pesados.

A tecnologia adotada no Distrito Federal para implantação das vias propicia esta infindável tarefa de consertar a cada ano as vias de pavimento asfáltico. Resumidamente o processo consiste em fazer a preparação do leito com material de baixa resistência que é compactado. Sobre este leito é posta uma camada de material um pouco mais resistente à compactação na base da camada asfáltica. Sobre esta base é lançada um capa de betume impermeabilizadora e finalmente o concreto asfáltico.

As vias, implantadas conforme descrito acima, quando sujeitas a sobrecarga sofrem afundamentos ou mesmo rachaduras na camada asfáltica. Com a chegada das chuvas, suas águas se infiltram, passando pela capa impermeabilizadora e ao molhar a argila que constitui a base, faz com que a pavimentação entre em colapso, onde o pavimento se rompe e surgem os buracos.

Em algumas vias, das quais se espera uma maior resistência, tem-se utilizado ao longo de décadas outras tecnologias. Vias como o Buraco do Tatú e a ligação entre a L2 Sul e Norte, que passa entre a Catedral e o Museu da República, têm pavimento em concreto e exigem pouca manutenção. Recentemente as vias exclusivas para ônibus foram feitas em concreto. Outras vias receberam reforço de suas bases melhorando sua resistência.

Enquanto não se substitui a tecnologia das vias, especialmente daquelas sujeitas a tráfego pesado, impõe-se a realização de serviços de tapa-buracos todos os anos. Os danos podem exigir a recuperação de todo o trecho. Está na hora de começar.

IDHM e Brasília

David Johnson, publicou em 7 de março de 2017, na TIME Magazine estudo sobre as mais felizes e saudáveis cidades dos Estados Unidos da América. O estudo desenvolvido entre 2015 e 2016 listou 189 comunidades que foram analisadas sob os aspectos físico, financeiro, educação, saúde etc.

O estudo apresenta o entendimento de que as melhores cidades seriam aquelas junto às praias. Ele destaca que morar junto à praia reduz o stress e a comida é estimulante, para em seguida dizer que você não precisa de uma praia para ter alguém que o encoraje a ter uma vida saudável, para aprender coisas novas e interessantes ou para ir ao dentista.

Feita esta introdução ele lista aquelas classificadas pelo maior grau de satisfação que oferecem aos seus habitantes e as que alcançaram os menores índices. São cidades não muito grandes, distribuídas por todo o pais. Ao final ele pondera que as comunidades do Sudeste dos Estados Unidos e as industriais do Meio-Oeste tendem a ter baixa qualidade de vida dado o tabagismo e altos índices de obesidade.

A revista The Economist promoveu estudos sobre as dez melhores cidades do mundo para se viver. Os critérios foram estabilidade, cuidados com a saúde, cultura, ambiente, educação, e infraestruturas. As dez melhores conforme os estudos são: 1. Melbourne, Austrália; 2. Viena, Áustria; 3. Vancouver, Canadá; 4. Toronto, Canadá; 5. Calgary, Canadá; 6. Adelaide, Austrália; 7. Perth, Austrália; 8. Auckland, Nova Zelândia; 9. Helsínquia, Finlândia e 10. Hamburgo, Alemanha.

Marcos Prates e Amanda Previdelli publicaram estudo patrocinado pela ONU onde eles classificam as 50 melhores cidades para se viver no Brasil. São aquelas com maior IDHM, que apresentam os melhores índices de renda, expectativa de vida e educação.

Segundo os autores, o IDHM agrega três das mais importantes dimensões do desenvolvimento humano: a oportunidade de viver uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento, padrão de vida que garanta as necessidades básicas tais como saúde, educação e renda. Neste estudo, com dados de 2016, Brasília aparece na 9ª posição.

Brasilia já teve 100% da população atendida com água potável, coleta e tratamento de esgotos, excelentes escolas, bom sistema se saúde, a mais alta renda per capta do país e alta expectativa de vida. Falta de planejamento, permissividade com ocupações irregulares e deterioração dos serviços baixou a IDMH local. Hora de retomá-lo.