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A Cidade e sua Vivência
Ambiência Brasília

Chuva precoce não engana cigarra, mas melhora o clima

Este ano as chuvas chegaram mais cedo. E chegaram pesadas. Intensas. Chegaram a 72,5 mm. O único ano, desde a inauguração, que teve precipitação maior que 2009 foi o de 1984, com 93,3 mm acumulados. Nos demais não ocorreu nada parecido. Normalmente elas são significativas em outubro. Em agosto é aquela chuvinha esporádica, bem mais para o final do mês, ainda correndo o risco de nem sempre acontecer porque o mês de agosto, em Brasília é um mês de seca. A média das precipitações atmosféricas apuradas, de 1961 até 2008, foi de apenas 13 mm. Muito pouco. Dados estatísticos apuraram que dos 49 anos de Brasília, 22 anos não contaram com uma única gota de chuva na cidade. Zero mm de precipitação, portanto. Em outros oito anos choveu abaixo da média de 13 mm.

A umidade relativa na última sexta-feira de julho estava em 12%, indicando pouca ou nenhuma perspectiva de chuva. Foi uma semana de alerta, pois a umidade relativa do ar oscilou entre 12 e 14%. Níveis limite para a saúde de acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS. Os comentários em 31 de Julho não eram nada otimistas com relação a chuvas em agosto.

Mas a chuva antecipou a primavera. A paisagem mudou, os gramados ficaram imediatamente verdes. As arvores recobraram suas folhas, especialmente os ipês, caducifólios, em que brotaram folhas de um verde claro e intenso. Mas a antecipação das chuvas não mobilizou a todos. Ainda que a terra tenha ficado úmida e macia em agosto, desconfiadas, as cigarras só apareceram depois da entrada oficial da primavera. Mesmo assim, ainda estão tímidas.

A falta de chuvas e a baixa umidade incomodavam muito o ex-governador José Aparecido. Ele chegou a promover estudos para utilização de aviões que pulverizariam as nuvens com iodeto de prata e fariam chover durante o período de mais baixa umidade. Ele havia tomado conhecimento de experiências no nordeste do Brasil. Contudo, a técnica era pouco conhecida.

Hoje o seu propósito seria exeqüível. Um grupo de pesquisadores composto por Taqueshi Imai (engenheiro mecânico e mestrando em física da atmosfera), Inácio Malmonge Martins (doutor em física e professor do Ita e da Universidade de Taubaté), Majory Imai (administradora de empresas) e Ricardo Imai (estudante de engenharia), criaram uma empresa com o propósito de fazer chover, literalmente.

Eles utilizam a técnica de semear “gotas coletoras” de água pura de tamanho controlado que aglutinam as gotículas de nuvem num processo de colisão e coalescência formando gotas de chuvas. As nuvens crescem rapidamente com aumento significativo das precipitações no local de operação do avião (revista Scientific American, setembro 2009 p. 74-79).

Esses pesquisadores têm prestado serviço para a Sabesp provocando chuvas sobre o sistema Cantareira que abastece São Paulo. Eles comprovaram que as Regiões Centro-Oeste e Nordeste possuem nuvens adequadas para semeadura em períodos cíclicos, ou seja, poderíamos ter chuva induzidas em Brasília reduzindo o período de seca e amenizando as condições climáticas.

“Vem pra vida vem viver”

A cada dia aumenta a consciência da necessidade de inclusão de uma parcela significativa da população: aqueles que são portadores de necessidades especiais. Os editais de concurso público, por exemplo, reservam-lhes uma parcela das vagas. As Universidades Federais também destinam parte das vagas nos cursos para garantir sua inclusão social. As empresas são obrigadas a contratar parte de seus trabalhadores entre aqueles que até um tempo atrás eram preteridos.

Há um esforço da sociedade para que essa parcela da população que soma aproximadamente dez por cento do total, tenha oportunidade de se realizar como pessoa e contribuir para o desenvolvimento do país como qualquer outro cidadão. Entretanto, ainda são identificadas algumas áreas que teimam em não se adaptarem para facilitar a vida destas pessoas. Um dos casos é o transporte público onde os veículos não são adaptados para permitir o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção.

O governo atual do DF divulgou que dez por cento da frota de ônibus seria adaptada para permitir o acesso dos portadores de necessidades especiais. Convenhamos que este percentual citado representa quase nada para o universo existente nesta qualificação. É difícil para as pessoas que se movem sem dificuldade chegar ao trabalho, à escola ou ao lazer utilizando o transporte público. O metrô e os ônibus rodam abarrotados e, em geral, esses últimos não têm regularidade. Imaginemos uma pessoa em cadeira de rodas tentando chegar ao trabalho e tendo que esperar que passe um ônibus com o mecanismo de acessibilidade. Essa pessoa dificilmente chegará a tempo no trabalho, na escola ou em alguma outra atividade.

A dificuldade se repete quando essa pessoa tenta circular pela cidade. São barreiras de toda ordem: falta de rampas, escadas construídas nas calçadas, excessos de mobiliário público. Placas, lixeiras, postes, avisos, etc, concorrem com o usuário das calçadas. Quando esse usuário adentra a uma loja, restaurante, escola, academia, casa de espetáculo ele se depara com a total inadequação para sua mobilidade naquele ambiente. Variações de pisos, escadas, espaços exíguos de circulação e anteparos de difícil superação. Os banheiros dependem sempre de escada.

Como se vê nem tudo é indiferença. Há pessoas que se importam e se mobilizam para apoiar e ajudar a superar essas limitações. É o caso da organização “VEM PRA VIDA VEM VIVER” de iniciativa de Ronald de Carvalho. Ela tem por objetivo proporcionar diversão e entretenimento ás pessoas com deficiência. A proposta é permitir seu acesso a bares, restaurantes, cinemas, boates, teatros e casas de shows. A proposta é simples como toda boa idéia. Os proprietários de estabelecimentos serão convidados a adequar seus espaços e atendimentos para facilitar o acesso, além de divulgar essa acessibilidade no site www.vempravidavemviver.com.br. O site será inaugurado no próximo 1º de outubro e pretende divulgar esses estabelecimentos entre as pessoas com necessidades especiais. Considero a iniciativa da maior importância para Brasília, um sinal de evolução nas relações entre seus moradores.

Agradeço a Lina e Natacha, duas empenhadas no assunto, pela informação.

O lixão e as condições de vida de nossos intocáveis

Fotos publicadas nos últimos dias mostraram homens, mulheres e até crianças trabalhando no lixão da Estrutural. As fotos causaram repugnância e desconforto pela insalubridade e pela degradante condição de trabalho daquelas pessoas. Tudo tão próximo do centro do poder.

Reações diversas foram captadas. Os moradores das cercanias viram naquela aglomeração uma oportunidade de fazer algum dinheiro com o comércio de alimentos para os catadores de material reciclável. Mas a população, em geral, sente-se impossibilitada de intervir neste processo e o vê como uma responsabilidade do poder público, a quem cabe manter as cidades saneadas, promovendo a coleta e a disposição final dos resíduos sólidos.

Muito pouco se tem feito a respeito da melhoria dos processos de coleta e disposição final. Ainda dependemos de caminhões que passam com certa regularidade, coletam os resíduos e os lançam em áreas distantes dos centros urbanos e de preferência de difícil acesso. Longe dos olhos das pessoas.

O lixo tomou importância econômica pelo alto índice de reciclagem alcançado pelo país. É penoso reconhecer que esses ganhos econômicos se fazem a custa de trabalho subumano a que são submetidas estas populações que à falta de outras oportunidades se vêm obrigadas a trabalhar em tais condições para obter o seu sustento.

Brasília já empreendeu algumas tentativas de tratar o lixo de forma a reduzir o seu manuseio. Os primeiros prédios eram dotados de dutos interligados a alçapões em cada apartamento. Estes alçapões permitiam o lançamento direto do lixo a partir do apartamento, o qual caia diretamente no compartimento a ele destinado no térreo.

O impacto dos sacos na lixeira do térreo e o lançamento de alimentos sem acondicionamento correto transformavam aqueles dutos em depósito de alimentos para insetos e roedores. Isso levou ao abandono daquele modo de construir e ao fechamento dos alçapões nos prédios antigos que os continham.

A primeira usina de tratamento construída ali na Avenida das Nações tinha uma rampa lançadora dos sólidos. Esta rampa deveria lançar mais longe os materiais de maior densidade, como o ferro e outros metais, um pouco menos longe o vidro e assim separaria os resíduos permitindo o seu uso em reciclagem. O processo não era tão eficiente e na próxima estação de tratamento construída na Cinelândia não havia nada parecido. Tudo é lançado em uma vala de concreto e depois içado por uma grua que leva os resíduos a esteiras onde se dá a separação dos materiais recicláveis. Há um intensivo contato com os resíduos e a usina tem reduzida capacidade de processamento.

Sobram então os lixões com a degradação das pessoas e do meio ambiente! Mas o que resta além da indignação da população com as condições de trabalho dessas pessoas?

Não custa repetir que a população de Brasília, quando quer e tem apoio do poder público pode fazer muito – vide o caso das faixas de pedestres. Neste caso pode-se praticamente retirar todos aqueles que trabalham no lixão e dar-lhes a possibilidade de trabalhar condignamente. O acondicionamento do lixo residencial, dos escritórios, do comércio e da indústria em recipientes separados: papéis, metais, plásticos, vidros, químicos e orgânicos permitiria que aqueles que trabalham no lixão o recolhessem sem necessidades de se lançarem nos containeres ou que os esperassem no lixão para os separar.

A coleta seletiva é uma promessa sempre adiada. Ela poderá redimir aqueles compatriotas e reduzir a agressão ao meio ambiente.

Rede de alta tensão choca meio ambiente

Estamos a um mês da primavera. Quando esta chegar veremos caminhões sobre as calçadas dirigindo-se inapelavelmente para cortar e carregar as árvores que tiveram a desdita de estar ao longo das linhas de transmissão de energia aéreas. As árvores são mutiladas e perdem os galhos e folhagens que têm contato com a fiação. Isso ocorre nas quadras, no Parque da Cidade e em todos os locais onde foram erigidas essas redes de alta tensão.

A distribuição de energia elétrica, no meio urbano, por rede aérea, tornou-se fator preponderante de poluição urbana. Em geral essas redes tornam-se suportes para linhas telefônicas, redes de dados, TV a cabo, causando uma parafunda de toda ordem de fios que interferem na paisagem e impedem a visualização dos edifícios, dos conjuntos arquitetônicos e outros elementos da paisagem urbana.

Inúmeras cidades tem procurado remover as linhas de transmissão aéreas com o propósito de melhorar a paisagem urbana, reduzindo os elementos de poluição, entre eles, as redes aéreas. Gramado no Rio Grande do Sul, cidade turística, está implementando projeto de eliminação das redes aéreas. A administração da cidade noticiou o inicio dos trabalhos como uma contribuição importante ao embelezamento da cidade e como mais um elemento de melhoria com vistas ao turismo.

Também Pelotas no Rio Grande do Sul preocupa-se com os danos que as redes aéreas causam a paisagem urbana. O projeto de remoção daquelas redes ressalta os danos e os prejuízos causados ao centro histórico da cidade, visto como patrimônio histórico. Os autores ressaltam aspectos “como o de legibilidade urbana, que é, em essência, a capacidade que o espaço proporciona em que se identifique os diferentes elementos que compõe a paisagem”.

O projeto de Pelotas ressalta a importância do assunto chamando a atenção para o trabalho desenvolvido em Florianópolis, capital de Santa Catarina. Ali também há um esforço para remover as linhas aéreas de transmissão de energia. Isso ocorre especialmente nas áreas centrais das cidades. Pode-se observar alguns loteamentos lançados com o apelo de redes subterrâneas.

Nota-se em Brasília a ocorrência de fenômeno inverso. O que sempre foi tido como norma, a não utilização de linhas aéreas de transmissão de energia no Plano Piloto vem sendo sistematicamente transgredido. A cada momento nos deparamos com uma nova linha e com mais árvores mutiladas pela poda indiscriminada. Essas transgressões vão se tornando regra do mesmo modo que os puxadinhos e as invasões.

A CEB anuncia um grande programa de investimentos pela mídia , com melhorias a serem implementadas por todo o Distrito Federal. Esse é o momento do governo remover as linhas aéreas nas quadras, ao logo dos Eixos Rodoviário e Monumental, no Parque da Cidade e em outros locais. O meio ambiente agradece.

O Homem do Rio e o Cinqüentenário de Brasília

Está circulando entre os brasilienses, com grande audiência, parte do filme O Homem do Rio, dirigido pelo cineasta Philippe Broca (Itália, França e Brasil) lançado em 1964, com 110 minutos de duração. O grande apelo do filme é a presença de Jean Paul Belmondo, grande galã dos anos 60, e o fato de que o filme ter sido rodado em parte em Brasília quando a cidade tinha 4 anos de inaugurada. Trecho do filme está acessível no You Tube, no endereço:
Brasília em 1964: Belmondo em O Homem do Rio

O filme é todo uma correria que resulta do roubo de uma relíquia. Em Brasília, o ator Belmondo é perseguido, passa pela Rodoviária, Palácio do Planalto, Setor Comercial Sul, via S1, por uma favela à beira do Lago Paranoá (que acredito ser a antiga Vila Amauri, removida para o Gama) e dá rasantes com um pequeno avião sobre os Ministérios e o Congresso Nacional. E, principalmente, leva vários banhos de poeira. Muita poeira!

Impressiona ver o cenário: ruas quase sem carros. Um ou outro é visto ao fundo. Nenhum estacionado. A população ainda era muito pequena e o governo funcionava, na maior parte, no Rio de Janeiro. Gente mesmo só nas obra, na Cidade Livre e nas invasões.

Essa é a imagem conhecida do início de Brasília. Cidade planejada e construída em 4 anos. Na época era um fenômeno. Vitória do povo brasileiro que provou sua capacidade criadora, inventiva, empreendedora.

Brasília ainda impressiona. Aqueles que a visitam a vêm “diferente, ampla, linda, incrível, moderna, em que tudo é novo, emocionante, tranqüila, onde tudo é longe”. Isso, graças ao tombamento que preservou o Plano Piloto. É unânime a observação da falta de transporte público. O turista tem ainda a dificuldade de identificar a linha ou o veiculo que poderá levá-lo ao local desejado. Não há sinalização com os itinerários e horários nos pontos de ônibus.

Hoje, pouco antes de completar os cinqüenta anos de Brasília, o momento é propicio para reavaliarmos esta cidade de muitas gentes. A Brasília dos que aqui moram, trabalham e criam os filhos. A Brasília dos que aqui trabalham, dos que vêm aqui para trabalhar e voltam no final da semana. A Brasília que recebe os turistas que buscam conhecer seu traçado urbanístico único, suas virtudes arquitetônicas, suas obras de arte, o paisagismo, seu modo de vida sem esquinas, a alegria de seu povo, seu modo de vida, suas iguarias gastronômicas, entre outros.

A discussão do presente e futuro da cidade seria tão importante quanto as festas programadas. A identificação dos problemas gerados por décadas de populismo inconseqüente, das demandas geradas pela má gestão, pelo rápido crescimento e pela mudança nas aspirações e necessidades dos residentes e do restante do país com a sua capital.

Assim, a realização de amplo seminário envolvendo todos os diversos segmentos – o Governador Aparecido não gostava deste termo – onde se pudesse discutir, avaliar e propor medidas quanto o aspecto urbano, a ocupação do solo, as atividades a serem aceitas e estimuladas, a infra-estrutura, os serviços de saúde, educação, segurança, cultura, abastecimento e o que mais vier. Assunto é o que não falta.

O trânsito e o computador

Um amigo propôs que as nossas reuniões de trabalho fossem feitas via computador, utilizando os recursos de teleconferência da WEB. Ele argumentou que com o trânsito dificultado perde-se muito tempo no deslocamento de um lugar para outro e a jornada de trabalho fica reduzida e a produtividade conseqüentemente prejudicada.

O Governo Federal Digitalizado

O Governo Federal já introduziu há algum tempo a prática de digitalizar os processos em todos os seus passos, admitindo a inclusão de documentos produzidos via scanner e autenticados pelo servidor a partir de sua assinatura digital. As análises, que antes eram feitas pelo manuseio daqueles calhamaços empoeirados de papel, agora são realizadas pela avaliação dos documentos enviados pela internet, economizando tempo e recursos de todas as partes.

O Judiciário e a Lei 11.419

O poder judiciário a partir de 2006, com o advento da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a informatização do processo judicial, passou a utilizar o meio digital. Isso economiza tempo de tramitação e de movimentação de documentos. Permite o acesso remoto aos documentos e despachos nos processos, evita deslocamentos e visitas ao fórum. Enfim, economiza tempo e recursos dos envolvidos nas questões em apreciação pelo judiciário.

Ainda que assim seja hoje, as pessoas continuam indo e vindo aos locais de trabalho com despesas de deslocamento, congestionamento das vias e desgaste emocional, além do dispêndio de tempo que poderia ser utilizado para atividades mais prazerosas ou mais produtivas. É verdade que algumas atividades não foram ainda automatizadas ou são mais bem desempenhadas por pessoas e estas somente poderão desenvolvê-las em locais determinados.

Transito Desafogado

O trânsito seria desafogado se os servidores públicos responsáveis pela avaliação de processos e pela elaboração de relatórios pudessem desempenhar suas atividades fora dos prédios públicos. É bem verdade que a interação e a troca de experiências entre aqueles servidores são fundamentais para a formação de entendimento sobre os diversos assuntos tratados, daí porque a metade dos servidores poderia se deslocar em um expediente para a sede da repartição e o outro expediente seria preenchido pela outra metade. No tempo restante eles receberiam tarefas especificas a serem desenvolvidas fora das repartições. Os servidores poderiam trabalhar em suas residências ou em parques ou em qualquer lugar onde seus computadores portáteis fossem conectados à rede governamental.

A cidade ficaria mais agradável, os custos de deslocamentos seriam menores, a poluição seria reduzida. Uma forma mais econômica, em melhor consonância com o meio ambiente e coetânea com o desenvolvimento digital.

Faltam hotéis para a Copa

O Congresso Nacional está apreciando um projeto de interesse dos vereadores. Eles se reuniram em abril passado, em Brasília, para fazer lobby junto aos deputados e senadores na defesa de seu interesse. Isso foi o suficiente para que um especialista chamado a dar treinamento a um grupo de empresas não encontrasse vaga em nenhum hotel da cidade. Valeu-se de uma rede de acomodações não convencionais.

A Copa

A cidade foi escolhida para sediar parte dos jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014. Todo o empenho de trazer para Brasília parte dos jogos, funda-se no entendimento de que a realização desse evento aqui trará muitos turistas e divulgará a cidade como destino turístico para todo o planeta. O turismo seria uma vocação natural desta cidade moderna e única, representante do maior conjunto de arquitetura moderna em todo o mundo.

A rede hoteleira

Durante o processo de escolha das cidades sede da copa, Brasília apresentou como uma de suas vantagens a existência de 18 mil leitos conforme publicado a época. Também foi dito que seriam necessários mais 18 mil leitos para acomodar os torcedores. Neste ponto cabem preocupações quanto a possibilidade de fazê-lo sem que se torne necessária a adoção de medidas enérgicas (e urgentes!) para garantir a viabilização daquele propósito.

Hotéis e escritórios

As áreas dos Setores Hoteleiros Norte e Sul estão muito perto de se esgotarem. Restam poucos terrenos. Boa parte deles vem sendo ocupados com escritórios ou residências definitivas. As áreas da orla do lago, que se destinariam a hotéis, também vêm sendo ocupadas com moradias. Pode-se afirmar com segurança, mesmo sem um levantamento acurado das áreas disponíveis, que não há possibilidade de dobrar a oferta de leitos para receber os torcedores levando-se em conta apenas os terrenos destinados especificamente àquela atividade.

O que fazer?

A primeira providência governamental seria a proibição de licenciamento de edificações para qualquer outra atividade nos setores hoteleiros Norte e Sul, bem como na orla do lago. Os interesses da coletividade, criar empregos com o turismo, não devem ser sobrepujados pela expectativa de lucro imediato aos especuladores imobiliários assim como os compromissos assumidos, receber os turistas de todos os cantos, não devem ser negligenciados. A segunda providencia, após um levantamento acurado que com certeza irá indicar a necessidade de indicação de novas áreas destinadas a hotelaria, quantificar o déficit de área para a demanda estimada e indicar os possíveis locais de locação dos novos hotéis.

Fim dos Congestionamentos sem Gastar um Tostão

O congestionamento é hoje um componente dramático na vida do brasiliense. Em qualquer percurso, dentro do próprio Plano Piloto ou para as Cidades Satélites, o deslocamento, nos horários de ida e vinda ao trabalho ou à escola, apresenta trânsito engarrafado. Não são somente as vias que estão entupidas de veículos, os estacionamentos também se esgotaram há muito. Não há lugar para deixar o carro.

Brasil – Grande Cidade Problema de Transito

Os congestionamentos ocorrem em todas as grandes cidades brasileiras. A opção pela não oferta de transporte de massa transforma o deslocamento em problema. A solução tem sido a construção de viadutos, o alargamento das vias e, quando nada mais funciona, faz-se a restrição ao acesso de veículos, como ocorre com o revezamento em São Paulo.

Brasília Integrada

A esperança da Secretaria de Transportes está fundada no projeto Brasília Integrada. Esse projeto está baseado em duas vertentes: a oferta de transportes coletivos, novos trens para o metrô e Veiculo Leve sobre Pneus – VLP, para as populações menos afortunadas e que dependem do transporte público para se locomoverem. Para a classe média o projeto prevê a melhoria do sistema viário com o alargamento das vias, segregação dos ônibus em pistas exclusivas, construção de viadutos. O licenciamento de milhares de veículos novos a cada ano impõe um jogo com final previsível, em pouco tempo essas medidas paliativas estarão saturadas.

Acabar com o Congestionamento sem Gastar um Centavo

A solução imediata está na instituição do transporte corporativo. Cada empresa ou organização com mais de cem servidores deveriam usar o dinheiro do Vale Transporte para contratar serviço de transporte coletivo, porta a porta, com garantia de assento para cada passageiro. Isto desestimularia as pessoas a usarem o transporte individual, reduziria o número de veículos nas vias e desafogaria os estacionamentos públicos. O transporte individual seria usado para lazer ou atendimento de necessidades privadas.

Os Governos como Exemplo

Os governos, local e nacional, legislativo, executivo e judiciário contam com mais de 300 mil servidores. Os órgãos governamentais poderiam dar o exemplo, mas já há empresas que assim o fazem. Antigamente era assim que os servidores públicos iam ao trabalho, até que alguém em 1990 achou que era luxo. Hoje seria uma solução. Um ônibus transportando quarenta pessoas retiraria outros trinta e nove veículos das vias.
Poderia ser Melhor

Aprendemos a admirar o transporte escolar praticado nos estados Unidos Americanos. Os amarelinhos buscam as crianças em casa e as deixam na porta das escolas. Esta é uma medida complementar para melhorar sensivelmente a questão do trânsito nas cidades do Distrito Federal.

É hora de rever a sinalização urbana de Brasília

Quem se dirige ao aeroporto de Brasília, pelo eixo rodoviário Sul, vê duas “placas” de cores singulares, próximo ao viaduto localizado no cruzamento daquela via com a Avenida das Nações. Elas alertam para a altura máxima permitida aos veículos. Essas placas estão suportadas por postes feitos com pontaletes. Tem-se a impressão que podem cair a qualquer momento pela ação do vento ou outro agente, dada a sua fragilidade. Embora seja preocupante a circulação de veículos com mais de 4,40 metros, há a preocupação com os demais veículos que trafegam. Elas diferem da sinalização na cor, forma, tipologia do texto e localização, o que, por certo, põe em dúvida sua credibilidade enquanto sinalização. Esse caso é emblemático da situação geral da sinalização urbana do Distrito Federal. Cada um sinaliza onde e como quer.

O projeto da sinalização da cidade foi elaborado e implantada na década de 70, portanto, há quarenta anos. O que na época era inovador hoje se apresenta desatualizado, depredado e ausente em toda a área urbana.

A sinalização indicativa, locativa e direcional toma maior relevância no Distrito Federal dada sua condição diferenciada de endereçamento e de morfologia. Os próprios moradores da cidade têm dificuldade em se orientar. Os visitantes ficam, na maior parte das vezes, totalmente perdidos. Some-se a isto a quase total ausência de sinalização em diversas áreas. Nas cidades satélites há precariedade na sinalização indicativa dos setores, quadras e conjuntos.

Quem vai a São Paulo de carro, ainda que não conheça a cidade é capaz de lá dirigir com facilidade em razão da eficiente sinalização disponível. Recentemente o prefeito de São Paulo fez retirar toda a poluição visual causada pela propaganda deixando a cidade com aspecto de limpeza e facilitando a visualização da sinalização urbana.

A revisão do antigo projeto de sinalização urbana de Brasília seria de grande valia para todos, habitantes e turistas. A renovação da sinalização e de orientação urbana se enquadra nos objetivos de valorização e melhoria das condições de funcionamento dos espaços coletivos, constituindo assim uma importante componente dos programas de estruturação urbanística.

As soluções para a sinalização urbana poderiam priorizar, entre outros os seguintes itens:

  • reforço dos sistemas espaciais e funcionais existentes, como a rede de equipamentos e os sistemas de espaços coletivos;

  • soluções simples, facilmente apreensíveis, e, simultaneamente, de qualidade relevante, que permitam a leitura global do sistema funcional, e a leitura seqüencial dos seus principais componentes.

  • soluções com capacidade significante que permitam a construção de “fatores de memória”, nomeadamente no que respeita à “forma” da rede urbana, estrutura do aglomerado e localização de cada uma das suas “partes” constitutivas.

  • privilegiar a trafego de pedestres, entre outros aspectos igualmente relevantes.

Transferência ou descentralização do GDF?

A assinatura do contrato para a construção de um novo centro administrativo do Distrito Federal em Taguatinga foi anunciada como fonte de polêmica junto à opinião pública e até mesmo cautela por parte do governo. A obra seria construída por contratação no regime de Parceria Público Privada – PPP, portanto, pela iniciativa privada, com recursos de financiamento governamental e administrada por um consórcio de empresas por vinte anos.

As PPPs

As Parcerias Públicas Privadas – PPP teriam por objetivo antecipar a execução de obras que não caberiam no orçamento governamental e propiciar a prestação dos serviços à população em curto prazo, garantindo às empresas o retorno do investimento em longo prazo. Na prática essas parcerias têm ocorrido sempre com financiamento de algum banco oficial e com aval do governo local, ou seja, a divida não é contabilizada como do governo, mas ele é o responsável por seu pagamento. A iniciativa privada entra com os recursos do governo, fica dona do bem construído e ainda com os lucros.

A conveniência de transferir para Taguatinga

A transferência da sede do governo para Taguatinga pressupõe que todos os serviços do governo local serão concentrados em Taguatinga. Isso implicaria em desmobilizar as edificações localizadas na Praça do Buriti. Trata-se de mudança significativa no plano original da cidade que prevê ali, no alto do Eixo Monumental, o nível local de governo, em contraponto com o nível federal localizado na Praça dos Três Poderes. O argumento de levar o Centro Administrativo para uma área populosa e assim facilitar o acesso não é tão convincente. As vias para Taguatinga já estão congestionadas, mesmo em horários de contra fluxo de tráfego seria um acesso difícil para quem lá quisesse chegar. A centralização em qualquer lugar do DF implicará em grandes deslocamentos.

A questão da concentração

O Governo do Distrito Federal, quando foi estruturado, previa que às Secretarias de Estado caberia a elaboração de políticas, a normatização, o acompanhamento e a fiscalização da ação governamental. A implementação da ação do governo ficaria a cargo das unidades descentralizadas que o fariam em obediência as normas e diretrizes emanadas do governo central, a exemplo do que ocorre com os sistemas de saúde, educação e segurança. Os serviços são descentralizados para vários pontos que atendem a população. O fato da Secretaria estar aqui ou ali, não muda a política de atendimento.

O modelo adequado

O melhor modelo, de menor custo e menor comprometimento para o futuro de Brasília, seria completar o centro administrativo da Praça do Buriti, colocando ali os órgãos normativos de governo e dar à administração de cada Cidade Satélite as condições adequadas de atendimento às necessidades da população local, o mais próximo possível de suas moradias, reduzindo deslocamentos desnecessários e onerosos.