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A Cidade e sua Vivência
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Category: Arquitetura e Urbanismo

Touring Club e Rodoviária do Entorno

Há quem entenda que aquele prédio conhecido como Touring Club, localizado na parte da plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto seria a Casa de Chá prevista por Lucio Costa no seu Relatório do Plano Piloto. O Teatro Nacional seria a Casa de Ópera.

Com a derrocada do Touring aquele espaço foi usado por repartições públicas e recentemente pela Rodoviária do Entorno. Os espaços junto a Plataforma Superior em certo momento foi cedida a uma igreja. A forte reação pela preservação do patrimônio fez o Governo recuar e cancelar a cessão para cultos.

Conforme previsto no Relatório de Lucio Costa há uma praça em frente ao Setor de Diversões Sul e outra ao Norte. Estes locais se destinavam originalmente a convivência. Com a última reforma, que terminou recentemente, as praças foram tomadas por jardins restando apenas calçadas em torno dos canteiros inibindo a concentração de pessoas.

A novidade com a reforma foi a liberação de um acesso da praça para a plataforma de embarque da Rodoviária do Entorno. O passageiro pode descer até o nível inferior por escada ou rampa e evitar o conflito com os veículos que passam defronte o prédio.

A passagem não vem sendo usada. Ela é mal iluminada, paredes escuras, e não é direta. Junto a plataforma há uma parede que força a mudança de direção ficando sem visada direta. Pessoas permanecem ali e causam insegurança. Há muita sujeira. A retificação da passagem, com melhoria da iluminação e limpeza evitaria o risco de atropelamentos.

Inverno Começa Assustando

Foto: Ed Alves/CB/DA Press

Nesta segunda-feira, 26/06/2017, em conversa com meu irmão que mora em apartamento na Asa Sul, ele reclamava do frio e estava usando agasalho em casa. Posteriormente, outra pessoa também me disse sentir mais frio que o comum da época.

O inverno que começou no dia 21 de junho e vai até 22 de setembro promete. Nesta semana foi registrada a menor mínima do ano igual a 12,1°C. Para quinta-feira e sexta desta semana, a previsão é de que as mínimas cheguem a 11°C.

A mais baixa temperatura em Brasília com valor absoluto de 1,6 °C foi registrada em 18/07/1975. Tem-se a impressão que quando a cidade tinha uma taxa menor de ocupação, menos edifícios e outras obras de concreto e menor área pavimentada havia uma menor acumulação de calor o que permitiria menores temperaturas.

Há uma avaliação de que a ocorrência do fenômeno El Niño, com o aquecimento das águas do oceano não ocorra ou tenha pouca intensidade. Há previsão de chegada a Brasília de massas de ar frio procedentes do Sul do continente e que causariam quedas acentuadas das temperaturas. Em outras regiões ocorreriam geadas e neve.

O inverno em Brasília é ainda consubstanciado por fortes secas, caracterizadas não só pela ausência de chuvas, mas principalmente pela queda da humidade relativa do ar. É o tempo de ter o cuidado com a hidratação por ingestão de líquidos e por cuidados nas habitações e nos locais de trabalho.

SCN, SBN e Circulação de Pedestres

Diferentemente dos Setores Comercial e Bancário Sul onde há uma evidente preocupação com a circulação dos pedestres, não encontramos qualquer vestígio de tal cuidado nos Setores Comercial e Bancário Norte.

O SCS tem uma galeria que liga a Avenida W3 ao Eixo Rodoviário Sul, que percorre aquele setor como uma linha central, direção Leste-Oeste passando pelo centro dos blocos, vazando-os em pé-direito duplo e largura de aproximadamente 20 metros.

Ao final da galeria a Oeste há uma ligação sob o Eixo Rodoviário que dá acesso ao Setor Bancário Sul. Esta passagem ganhou a denominação de Galeria dos Estados por originalmente as lojas oferecerem artigos de vários estados. Ao longo dos blocos há calçadas, fazendo, na direção Norte-Sul, a ligação das vias S2 e S3.

O piso para veículos e pedestres do Setor Bancário Sul foi construído em uma mesma cota em que pese a topografia do terreno ser acidentada e muito abaixo da plataforma construída. O mesmo não ocorre nos setores congêneres no lado Norte. Não há calçadas que liguem livremente Leste a Oeste ou Norte ao Sul e vice-versa.

Foram construídas galerias de pedestre com o fito de ligar o SCN ao SBN sem contudo fazer a passagem sob o Eixo Rodoviário. Estas galerias foram ocupadas pelas Secretarias de Fazenda e Trabalho respectivamente. A implantação destes setores SCN e SBN se deu a partir dos anos 90, quando Brasília deixou de ter planejamento.

Faixas de Pedestres Precisam Melhorar

Eu saía do balão na L1 Norte, sentido Sul, de olho nos veículos que vinham do Oeste e, nem tinha avançado 50 metros, dei em cima de uma faixa onde alguém acenava pedindo passagem. Crepúsculo, lusco-fusco do início da noite. A faixa não tem iluminação voltada para a pista. Quase não vi o pedestre.

As faixas de pedestre, conquista e orgulho de moradores de Brasília estão completando 20 anos. Neste período não houve mudança em seu modus operandi ou nos equipamentos de que dispõem. Há avaliações sobre o comportamento dos pedestres e dos motoristas em relação às faixas, mas não encontrei avaliação das faixas em si.

Há faixas que contam com semáforos. Aciona-se um comando, aguarda-se um tempo e um semáforo garante a passagem. Mesmo nestes casos são poucos os semáforos para travessia de pedestres que contem com sinal sonoro para os cegos. Aliás há poucos semáforos na cidade com atendimento às pessoas com deficiência visual.

Em vias onde o número de faixas de rolamento é maior que 2 sempre há o perigo de que os motoristas nas faixas laterais não vejam os pedestres que adentram à faixa. Seria de todo interessante que houvesse sinal intermitente para alertar os motoristas nestes casos.

A iluminação é desejável não só na lateral da pista. Seria mais efetivo que toda a faixa fosse iluminada de modo a facilitar o contato visual do pedestre pelo motorista. Os ganhos da implantação das faixas podem e devem ser ampliados.

Dinheiro Torrado Árvores Destruídas

As Árvores, tenho observado no Plano Piloto, vêm sendo destruídas sistematicamente. Não tenho visitado as Cidades Satélites, mas creio que o mesmo ocorre lá. Algumas árvores têm todos os galhos cortados. Fica o tronco desnudo como se fora um espectro. Outras perdem os galhos abaixo de 5 metros do solo. Isso é possível porque a Novacap vem usando motosserras com cabos longos.

Em 2009, na Recomendação nº 09/2014, Procedimento Administrativo nº 08190.058913/12-71 o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) oficiou ao Administrador Regional do Cruzeiro que realizasse a poda e corte de árvores em vias públicas em estrita consonância com os termos do Decreto Distrital nº 14.783, de 17/06/1993, com ênfase na necessidade de obter parecer para corte emitido pela Novacap.

As árvores têm formas características tais como as esféricas, de fuste bem definido e copa arredondada, ovóide, cônica, em forma de arco, taças, tortuosa, cilíndrica ou coluniforme, com galhos pendentes e ainda em touceiras, como os bambus.

Ao cortar todos os galhos ao alcance das motosserras a Novacap queima dinheiro e destrói a flora de Brasília. Tal prática é desrecomendada por todos os manuais de manejo de árvores. Elas devem ser mantidas na forma natural. Isso aumenta custos. A população e o MPDFT têm se manifestado contra. Trata-se de contrassenso.

Triste Fim da Palmeira Imperial da 208 Norte

Os elementos que mais interferem na paisagem urbana são as redes aéreas. A principal delas é a de energia elétrica. São postes de concreto armado com altura acima de 4 metros e que podem ter mais dependendo dos veículos que trafegam nas vias que passam sob elas.

As redes de energia passaram a suportar também os cabos de telefonia e as redes de comunicação de dados e imagem. As redes aéreas interferem diretamente na paisagem impedindo a visão dos edifícios.

Em Brasília, inicialmente, todas as redes de distribuição eram subterrâneas. A iluminação pública ainda tem toda sua alimentação de energia por cabos subterrâneos. Com o passar dos anos e com erosão das contas da Companhia Energética de Brasília, esta passou a implantar redes aéreas.

Nos anos de 1986 e 87 foram plantadas Palmeiras Imperiais ao longo dos canteiros centrais dos eixos auxiliares Norte e Sul do Eixo Rodoviário, o Eixão. A CEB implantou uma rede exatamente sobre uma dessas palmeiras de 30 anos ao lado da SCLN 208.

Há dez dias atrás a CEB cortou, pela raiz, aquela palmeira de 30 anos que viveria outros 90. Sua rede é mais importante que as palmeiras, ipês, sibipirunas, sucupiras etc. removidas ou mutiladas. É hora de priorizar a preservação da flora.

Brasília e as Manifestações Populares

Lucio Costa, Relatório do Plano Piloto, define Brasília como “cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país.”

O referido Relatório do Plano Piloto, no parágrafo 9, define: “Ao longo dessa esplanada – o Mall dos Ingleses -, extenso gramado destinado a pedestres, a paradas e a desfiles, ficam dispostos os Ministérios e Autarquias.”

Entendo, à luz do citado documento, que as manifestações populares, tão caras à democracia, estão contidas naqueles “pedestres” e naquelas “paradas” descritas pelo urbanista Lucio Costa. Assim, a capital de um país democrático tem na manifestação de seu povo a mais legitima forma de expressão da sua vontade e dos seus anseios.

Em 11 de janeiro de 2015 o presidente da França, François Hollande, de braços com Ângela Merkel e muitos outros líderes mundiais, promoveu uma marcha pelo bulevar Voltaire com o propósito de manifestar o descontentamento com os atos de terrorismo.

A Esplanada tem sido palco de grandes manifestações. Cabe às forças de segurança garantirem que os atos públicos de cidadania, ocorram sem sobressalto. Se em dado momento algum grupo diferenciado provocar confronto ou dano ao patrimônio, que seja tratado à parte, para que as manifestações pacíficas tenham sua segurança garantida.

Moradias Precárias No Eixão Norte

Em 1933, durante a crise econômica que atingiu todo o mundo ocidental, o escritor George Orwell publicou em Londres, para toda a Europa, o Livro Down and Out in Paris and London. Este livro foi publicado posteriormente no Brasil com o título “Na Pior em Paris e Londres”.

Ele inicia sua narrativa pela passagem por Paris onde sobrevive lavando pratos em um restaurante com jornadas de 14 horas por dia. A Segunda parte mostra as estratégias de sobrevivência na Inglaterra, nos albergues e o valor dos míseros pertences e das roupas.

Há uma população significativa vivendo em barracas no início do Eixão Norte, tanto ao lado do Eixinho das 200, quanto do lado do Eixinho das 100. O local não permite acesso a água, instalações sanitárias, energia e mesmo o solo é inclinado, dificultando acomodação razoável.

O Brasil vive em situação inúmeras vezes melhor que aquela vivida pela Europa dos anos 30. O governo conta com Secretaria específica para atendimento de pessoas em situação de rua, conta com áreas que têm infraestrutura, como o Camping, dotado de instalações apropriadas e ainda uma Secretaria de Habitação.

A cada dia vemos nas redes a solicitação de donativos para atender populações em situação de precariedade na África, na Ásia. É chocante que tais famílias compostas de idosos e crianças tenham que viver tão precariamente na Capital Federal.

As Paineiras e o Começo da Floração

A partir da última semana de março começa a floração da cerejeira no Sul do Japão. Esta floração se estende até o início de maio nas regiões mais ao Norte. Os governos locais se encarregam de proceder previsões estabelecendo o dia esperado para a floração e a sua duração. Esse evento, denominado hanami, marca o início da primavera e a insurgência da florada estabelece feriado local.

A paineira não é uma árvore de frutos comestíveis, é frondosa, com copa em formato de globo, diferentemente da cerejeira, mas suas flores róseas, que ocupam todos os galhos substituindo parte ou todas as folhas lembram a cerejeira como se fora uma irmã maior, mais avantajada. Diferentemente do hanami, a festa da floração da cerejeira no Japão, não são todos os que aqui notam e apreciam a floração das paineiras.

A paineira ocorre naturalmente no Distrito Federal, em Goiás, Minas Rio, São Paulo, Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e é muito usada para paisagismo por ser adaptada à região e ser resistente, além de sua floração que impressiona.

A Paineira alcança entre 15 e 30 metros de altura. Seu tronco pode chegar a 1,2 metros de diâmetro e é aculeado, ou seja dotado de espinhos, que são maiores quando a árvore é jovem. É uma arvore decídua, isto é, perde as folhas na época da seca, uma forma de se preservar da falta de umidade. A paineira abre a temporada da floração das grandes árvores do cerrado. Depois dela virão, pela ordem, os ipês roxo, amarelo, branco e rosa.

Erosões por Águas Pluviais

Dois casos de erosões por águas pluviais foram mostrados pelos canais de TV na tarde dessa segunda-feira (1º de maio). O primeiro na QNC 14, Taguatinga Norte próximo à Escola Classe 39 e o segundo, numa chácara, nas cercanias da Ceilândia. Ambos no DF.

No primeiro caso, a tubulação foi perdendo apoio, em razão de possível vazamento, cujos tubos de concreto caíram no buraco que se fez sob eles. A cada secção de tubo que caia uma parte do barranco cedia e causava a cada e uma nova cessão. Perto da área erodida há uma residência cujo muro está há um metro da erosão. A família que ali reside tem procurado os órgãos de governo, segundo a reportagem, solicitando que providencias sejam tomadas antes que a erosão ponha em risco sua casa.

No outro caso, uma área de chácara, ocupação irregular, há vários barracos ocupados por famílias. Ali uma galeria de concreto fundida no local se rompeu também por perda de apoio causando erosão de grandes proporções. Dois barracos foram atingidos e demolidos, fazendo com que as famílias se mudassem e pondo em alerta as demais.

Os terrenos no Distrito Federal são muito susceptíveis a erosões, especialmente nas bordas dos platôs e nas encostas. Nos primeiros anos da implantação do Setor P de Ceilândia ocorreram muitas erosões, assim como nos finais de quadras no Gama. Essas situações impõem a necessidade da construção de dissipadores de energia que reduzam a velocidade das águas e evitem erosões.