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Category: Fauna e Flora

Dinheiro Torrado Árvores Destruídas

As Árvores, tenho observado no Plano Piloto, vêm sendo destruídas sistematicamente. Não tenho visitado as Cidades Satélites, mas creio que o mesmo ocorre lá. Algumas árvores têm todos os galhos cortados. Fica o tronco desnudo como se fora um espectro. Outras perdem os galhos abaixo de 5 metros do solo. Isso é possível porque a Novacap vem usando motosserras com cabos longos.

Em 2009, na Recomendação nº 09/2014, Procedimento Administrativo nº 08190.058913/12-71 o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) oficiou ao Administrador Regional do Cruzeiro que realizasse a poda e corte de árvores em vias públicas em estrita consonância com os termos do Decreto Distrital nº 14.783, de 17/06/1993, com ênfase na necessidade de obter parecer para corte emitido pela Novacap.

As árvores têm formas características tais como as esféricas, de fuste bem definido e copa arredondada, ovóide, cônica, em forma de arco, taças, tortuosa, cilíndrica ou coluniforme, com galhos pendentes e ainda em touceiras, como os bambus.

Ao cortar todos os galhos ao alcance das motosserras a Novacap queima dinheiro e destrói a flora de Brasília. Tal prática é desrecomendada por todos os manuais de manejo de árvores. Elas devem ser mantidas na forma natural. Isso aumenta custos. A população e o MPDFT têm se manifestado contra. Trata-se de contrassenso.

Triste Fim da Palmeira Imperial da 208 Norte

Os elementos que mais interferem na paisagem urbana são as redes aéreas. A principal delas é a de energia elétrica. São postes de concreto armado com altura acima de 4 metros e que podem ter mais dependendo dos veículos que trafegam nas vias que passam sob elas.

As redes de energia passaram a suportar também os cabos de telefonia e as redes de comunicação de dados e imagem. As redes aéreas interferem diretamente na paisagem impedindo a visão dos edifícios.

Em Brasília, inicialmente, todas as redes de distribuição eram subterrâneas. A iluminação pública ainda tem toda sua alimentação de energia por cabos subterrâneos. Com o passar dos anos e com erosão das contas da Companhia Energética de Brasília, esta passou a implantar redes aéreas.

Nos anos de 1986 e 87 foram plantadas Palmeiras Imperiais ao longo dos canteiros centrais dos eixos auxiliares Norte e Sul do Eixo Rodoviário, o Eixão. A CEB implantou uma rede exatamente sobre uma dessas palmeiras de 30 anos ao lado da SCLN 208.

Há dez dias atrás a CEB cortou, pela raiz, aquela palmeira de 30 anos que viveria outros 90. Sua rede é mais importante que as palmeiras, ipês, sibipirunas, sucupiras etc. removidas ou mutiladas. É hora de priorizar a preservação da flora.

As Paineiras e o Começo da Floração

A partir da última semana de março começa a floração da cerejeira no Sul do Japão. Esta floração se estende até o início de maio nas regiões mais ao Norte. Os governos locais se encarregam de proceder previsões estabelecendo o dia esperado para a floração e a sua duração. Esse evento, denominado hanami, marca o início da primavera e a insurgência da florada estabelece feriado local.

A paineira não é uma árvore de frutos comestíveis, é frondosa, com copa em formato de globo, diferentemente da cerejeira, mas suas flores róseas, que ocupam todos os galhos substituindo parte ou todas as folhas lembram a cerejeira como se fora uma irmã maior, mais avantajada. Diferentemente do hanami, a festa da floração da cerejeira no Japão, não são todos os que aqui notam e apreciam a floração das paineiras.

A paineira ocorre naturalmente no Distrito Federal, em Goiás, Minas Rio, São Paulo, Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e é muito usada para paisagismo por ser adaptada à região e ser resistente, além de sua floração que impressiona.

A Paineira alcança entre 15 e 30 metros de altura. Seu tronco pode chegar a 1,2 metros de diâmetro e é aculeado, ou seja dotado de espinhos, que são maiores quando a árvore é jovem. É uma arvore decídua, isto é, perde as folhas na época da seca, uma forma de se preservar da falta de umidade. A paineira abre a temporada da floração das grandes árvores do cerrado. Depois dela virão, pela ordem, os ipês roxo, amarelo, branco e rosa.

Desastres Abatem Árvores

Nesta segunda-feira, 6 de fevereiro, dois desastres se abateram sobre as árvores da W3 Sul e Norte. Em ambos os casos a perda de massa arbórea foi significativa. Uma equipe presumidamente da Novacap cortava os galhos das árvores do canteiro central e aqueles junto às lojas na W3 Sul. Uma chuva com ventania derrubou árvores e quebrou inúmeros galhos na W3 Norte, a ponto de interromper faixas de rolamento.

A poda, muito mais que um desbaste, retirou galhos até uma altura estimada em 8 metros. Mesmo galhas finas não foram poupadas. A poda começou no final da 507 Sul em direção ao centro. Na 507 o desastre já estava consumado. Mais de 60% da copa de cada uma das árvores foi retirada. Os troncos ficaram pelados e todos os resultados da poda à mostra indicavam o tamanho do estrago.

A copa das árvores não apenas nos oferece a sombra que ameniza o calor. Quanto maior a copa maior a absorção de energia solar, energia esta que é transformada em madeira. Daí porque a presença de árvores ameniza as temperaturas dos ambientes.

A poda das árvores é uma atividade necessária. Há situações em que ela se impõe. Um galho seco, sujeito a queda; um galho que se quebrou e está preso à árvore de alguma forma; um galho que se interpõe à passagem de pedestres; outro que se está na faixa de rolamento dos veículos e com eles se choca, em todos esses casos a poda desses galhos é recomendável. Em casos especiais, toda a árvore corre o risco de tombar e aí se faz necessária a sua remoção.

O que se tem feito a título de poda não obedece qualquer técnica de manutenção desse patrimônio arbóreo. Tudo indica que tais atos são praticados por pessoas sem qualquer qualificação.

Derrubar árvores no DF sem autorização competente é crime. Os antigos moradores devem se lembrar de um senhor em Planaltina que foi preso por retirar algumas cascas de uma árvore para fazer remédio para a esposa.

Ao tempo em que a Novacap patrocinava esse ataque contra as árvores da W3 Sul, na W3 Norte um temporal, caracterizado com alerta amarelo, que em uma hora registrou, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a precipitação de 37,8 mm, com fortes ventos que derrubaram várias galhas do Cambuís e algumas árvores inteiras do início da W3 Norte. A queda por ventanias é um acidente natural, o corte indiscriminado não.

Apropriação do Espaço Urbano

Acordei com a voz de Clementina de Jesus na memória, que cantava de forma ininterrupta, o samba de roda/capoeira: “Seu guarda Civil não quer a roupa no quarador”. Seu canto me seguiu dia todo. Esse samba de Roda (autor desconhecido) foi tombado como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN em 25 de novembro de 2005. Teria surgido na Bahia e se espalhado.

A referência ao guarda civil a controlar as atividades no meio urbano chamou-me a atenção para um caso ocorrido no início deste mês de dezembro. Um morador do Guará, na QI 1005 transformou um terreno baldio, um depósito de entulhos, em uma praça e por isto teria sido notificado pela Administração Regional. Esse morador, Luciano da Silva Torres, estudante de biologia, foi paulatinamente substituindo o lixo ali depositado por gramados, árvores frutíferas e até uma horta comunitária.

A paisagem foi mudando até o início deste mês quando Luciano foi notificado pela Administração Regional a remover tudo o que havia plantado sob pena de multa. O caso gerou comoção na quadra. A repercussão na imprensa foi grande, muitos veículos divulgaram o ocorrido não sem fazer julgamento de valor vez que a iniciativa de Luciano melhorara a habitabilidade local. Ele não solicitara licença, daí a notificação.

Diante da repercussão a Administração Regional expediu nota onde declara a notificação inválida por não conter assinatura. Informou ainda, que abriria investigação interna para identificar aquele que a teria emitido e comunicou que apoia a iniciativa e que técnicos da Administração Regional iriam visitar a praça para oferecer orientação.

Essa atividade de plantar árvores nos arredores das moradias ou até dos locais de trabalho é praticada entre os moradores do Distrito Federal. A maioria dos plantios vêm em benefício de todos, vez que os frutos em área pública são de todos. O Plantio de árvores e hortas trazem outros benefícios como a melhoria do clima ou a ampliação das oportunidades de consumo de vegetais produzidos sem agrotóxicos e quase sem custo.

Entretanto, e voltando ao início, há a necessidade de acompanhamento e controle de ações no meio urbano. Algumas árvores têm suas raízes superficiais e podem danificar edificações. Outras têm raízes profundas e podem romper galerias de águas pluviais ou redes de águas e esgotos. A administração pública poderia manualizar tais atividades e oferecer apoio técnico. População que melhora a cidade não a depreda.

Proteção Ambiental

O Distrito Federal tem mantido uma política de proteção ambiental que, ressalvadas as questões localizadas, vem garantindo a preservação de territórios, de espécies animais e vegetais, de cursos d’agua, de mananciais.

Há um grande número de unidades espalhadas pelo território e com variadas denominações tais como: área de proteção ambiental, área de relevante interesse ecológico, estações ecológicas, parques, reserva da biosfera do cerrado, reserva particular de patrimônio natural, reserva biológica e reserva ecológica.

Nem tudo é sucesso. Todas as unidades estão sujeitas a agressões ou tentativas. A própria APA do Gama, Cabeça do Veado tem uma invasão para fins de moradia que é tolerada há décadas. Tais ocupações tendem a aumentar com o tempo. Os ocupantes destas invasões cassam animais protegidos, devastam a flora e, em alguns casos, ensejaram o fim da área de preservação.

Ainda assim podemos dizer que temos áreas significativas preservadas. Nestas áreas são encontrados animais que só ocorrem em áreas segregadas do convívio humano e de grandes dimensões. O caso mais significativo é o da onça pintada registrada por armadilha fotográfica na Área de Proteção Ambiental de Águas Emendadas. Tanto ali como em Cabeça do Veado, no Parque Nacional de Brasília, ocorrem tamanduás, lobos guará, tatus canastra, veados campeiros, antas, capivaras etc.

Os pássaros, presentes naquelas áreas, ocorrem em outras menores e muitos deles se aclimataram nas áreas urbanas, especialmente naquelas com vegetação abundante. Os joões-de-barro, os sabiás catam alimento nos gramados passando junto aos pés dos transeuntes. Os pombos e os pardais buscam comida junto as mesas dos restaurantes. O sabiá laranjeira acorda os moradores nas madrugadas com seu canto longo e forte.

Quase nada é publicado a respeito dos peixes que aqui são encontrados. Cabe registro da polêmica criada a propósito do animal símbolo de Brasília. O indicado era o Pirá Brasília. Esse pequeno peixe que resiste a seca foi rejeitado como símbolo por ser hermafrodita. Foi escolhido o lobo guará

Plantas típicas, muitas delas frutíferas, são pouco divulgadas. As frutas não incluídas no circuito comercial como a cagaita, jatobá, mangaba, gabiroba, caju do cerrado etc. tendem a desaparecer. Sua sobrevivência pode estar na preservação destas áreas.

Fantasma da Falta de Água

Há uma certa estranheza nos habitantes do Distrito Federal com o anúncio de tarifa punitiva em relação ao consumo de água. Essa tarifa punitiva decorreria da incapacidade da Companhia de Águas em abastecer a população. Ela teria o propósito de forçar a economia no uso de água fornecida por aquela empresa.

A estranheza decorre da incerteza de que a simples taxação a maior seria a medida adequada e suficiente para inibir os possíveis desperdícios, reduzindo o consumo de modo a esperar que as chuvas que chegaram garantam o abastecimento. Para os consumidores de renda alta o aumento da tarifa dificilmente levaria a redução do uso de água vez que a conta resultante não representaria para eles algo significativo. Poderia reduzir entre as famílias de menor renda, mas estas já procuram economizar.

Pode-se dizer que a efetiva chegada das chuvas em novembro (há previsão de precipitações para todos os dias até o final do mês) afasta o colapso do sistema até o próximo estio e baixa dos reservatórios, prevista para a primavera de 2017.

Estima-se que o Sistema de Abastecimento de Corumbá IV venha a operar em maio de 2018. Ai sim, estaria afastada a falta de água por um bom período. Corumbá IV irá atender Gama e Santa Maria, no DF, além de Cidade Ocidental, Novo Gama e Valparaiso, em Goiás. O atendimento destas cidades por outro manancial dará folga ao sistema Descoberto que hoje as abastece.

Todavia, cabe a cautela de iniciar estudos para novas fontes de abastecimento, visto que a taxa de crescimento populacional no DF, em 2016 é de 2,14% e que em 2030, quando a população local chegará a quase 3,8 milhões de habitantes, sua taxa de crescimento ainda será de 1,4% ao ano. Naquele momento, em 2030, daqui a pouco mais de 13 anos, a capacidade de atendimento de Corumbá IV já terá se esgotado e o DF crescerá mais de 53 mil habitantes por ano.

Alguns mananciais deixaram de ser alternativa ao abastecimento. O Vicente Pires e o Riacho Fundo que outrora foram fontes, assim como outros, deixaram de ser, porque suas margens foram ocupadas e suas águas poluídas.

Novas fontes deverão ser buscadas e aquelas que ainda não sofreram com a ocupação predatória e desordenada devem ser preservadas. Os mananciais são recursos finitos enquanto que a demanda vem aumentando constantemente.

Cortaram o meu Flamboyant

“Cortaram o meu flamboyant. Nesta época do ano ele enchia minha janela de cores, de vermelho pontilhado de verde. Era imenso, tinha uns 12 metros de altura, mas a copa passava de 15 metros. Servia de abrigo para pássaros. Protegia a janela do sol direto, aquele que esquenta por demais no verão. Perguntei por que cortaram, disseram que foi a igreja que pediu”. Esse é o depoimento, em tom desolado, de uma moradora da SQN 410 após a derrubada da árvore, cuja copa chegava próximo à sua janela.

O flamboyant é uma árvore oriunda da República de Madagascar (África) onde ela estaria em extinção, segundo a literatura especializada. Trazida pelos europeus ela se adaptou bem na América tropical sendo cultivada em vários países. Seu nome científico é Delonix Regia e é considerada como uma das árvores mais belas do mundo.

Em 17 de junho de 1993 o Governo do Distrito Federal editou o Decreto nº 14.783 que dispõe sobre o tombamento de espécies arbóreo-arbustivas, e dá outras providências. Esse decreto institui o Patrimônio Ecológico que consiste na reunião de espécies tombadas imunes ao corte em áreas urbanas.

Foram consideradas tombadas como Patrimônio Ecológico do Distrito Federal a aroeira, o buriti, a cagaita, a copaíba, o embiruçu, a gomeira, os ipês, os jacarandás, o pau-doce, o pequi, as perobas, a sucupira-branca. Pessoalmente sinto ai a falta da paineira, tão característica desta região, do baru, do jenipapo, do jatobá, do ingazeiro e tantas árvores endêmicas na Região e presentes na flora do Distrito Federal.

Este mesmo Decreto procura corrigir aquelas ausências no seu artigo 2º que dispõe entre outra condições que: “ficam ainda imunes ao corte os espécimens arbóreo-arbustivo que apresentam as seguintes características: I – as espécies lenhosas nativas ou exóticas raras, porta-sementes; II – as espécies lenhosas de expressão histórica, excepcional beleza o raridade; III – ………..; IV – ……………”

Aquelas espécimens estariam, por força daquele Decreto imunes a qualquer tipo de corte. Mesmo as demais espécimens situadas nas áreas urbana só poderiam ser cortadas com autorização específica da Novacap na Região Administrativa I e Administrações Regionais, ouvida a Novacap nas demais. O que se tem visto, após a terceirização dos serviços de manutenção das áreas urbanas é a poda indiscriminada das espécimens tombadas e a poda e o corte das demais. Trata-se de afronta ao Decreto.

Patrimônio Paisagístico

Um menino aparentando 4 anos, acompanhado de perto pela mãe, brincava no parque infantil que vejo de minha janela. Já não era tão cedo e o sol forte o levou a escolher o aparelho localizado sob a única árvore que naquela hora sombreava parte do parque. A sombra das árvores, que retêm os raios solares e recebe a brisa, oferece temperaturas aprazíveis e sensação de conforto térmico.

As árvores e a vegetação em geral, ao transformar o calor do sol em biomassa reduzem o calor no ambiente. Por outro lado, as áreas sombreadas por árvores frondosas amortecem o impacto das chuvas e reduzem o impacto das gotas no solo, fazendo com que as chuvas escorram devagar evitando as enxurradas que provocam alagamentos, erosões e carreamento de materiais soltos no chão.

Reduzir o número de árvores ou a sua copa contribui para tornar o meio mais agressivo. As podas recomendadas se cingem aos galhos que ameaçam cair, secos, que impedem a circulação de pessoas, de veículos ou os que interferem na sinalização urbana.

Ultimamente temos visto, cada vez mais a manifestação de pessoas que se mostram preocupadas com a forma como o serviço de poda vem sendo feito. Podas radicais, com a erradicação total do espécime, retirada de toda a copa, ou mesmo retirada de galhos que em nada interferem com o ambiente. Muitas daquelas que sofrem o corte de toda a copa acabam por não resistir e morrem.

Hoje é quase impossível encontrar uma única árvore nas áreas públicas do Plano Piloto que não tenha sido vítima de poda radical, poda que altera o formato natural daquela espécie. Quase todas aquelas que ainda persistem apresentam copa alta. Mesmo as mangueiras que tendem a ter copa arredondada ou as jaqueiras que dão os frutos nos troncos e galhos maiores perderam parte significativa de seus galhos e folhas.

A perda do patrimônio paisagístico é visível para quem acompanha o manejo do patrimônio verde constituído das árvores e arbustos da cidade. Fotos de 20 anos passados mostram uma vegetação densa, variada, com cor, formato e altura típica.

Seria de todo interessante proceder um inventário do que resta, identificando a localização, a espécie e o porte, de modo a refazer projeto de paisagismo com ênfase nas frutíferas e ornamentais, nos grandes eixos e nas quadras. Junto com a recomposição estabelecer manual de manejo para evitar que se repita a situação atual.

As Chuvas e o Comportamento da Flora

Este ano teve, um regime de chuvas caprichoso. Em janeiro registrou apenas 100 mm. A média registrada entre 1961 e 1990 aponta para a precipitação correspondente a quase 300 mm para aquele mês. Em fevereiro o esperado era pouco menos de 300 mm e o que se viu foi 220 mm aproximados. A falta de chuvas comprometeu a produção agrícola, especialmente milho, na região com fortes perdas para os produtores.

O que faltou em janeiro e fevereiro sobrou em abril. Choveu próximo de 320 mm. O esperado, conforme a média do período acima, era de 190 mm. A chuva adicional de abril manteve os nossos gramados verdes por mais um tempo, até o final de maio.

Junho e julho chegaram secos, bem secos. Agosto indicava que iria no mesmo caminho até que no dia 12 o céu se cobriu de nuvens. Alguém especulou – será que chove? – parece que não, a umidade está muito baixa, 33%. Mas choveu e voltou a chover no final de semana.

O serviço de meteorologia explicou que a região foi alcançada por uma frente fria que passara pelo Sudeste, o que teria provocado mudança na circulação dos ventos nesta região. Os ventos causaram o aumento da umidade e a formação das nuvens. No sábado, 13 de agosto a umidade registrada à tarde era de 69%. Há previsão de possíveis chuvas nesta quarta, 24 de agosto.

A floração dos ipês é o que ameniza a secura da paisagem. O ipê roxo começa a trocar suas folhas pelos cachos de flores já nas primeiras semanas de julho, pouco depois da queda das últimas flores das paineiras. Assim aconteceu e esperava-se que no início de agosto os ipês amarelos, os preferidos de muitos, inundassem os canteiros. Eles teimaram, alguns deram algumas flores, mas a maioria não floresceu.

Com as chuvas temporãs, os ipês amarelos, tabebuia alba, deram o ar da graça e finalmente floresceram como esperado. Alguns ainda têm metade de sua copa tomada pelas folhas que vão sendo substituídas pelas flores.

O inusitado, é que o ipê branco, tabebuia róseo-alba, que aparece em setembro explodiu de flores logo depois destas chuvas. Muitos dos espécimes de ipê branco estão ainda pequenos. Há espécimes espalhados pela cidade, mas a pista que liga a Avenida L2, passando abaixo da Esplanada dos Ministérios, ao lado da Catedral tem uma leira que se estende por toda ela. Atrás do Ministério da Educação há um ipê branco com quase 20 metros de altura, que tem uma floração imponente.