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Category: Ecologia

Vida Urbana e Insetos

Estavam todos à janela do apartamento, atraídos pelos novos moradores. Em uma das bandeiras do toldo havia sido construída uma casa de marimbondos. Já estava grandinha e eles trabalhavam com afinco. Logo estaria grande e cheia de ocupantes.

Alguém disse: – Eles vão nos atacar. Outro retrucou: – Não, eles não atacam os moradores, só aos estranhos. São presságios etc. Enfim eles não eram bem-vindos.

Todas as semanas alguém liga, até mais de uma vez, oferecendo os serviços de dedetização. Já não se usa o DDT mas o nome perdura. Argumentam que estão aplicando em todo o prédio e que, caso não o aceitemos, os insetos virão todos para o apartamento. Em geral o procedimento está voltado apenas para baratas e formigas.

Essa região do Centro-Oeste é endêmica para percevejos. Nas casas de taipa ou pau-a-pique eles se alojam, ainda hoje, e provocam doença de Chagas. Nos apartamentos não se tem notícias. Tampouco as pulgas são populares nas habitações urbanas.

Com o início das esperadas chuvas a natureza mostra sua exuberância pelos insetos: besouros, mariposas, vespas, formigas, cigarras, piolhos etc. se multiplicam, invadem as residências e fazem a festa dos pássaros que deles se alimentam.

A casa dos marimbondos foi removida mecanicamente, mas eles se recusavam a abandonar o local. A proposta não era eliminá-los. Eles se foram após a lona ser borrifada com desodorante. Os insetos compõem a biodiversidade. Eles lá fora.

Primavera e as Chuvas em Brasília

Choveu no dia 22 de setembro, dia de início da Primavera. Essa chuva, conhecida pelos moradores do Planalto Central como a chuva das flores do caju do campo, leva alguns a crerem que a seca acabou. Que começou a estação das chuvas. Mas não é o que acontece. Estamos na segunda semana de outubro e a umidade está a 15%.

Para confirmar que a seca não acabou a cigarra não cantou ainda. Para que ela abandone seu casulo na raiz da árvore onde viveu até agora, a terra precisa estar molhada, bem molhada, macia e aí ela pode cavar, subindo até chegar à superfície.

Esta semana, com temperaturas altas, tanto as mínimas como as máximas, as nuvens altas, névoa, davam a entender que as chuvas cairiam a amenizar o clima e remover aquela sensação de cansaço, aquele calor que não causa suor, pois este evapora logo.

A previsão é que chova no próximo dia 15 deste mês assim como nos dias 16, 17 e 19. Chuva pouca mas deve amenizar a baixa umidade. As temperaturas estão altas, mais que o costumeiro. Neste mês registrou-se a mais alta temperatura máxima absoluta com 36,4 °C e uma das mais baixas mínimas absolutas com 1,6 °C.

Há um entendimento de que, no centro, o acúmulo de concreto das edificações, das calçadas e a pavimentação asfáltica, retêm o calor recebido do sol e o irradiam aumentando a temperatura local. Alguns moradores, que passam os finais de semana em chácaras, afirmam que lá é mais ameno. Aumentar a arborização pode amenizar o calor.

Privatização do Lixo

Há uma campanha sobre a coleta e destinação final dos resíduos sólidos produzidos por grandes geradores. As normas definem os grandes geradores, aqueles que produzem diariamente mais de 120 litros. Estes terão que buscar empresas credenciadas junto ao SLU e contratar os seus serviços de coleta e destinação final.

O assunto está disciplinado pela Lei 5.610 de 16 de fevereiro de 2016 que dispõe sobre a responsabilidade dos grandes geradores de resíduos sólidos e dá outras providências. Esta Lei foi disciplinada pelo Decreto 35.568, de 24 de agosto de 2016.

A inovação contida nestas normas está explicitada no art. 5º do referido Decreto que estabelece: a prestação dos serviços de coleta e de transporte de resíduos indiferenciados e orgânicos deve ser realizada pelos grandes geradores, mediante serviço próprio ou por meio de contratação de empresa previamente cadastrada no SLU.

Já existe no Distrito Federal empresa que oferece o serviço de disposição final do lixo em aterro sanitário. Tais aterros têm histórico de problemas nos locais onde foram utilizados. Sua disponibilização por empresa privada, sujeita a suspender os serviços por falência ou desinteresse, preocupa. Aterro sanitário exige 50 anos de manutenção.

A privatização dos serviços de coleta e disposição final de resíduos sólidos, por ter
implicações de longo prazo e potencial de danos irreversíveis ao meio ambiente, impõe
maiores discussões. A história está cheia de exemplos, devemos aprender com ela.

Lixão da Estrutural Ainda Um Problema

O Distrito Federal, que desde sua concepção se propunha a ser modelo de soluções urbanas para o país, passa a partir dos anos 90 a praticar a pior política de disposição final de resíduos sólidos, sua deposição a céu aberto, em área a montante do reservatório de Santa Maria, manancial de abastecimento de águas do Plano Piloto.

Quando de sua inauguração, Brasília dispunha de uma Usina de Tratamento importada da França, que seria um dos modelos mais avançados da época. Posteriormente foi construída uma nova usina em Ceilândia, para atender o aumento dos resíduos gerados.

Finalmente, com a edição da Lei Federal 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Distrito Federal fez aprovar a Lei 5.418/14 dispondo sobre a Política Distrital de Resíduos Sólidos.

Conforme o Plano Distrital de Saneamento Básico e de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos o Lixão da Estrutural deixaria de receber a maioria daqueles resíduos sendo ali depositado apenas aqueles inertes, incapazes que poluir as águas subterrâneas ou gerar efluentes poluidores da atmosfera, do solo.

Trata-se de um avanço no sentido de que os resíduos sólidos poluidores passariam a ser encaminhados para aterros sanitários controlados, em que pese vários dos resíduos, como os hospitalares, químicos e outros não terem solução em tais aterros. Resta o Lixão que não pode permanecer a céu aberto sem uma solução adequada.

Borboletário do ZOO de Brasília

Foto: Fabiane Costa Justen

São aproximadamente 200 m2 de uma estrutura em arcos, com cobertura transparente, muita luz, repleto de ambientes construídos para serem reconhecidos por várias espécies de borboletas ali expostas. Elas têm preferências por alimentos, em geral folhas, por lugares úmidos ou secos, mais ou menos iluminados.

Há uma pequena edificação ao lado onde ficam equipamentos, materiais de apoio etc. Entrada e saída têm cortinas que se fecham imediatamente após a passagem das pessoas
evitando que as borboletas saiam. Ficam ali, em média, 500 borboletas de 40 espécies.

Ao entrar somos alertados a nos mover devagar, de modo a não interferir nas suas atividades. Elas são inquietas, mas sempre pousam em alguma planta, numa área úmida,
ou em alguém, como aconteceu comigo e uma amiga. Uma Olho de Coruja pousou em mim, outra na mão da amiga. Ficamos parados, até que voassem. Todos fotografavam.

Há outras duas estruturas tão importantes quanto o viveiro de exposição. Uma é o horto onde são cultivadas as plantas de preferência das lagartas e das borboletas adultas. A outra, não menos importante, é como um berçário. Para lá são levados os ovos colhidos pela Senhora Maria Lúcia Alves. Ali o ovos eclodirão e nascerão as lagartas.

Maria Lúcia e Vinícius Mendes da Silva cuidam para que as lagartas tenham a alimentação adequada e, quando elas chegam a fase de crisálidas garantem que não haja excesso de umidade ou que sejam atacadas. José Arthur Nogueira, dos répteis possuem muitas fotos. A área de artrópodes está sob a supervisão de Alberto Gomes de Brito.

Dinheiro Torrado Árvores Destruídas

As Árvores, tenho observado no Plano Piloto, vêm sendo destruídas sistematicamente. Não tenho visitado as Cidades Satélites, mas creio que o mesmo ocorre lá. Algumas árvores têm todos os galhos cortados. Fica o tronco desnudo como se fora um espectro. Outras perdem os galhos abaixo de 5 metros do solo. Isso é possível porque a Novacap vem usando motosserras com cabos longos.

Em 2009, na Recomendação nº 09/2014, Procedimento Administrativo nº 08190.058913/12-71 o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) oficiou ao Administrador Regional do Cruzeiro que realizasse a poda e corte de árvores em vias públicas em estrita consonância com os termos do Decreto Distrital nº 14.783, de 17/06/1993, com ênfase na necessidade de obter parecer para corte emitido pela Novacap.

As árvores têm formas características tais como as esféricas, de fuste bem definido e copa arredondada, ovóide, cônica, em forma de arco, taças, tortuosa, cilíndrica ou coluniforme, com galhos pendentes e ainda em touceiras, como os bambus.

Ao cortar todos os galhos ao alcance das motosserras a Novacap queima dinheiro e destrói a flora de Brasília. Tal prática é desrecomendada por todos os manuais de manejo de árvores. Elas devem ser mantidas na forma natural. Isso aumenta custos. A população e o MPDFT têm se manifestado contra. Trata-se de contrassenso.

Triste Fim da Palmeira Imperial da 208 Norte

Os elementos que mais interferem na paisagem urbana são as redes aéreas. A principal delas é a de energia elétrica. São postes de concreto armado com altura acima de 4 metros e que podem ter mais dependendo dos veículos que trafegam nas vias que passam sob elas.

As redes de energia passaram a suportar também os cabos de telefonia e as redes de comunicação de dados e imagem. As redes aéreas interferem diretamente na paisagem impedindo a visão dos edifícios.

Em Brasília, inicialmente, todas as redes de distribuição eram subterrâneas. A iluminação pública ainda tem toda sua alimentação de energia por cabos subterrâneos. Com o passar dos anos e com erosão das contas da Companhia Energética de Brasília, esta passou a implantar redes aéreas.

Nos anos de 1986 e 87 foram plantadas Palmeiras Imperiais ao longo dos canteiros centrais dos eixos auxiliares Norte e Sul do Eixo Rodoviário, o Eixão. A CEB implantou uma rede exatamente sobre uma dessas palmeiras de 30 anos ao lado da SCLN 208.

Há dez dias atrás a CEB cortou, pela raiz, aquela palmeira de 30 anos que viveria outros 90. Sua rede é mais importante que as palmeiras, ipês, sibipirunas, sucupiras etc. removidas ou mutiladas. É hora de priorizar a preservação da flora.

As Paineiras e o Começo da Floração

A partir da última semana de março começa a floração da cerejeira no Sul do Japão. Esta floração se estende até o início de maio nas regiões mais ao Norte. Os governos locais se encarregam de proceder previsões estabelecendo o dia esperado para a floração e a sua duração. Esse evento, denominado hanami, marca o início da primavera e a insurgência da florada estabelece feriado local.

A paineira não é uma árvore de frutos comestíveis, é frondosa, com copa em formato de globo, diferentemente da cerejeira, mas suas flores róseas, que ocupam todos os galhos substituindo parte ou todas as folhas lembram a cerejeira como se fora uma irmã maior, mais avantajada. Diferentemente do hanami, a festa da floração da cerejeira no Japão, não são todos os que aqui notam e apreciam a floração das paineiras.

A paineira ocorre naturalmente no Distrito Federal, em Goiás, Minas Rio, São Paulo, Norte do Paraná, Mato Grosso do Sul e é muito usada para paisagismo por ser adaptada à região e ser resistente, além de sua floração que impressiona.

A Paineira alcança entre 15 e 30 metros de altura. Seu tronco pode chegar a 1,2 metros de diâmetro e é aculeado, ou seja dotado de espinhos, que são maiores quando a árvore é jovem. É uma arvore decídua, isto é, perde as folhas na época da seca, uma forma de se preservar da falta de umidade. A paineira abre a temporada da floração das grandes árvores do cerrado. Depois dela virão, pela ordem, os ipês roxo, amarelo, branco e rosa.

Erosões por Águas Pluviais

Dois casos de erosões por águas pluviais foram mostrados pelos canais de TV na tarde dessa segunda-feira (1º de maio). O primeiro na QNC 14, Taguatinga Norte próximo à Escola Classe 39 e o segundo, numa chácara, nas cercanias da Ceilândia. Ambos no DF.

No primeiro caso, a tubulação foi perdendo apoio, em razão de possível vazamento, cujos tubos de concreto caíram no buraco que se fez sob eles. A cada secção de tubo que caia uma parte do barranco cedia e causava a cada e uma nova cessão. Perto da área erodida há uma residência cujo muro está há um metro da erosão. A família que ali reside tem procurado os órgãos de governo, segundo a reportagem, solicitando que providencias sejam tomadas antes que a erosão ponha em risco sua casa.

No outro caso, uma área de chácara, ocupação irregular, há vários barracos ocupados por famílias. Ali uma galeria de concreto fundida no local se rompeu também por perda de apoio causando erosão de grandes proporções. Dois barracos foram atingidos e demolidos, fazendo com que as famílias se mudassem e pondo em alerta as demais.

Os terrenos no Distrito Federal são muito susceptíveis a erosões, especialmente nas bordas dos platôs e nas encostas. Nos primeiros anos da implantação do Setor P de Ceilândia ocorreram muitas erosões, assim como nos finais de quadras no Gama. Essas situações impõem a necessidade da construção de dissipadores de energia que reduzam a velocidade das águas e evitem erosões.

Ocupação Descontrolada

Neste final de semana, tentei visitar um amigo que mora na Colônia Agrícola Arniqueira (DF). Entrei, como já havia feito anteriormente, na rua que sai do Pistão Sul, ao lado de um posto de combustíveis que fica próximo à Universidade Católica.

Tudo estava diferente. Muitas novas edificações foram construídas entre a data de minha última visita e agora. Depois de muito tentar, pedi a uma amiga que fornecesse o localizador pelo WhatsApp. Mesmo tendo o auxílio do mapa não acertei o caminho.

São muitas vielas, todas ao longo dos divisores de águas entre os riachos que dão nome às Colônias Agrícolas. Estas vielas não se ligam entre si. Delas saem ruelas, muitas sem saída, que também não se comunicam. O sistema viário tem forma de espinha de peixe.

Não há atividade agrícola, tudo foi subdividido e ocupado por moradias. O solo é pobre, argiloso e encascalhado. A topografia é acidentada, mais de 30% de inclinação. Ali estão as colônias agrícolas de Vereda da Cruz, Arniqueira e Vereda Grande.

Elas ocupam uma área de 150 hectares situada entre as Avenidas: Águas Claras, a Oeste, Vereda da Cruz, ao Norte, Estrada Parque Vicente Pires a Leste e ao Sul a Estrada Parque Núcleo Bandeirante e a quadra 3 do Setor de Mansões Parque Way.

Originalmente era uma área de preservação, por ser imprópria à ocupação urbana ou rural. A falta de oferta de moradias, em conformidade com o crescimento populacional e ausência de fiscalização, ocasionou a sua ocupação desordenada e sem urbanização.