Skip to Content

category

Category: Cultura/Entretenimento

Economia Criativa e FAC – DF

Em julho de 2015 a Codeplan publicou resultados de pesquisa onde constava que 1,5 % da mão–de-obra formal no Distrito Federal estava envolvida com a economia criativa e nesta, predominantemente na produção cultural. Os pesquisadores enfatizaram o alto grau de formação das pessoas que atuam nesta economia.

Pessoas ligadas à cultura entendem que o número de envolvidos é bem maior, visto que a pesquisa buscou informações das pessoas com relações formais de trabalho. Foi destacado ainda que a remuneração média, naquele momento, era de R$ 3,92 mil.

Neste mês de julho a Secretaria de Cultura publicou Edital de Audiovisual do Fundo de Apoio à Cultura 2017, com a dotação orçamentário de R$ 22,765 milhões. Segundo a Secretaria este seria o maior fundo de fomento do país.

A Lei Complementar nº 267, de 15 de dezembro de 1999 dispôs sobre a criação do Programa de Apoio à Cultura – PAC com o propósito de proporcionar a todos os cidadãos os meios para o livre acesso às fontes de arte e cultura. O Inciso I do art. 2º desta Lei estabeleceu o FAC como um dos instrumentos de implementação do PAC.

O Distrito Federal dispõe ainda da Lei 5.021, de 22 de janeiro de 2013 que disciplina a concessão de incentivo fiscal para a realização de projetos culturais. Neste caso os projetos aprovados devem ser patrocinados por empresas dispostas a usarem, na realização de projeto cultural, parte dos tributos a recolher.

O Carnaval e a Relação de Vizinhança

Otto e Pina têm, respectivamente, 3 anos de idade. Ele e ela, assim como centenas de crianças maiores e menores que eles, não perdem o carnaval da Tesourinha da 210 Norte. Suspeito que são as pais que os levam motivados pela satisfação manifesta pelos pequenos foliões.

As muito pequenas vão nos ombros do pais ou das mães, todo cuidado é pouco. Mas a alegria de ver tanta gente movida pelo furdunço daquela mobilização totalmente anárquica, que tem o único propósito de compartilhar a satisfação coletiva, compensa.

As mães, especialmente, se esmeram nas fantasias dos pequenos foliões, pais se fantasiam de palhaços, bandas improvisadas, músicos pagos por vaquinha e venda de camisetas caracterizadas, tudo isso concorre para o clima de euforia da meninada.

Não é apenas na Tesourinha da 210 Norte que a petizada se esbalda. Contei 69 eventos realizados e a realizar na página Carnaval Infantil do Distrito Federal. Muitos no Plano Piloto, mas vários em Águas Claras, Taguatinga, Sobradinho, Guará etc. Organizações como a CCBB, os shoppings, clubes também promoveram bailes, mas a maioria resultaram de iniciativas locais e de blocos de carnaval.

Em outros momentos algumas prefeituras de quadras se insurgiram contra os bloquinhos das crianças. Alegavam barulho e desconforto, inclusive pela presença de estranhos, moradores de outros locais circulando nas quadras. Este ano não vi movimentos desse tipo e a presença do Batalhão de Trânsito estava presente naquelas concentrações que visitei.

A Lei 4.092, de 30 de janeiro de 2018, que dispõe sobre o controle da poluição sonora e os limites máximos de intensidade da emissão de sons e ruídos resultantes de atividades urbanas e rurais no Distrito Federal é muito rigorosa. Ela estabelece que em áreas externas de uso estritamente residencial, o limite sonoro é de 50 decibéis. Para se ter uma ideia, aquela motosserra usada pela Novacap emite 105 decibéis.

Minha percepção é de que esse carnaval dos blocos, organizados próximo das moradias dos participantes e mesmo aqueles promovidos pelos escolas de samba ou blocos tradicionais ocorrem com grande participação e sem qualquer tipo de entrevero ou escaramuça. Em ocasiões anteriores a maioria dos registros dos órgão de segurança ficaram restrito a direção sob efeito de álcool. A alegria prevaleceu.

Velho Pacotão

No final dos anos 70, reagindo ao Pacote de Abril editado por Geisel, em abril de 1977, momento de endurecimento da ditadura militar em razão da esmagadora vitória legislativa da oposição que elegera dois terços dos cargos de senadores disputados em 1974, o bloco Pacotão saiu às ruas no carnaval seguinte.

Seu Presidente eterno, Charles Preto, em homenagem ao então Diretor de Turismo do Governo do Distrito Federal, Carlos Black, que proibira o bloco, fez com que o Pacotão, insolente, desfilasse pela contramão, na avenida W3. Idosos, jovens, mulheres e crianças cantavam marchas irreverentes marcando sua insatisfação com o regime de exceção. Assim surgiu o Pacotão, bloco carnavalesco, liderado por jornalistas e composto por pessoas compromissadas com a democracia.

Neste último sábado, 28 de janeiro, no Conic, o Pacotão promoveu a seleção das marchinhas do Carnaval de 2017. Joca Pavaroti, na ausência de Charles Preto coordenava as ações escolhendo o júri, definindo a ordem de apresentação, estabelecendo o ritmo dos trabalhos. Paulão de Varadero, Não compareceu. Segundo as más línguas o dito-cujo ficou encarcerado (obra da concorrência) e só foi liberado no dia seguinte, de olhos vendados, no Beirute da Asa Sul. Mas ainda deu tempo de filar uma bóia (deliciosa feijoada) na casa do Joca, para comemorar o aniversário de Advair.

Ao final, foram escolhidas pelo Júri para o carnaval de 2017, as marchas “Banho Tcheco”, de Antônio Jorge Sales e outros, a mais votada e que trata da falta de água no DF, “Prisão Tá Cheia” do maestro Jorge Antunes em segundo lugar, versando sobre as denúncias que pesam sobre os políticos nacionais e em terceira classificação, “Juizeco” de autoria de Dr. Jadir que foca nas relações entre os poderes da República.

Alguns autores se empolgaram na crítica política e se afastaram do clima do carnaval que se empolga com marchinhas de fácil memorização, de letra curta e bem humorada.

A festa em si é maior que o concurso. É oportunidade de velhos participantes do Pacotão fazerem o aquecimento. Muita cerveja, muito chope, boa música de uma banda de profissionais, mas pouca dança. Alguns passos aqui, outros acolá.

O Pacotão não se renovou, é fato. Não angariou novos participantes. Aqueles que ousaram enfrentar a ditadura não envolveram os mais jovens na crítica à política, motivação primeira do Pacotão. Envolver ou não envolver para não desaparecer.

Lei do Silêncio e Carnaval

O carnaval este ano ocorre no dia 28 de fevereiro. Na verdade, dia 28 do próximo mês corresponde à terça-feira, mas as festas começam a partir da sexta-feira anterior, dia 24.

Há algum tempo as várias Escolas de Samba promoviam desfile no Eixão do Lazer e tinham um público significativo. As escolas se apresentavam nos moldes dos carnavais de Rio e São Paulo e, igual lá, havia avaliação para os diversos quesitos e premiação para as escolas com maiores notas. Algumas delas acumularam vários campeonatos.

A partir de 2015, em que pese a Lei 4.738 de dezembro de 2011 estabelecer a responsabilidade do GDF em pagar a infraestrutura, os serviços públicos de apoio e a divulgação necessários à realização do carnaval do DF, o governo local deixou de pagar aquelas despesas e o desfile das escolas de samba não vem acontecendo nos moldes tradicionais.

Os blocos de rua, além das festas em clubes, sempre tiveram uma grande capacidade de mobilização no DF. O Pacotão nasceu nos idos da ditadura militar para questionar o Pacote de Abril editado por Geisel em 13 de abril de 1977 e que, entre outros, determinou o fechamento do Congresso Nacional. Desde então aquele bloco, liderado por jornalistas, produz marchas irreverentes de caráter político.

Este ano duas mudanças acontecem. O Bloco da Tesourinha não desfilará alegando que é hora de esfriar a cabeça. Um novo bloco, Eduardo e Mônica terá músicas baseadas nas bandas Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Raimundos e outras bandas locais.

Entretanto, há um conflito latente decorrente da intolerância de algumas pessoas. Dias atrás um grupo de amigos reuniu-se na praça da quadra para fazer um ensaio, cada um com seu instrumento. Daí a pouco chegou uma camionete da AGEFIS procurando o responsável pelo furdunço, ameaçando multa e exigindo o fim do ensaio. Os músicos argumentaram que estavam em local público, em atividade lúdica, sem fins lucrativos. Um morador os denunciara e tiveram que mudar de local, depois de muita negociação.

O próprio Bloco da Tesourinha já foi vítima da intolerância. Essa atitude encontra apoio na Lei 4 092, de 30 de janeiro de 2008 que dispõe sobre poluição sonora e limites de sons e ruídos. Essa lei desconforta bares e músicos por ter limites considerados muito baixos e praticamente inviabilizar apresentações naqueles estabelecimentos.

Futebol Profissional no DF

O Distrito Federal tem muitos estádios. Tem um dos maiores do Brasil o Estádio Nacional Mané Garrincha. Ele 02 muitos jogos da Série A do Campeonato Nacional. Jogos que contam com grandes times da Série A, nenhum do DF.

A população torce para os grandes clubes do Rio de Janeiro, como Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense; para os clubes de São Paulo, como Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Ponte Preta, Grêmio e Internacional do Rio Grande do Sul, Cruzeiro e Atlético de Minas Gerais e tantos outros.

A vinda desses times a Brasília é garantia de estádio cheio. Jogam aqui como se jogassem em casa. Durante a reforma do Maracanã o Flamengo fez do Estádio Nacional Mané Garrincha a sua sede, com garantia de público igual ou maior que no Rio.

Considerando a população do Entorno, que trabalha no Distrito Federal e aqui se diverte temos uma população equivalente à décima terceira entre as dos estados brasileiros. Assim pode-se dizer que há uma população que permite garantir público para as partidas de futebol. Esse público se faz presente quando os times de fora aqui jogam.

Temos o Estádio Nacional no Plano Piloto, mas temos também estádios no Gama, em Taguatinga, na Ceilândia, em Sobradinho, no Guará, Núcleo Bandeirante, Planaltina no DF e no Entorno há estádios em várias daquelas cidades. Isso demonstra que não faltam arenas para o esporte preferido dos brasileiros.

Alguns times do DF já estiveram na Série B do Campeonato Nacional. Neste ano de 2017 não teremos nenhum nem na Série C. A participação do DF, em certames nacionais, estará restrita ao Luziânia e ao Ceilândia na Copa do Brasil que reúne os grandes clubes nacionais e os campeões e o vices dos estados.

Em dado momento Zico, a grande estrela do Flamengo e da Seleção Brasileira, já investido da roupagem de cartola, fundou um clube em Brasília o CFZ, uma promessa de que o futebol profissional iria tomar corpo. Mas isso não aconteceu.

Não creio que o esporte tampouco tenha deixado de crescer por falta de talentos, basta lembrar do Cacá assim como outros que saíram daqui para jogar em grandes clubes de todo o mundo. Parece que a estrutura dos clubes e de sua federação pode ser a causa da falta de identidade entre eles e os torcedores. Não há empatia entre clubes e torcedores.

Autódromo e a Cidade

O Autódromo de Brasília, assim como o Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade e o Heliporto ao lado da Torre de TV foram objeto de licitação sob o regime de concessão de uso nos anos 90. Nos três certames apenas um interessado concorreu a cada um dos espaços licitados.

À época houve denúncias de favorecimento aos empresários vencedores, denúncias estas não comprovadas. As denúncias partiram, segundo publicações, da indústria da construção civil que via no modelo de concessão um perigoso precedente.

Como é do conhecimento de todos, as três experiências de transferência de gestão daqueles espaços “deram com os burros n’agua”, como diz o dito popular. Depois de alguns anos, todos, sem exceção, os devolveram ao governo do Distrito Federal.

Próximo à devolução as empresas deixaram de fazer a manutenção dos espaços. Passados os primeiros meses com promessas de grandes eventos e realizações o que se viu foi o esvaziamento dos espaços, com redução das programações até, no caso do autódromo, a paralização total das atividades.

A privatizações se deram a partir do pressuposto de que o governo local deixaria de ter os custos de manutenção além de uma expectativa de recebimento de parte das receitas conforme noticiado na época.

Em verdade os empresários nada investiram. As primeiras promoções, especialmente no caso do autódromo, tinham caráter de novidade e de fato geraram público. Passado algum tempo todos aqueles espaços licitados foram perdendo público e acabaram abandonados pelos empresários.

Os argumentos usados agora pelo governo para licitar espaços como o autódromo se aproximam bastante daqueles defendidos pelo governo dos anos 95/98. Os empresários teriam maior flexibilidade para contratar serviços assim como para promover os eventos, diretamente ou alugando a terceiros.

O que se percebe é que os interesses dos empresários nem sempre coincidem com os da população. Aqueles buscam maximizar os lucros. Seus negócios tendem a privilegiar as relações de suas empresas com outros. Quando há choque de interesses eles optam pelo lucro. Temo que mais uma vez tenhamos que conviver com experiências que fracassaram no passado.13

Patrimônio Ameaçado

O Senhor Antônio, motorista de táxi, que chegou em Brasília em 1970, contou como o casal de portugueses, que ele conduziu em um tour pela cidade, ficou maravilhado. Seu relato denotava paixão pela arquitetura, pelo urbanismo, pela cidade. Ainda assim, ou até mesmo por isso, o Senhor Antônio, fez questão de comentar sobre o abandono da Rodoviária do Plano Piloto.

“A Rodoviária do Plano Piloto foi transformada em uma feira desordenada, com variados tipos de comércio”, diz. Ele explica que originalmente, havia ali restaurantes, lanchonetes, uma delegacia e serviços do governo. “Sua função original foi sobreposta de interesses em prejuízo dos passageiros”. Conclui. “É pena porque a Rodoviária é um dos poucos projetos de Lucio Costa em Brasília”, ressalta.

Anteriormente eu havia comentado de como a calçada e os jardins situados ao longo do prédio da Codeplan foram destruídos para dar lugar a uma cobertura improvisada que serve de abrigo para os veículos de uso dos diretores daquela empresa pública.

Esta semana verifiquei que o palácio do Buriti e do Planalto, no Plano Piloto, estão cercados por grades de meia altura que interferem nos prédios tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico. As cercas interrompem a circulação de pessoas e prejudicam a paisagem.

Os gramados em frente ao Palácio do Buriti foram implantados a partir da cota das calçadas e rampas formando um plano continuo permitindo que o prédio do palácio se mostre no alto do terreno com suas paredes de vidro sombreadas pela larga varanda. Além da cerca, plantaram em volta do Buriti arbustos de baixa altura atrás das cercas.

Em maio de 1989 um ônibus invadiu o Palácio do Planalto. O motorista estaria bêbado. Oscar Niemeyer projetou um espelho d’agua que permite o acesso das pessoas mas impede que veículos entrem no palácio. A visual do edifício foi preservada e o objetivo da segurança mantido. A atual colocação da cerca de aço a sua volta agride a paisagem, impede a circulação das pessoas.

Há um certo relaxamento na preservação de Brasília tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Assim como os palácios têm suas cercanias conspurcadas todos os tipos de agressões ao Plano Piloto são tolerados. Tem-se a impressão que a conquista do reconhecimento pela Unesco não é tido como valor pelos administradores da cidade.

Inovação que Altera a Rotina

Revendo o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, os livros de Isaac Asimov e de Júlio Verne; contrapondo-os às constantes inovações que estamos vivenciando a cada dia, podemos dizer que as antevisões do futuro daqueles autores eram bem modestas.

É verdade que nossos automóveis ainda usam os motores a explosão criados no final do século XIX, os trens e metrôs usam o mesmo princípio da ferrovia criada no século XVIII, correndo sobre trilhos de aço apoiados em dormentes ainda de madeira, os aviões ainda usam os mesmos princípios do 14-biz criado por Santos Dumont no início do século XX.

São as coisas que aparentam menores que têm provocado mudanças no cotidiano. Os avanços nas comunicações, novas tecnologias da informação tornaram obsoletos em curto prazo o telex, o fax, o telégrafo, as cartas e outras formas de comunicação.

A introdução dos aplicativos para o serviço de táxi parece definitiva, ainda que necessite de regulamentação. O conforto de chamar o táxi pelo aplicativo, receber as informações sobre o veículo, o condutor, a viagem e a comodidade de pagar com o cartão leva a população a preferir esse serviço. Também se consolida a forma de contratar hospedagem por aplicativo, diretamente entre o dono do imóvel e o hóspede.

A maior mudança pode estar acontecendo sem que se perceba. É possível prever que papel moeda e as próprias moedas deixem de ser usadas como meio de pagamento nos próximos 5 anos. Dias atrás uma senhora vendia palhetas do limpador de para-brisa. Ela as ofereceu e eu aleguei que só tinha cartão. Imediatamente ela trouxe uma máquina o que permitiu a venda.

Eu participava de curso sobre cartões oferecido pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e ouvimos o relato de alguém que havia estado em Tóquio recentemente e que afirmou que pagava as despesas com um aplicativo instalado em um relógio. Ao usar o metrô o aplicativo pagava a passagem sem sua intervenção.

Isso nos leva ao próximo passo. Provavelmente, nos próximos 5 anos até mesmo os cartões deixem de ser meio de pagamentos e eles passem a ser feitos por aplicativos instalados em equipamentos móveis. As pessoas já não vão às agências de bancos e não vão precisar de caixas eletrônicos. Tudo será dado por um click armazenado na nuvem.

Audiovisual, Valores e Cultura

Assisti com meus netos, Gabi e Otto, de seis e dois anos respectivamente, o filme em desenho animado, Dumbo, produzido pelo Studio Walt Disney. Indiferentes aos comentários sobre o filme, as crianças se divertiram com o desenho primoroso cujo enredo tem um elefantinho orelhudo como protagonista e um rato como seu parceiro.

Alguns aspectos me chamaram a atenção em conversa com o cineasta Iberê Carvalho que também compartilhava o momento. Iberê comentou o fato de os personagens daquele filme, feito para criança, fumarem e apresentarem comportamento que hoje seria considerado inadmissível. O fato principal desse comportamento se apresenta quando o elefantinho Dumbo ingere bebida alcoólica e descobre que pode voar.

Ao tomarem champanhe misturada com a água, ele e seu amigo rato são levados a uma viagem psicodélica e terminam por dormir no galho de uma árvore. Elefantes não sobem em árvores o que os leva a entender que chegaram ali voando. Sóbrio, o elefantinho é levado pelo rato a voar usando suas enormes orelhas.

Iberê explicou que o Núcleo Criativo da Pavirada Filmes avaliando as produções audiovisuais exibidas no país, em sua maioria produzidas na América do Norte têm como mote central a violência. Os personagens são vingadores ou mesmo policiais que se notabilizam pela violência o que leva à sua banalização e aceitação como normal.

A exigência legal de obrigação de aumento do conteúdo nacional nos canais de TV e nos cinemas deu ênfase à carência de projetos de longo prazo. O Programa Brasil de

Todas as Telas, lançado em julho de 2014 prevê a formação de Núcleos Criativos para o desenvolvimento de ideias e roteiros de filmes e séries.

O edital de 2014 selecionou 3 produtoras de Brasília. A Pávirada Filmes foi uma delas. Nos últimos 18 meses ela desenvolveu 3 projetos de longa-metragem para salas de cinema e 2 projetos de séries para TV. O Núcleo conta com 5 roteiristas profissionais, 3 diretores, 3 profissionais de produção, 2 pesquisadores, 1 designer, 1 consultora de negócios e 1 consultora jurídica.

O cinema e a TV têm o poder de influenciar o imaginário das pessoas, passar valores, criar mitos e modelos. Daí a importância de ter uma produção nacional. Maior ainda a responsabilidade de quem produz conteúdo para as crianças. A violência e o ódio devem ser evitados. Os temas e valores melhor seria que fossem os de nossa tradição e cultura.

Traços de Cultura e Ação Social

Estava em uma casa de chá na Asa Norte quando fui abordado por um homem, nem jovem nem velho, trajando roupas pouco cuidadas e que trazia embrulhadas em um saco plástico, exemplares da revista TRAÇOS. Ele vendia exemplares dessa publicação de Brasília, pois seria ajudado. Do preço de R$ 5,00 do exemplar, o valor de R$ 4,00 seria dele. O R$ 1,00 restante seria para comprar outro exemplar para continuar vendendo.

A revista TRAÇOS, que comprei, era a de número 5 cuja capa traz a foto de Camila Márdila, a atriz brasiliense que conquistou o Brasil por sua atuação no filme “A Que Horas Ela Volta”. Todo o conteúdo da revista é voltado para a cultura popular do Distrito Federal (DF). Neste caso entenda-se cultura popular aquela produzida pela população da periferia do DF, não necessariamente incluída no circuito comercial.

Ao repassar 80% do valor de venda da revista para o vendedor, pessoa em situação de rua, aqueles que conceberam o projeto da revista, pretendem gerar uma renda para esta população de modo a estimular sua saída da situação de rua. Em suas palavras, a rrevista TRAÇOS é uma publicação dedicada a promover as manifestações culturais do DF, além de ser um instrumento de reinserção social para as pessoas em situação de rua.

O Decreto Federal nº 7053/2009 que Institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua conceitua aquela população como “o grupo heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento de forma temporária ou permanente…”.

O Governo do Distrito Federal identificou 4 mil pessoas em situação de rua. É um número pequeno em relação a uma população de quase 3 milhões de habitantes, mas a sua presença nas ruas faz compadecer a todos que por essas pessoas passam.

O Decreto acima citado, em seu artigo 5º descreve os princípios da Política por ele instituída a saber: respeito à dignidade da pessoa humana; direito à convivência familiar e comunitária; valorização e respeito à vida e à cidadania; atendimento humanizado e universalizado; e respeito às condições sociais e diferenças de origem, raça, idade, nacionalidade, gênero, orientação sexual e religiosa, com atenção especial às pessoas