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A Cidade e sua Vivência
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Category: Comunidade e Educação

Descaso Também na Educação

A preocupação com a educação em Brasília surge ainda no Relatório do Plano Piloto de Lucio Costa. Ali a distribuição das escolas se dá em conformidade com a idade, a capacidade de a chegar a ela caminhando, o conforto e a segurança das crianças e sua distribuição espacial. O conceito de Superquadra, com dois mil e quinhentos habitantes e de Unidade de Vizinhança com dez mil habitantes possibilita a distribuição das escolas em correspondência com a distribuição etária da população.

Anísio Teixeira, que havia se notabilizado entre outras coisas pela criação da Escola Parque em Salvador, foi convidado pelo então Diretor do Departamento de Educação e Difusão Cultural da NOVACAP, o médico Ernesto Silva, para conceber o Plano de construções Escolares de Brasília. Esse plano deveria conter as diretrizes emanadas por Juscelino Kubitscheck de ser ao mesmo tempo modelo e exemplo para todo o país.

Artigo de Pereira, Eva Waisros da UnB e Rocha, Lúcia Maria da Franca da UFBA disponível no www.anped.org.br nos dá conta das propostas contidas no Plano de Construções Escolares concebido a partir da premissa de ensinar a “compreender e pensar e não somente fazer”, objetivando uma formação sólida e geral, aquisição de hábitos e atitudes desejáveis para o trabalho, a vida e a sociedade.

A estrutura do sistema proposto seria composta dos Centros de Educação Elementar compreendendo os Jardins de Infância, Escola Parque e Escola Classe, Centros de Educação Média composto de Escola Secundária Compreensiva e Parque de Educação Média e a Universidade de Brasília. O sistema foi concebido para funcionamento em tempo integral.

Brasília sofre hoje da mesma falta de escolas observada em outras partes do país. Já tivemos até escola de lata. A omissão no cumprimento do dever constitucional de universalizar o ensino é flagrante. Proliferam as escolas particulares, dada a falta de escola pública. O novo governo deve identificar onde estão as crianças e as escolas disponíveis de modo a oferecer a educação almejada.

Estatísticas e Planejamento no DF

O IBGE publicou recentemente resultados preliminares sobre a questão da habitação no país. Segundo o IBGE o número de habitações desocupada é maior que o número de famílias que moram em habitações precárias ou que coabitam com terceiros e esperam obter sua moradia própria. O Distrito Federal conta com aproximadamente 100 mil domicílios particulares não ocupados, vagos.

Esta informação causou impacto na opinião pública. Numericamente não se poderia falar em déficit habitacional, bastaria levar as famílias em situação precária a ocupar as moradias vazias. Isto não é possível. As moradias vagas, necessariamente, não adéquam às demandas em termos de espaço, localização ou renda.

Constrói em grande número em todo o DF. Em alguns locais há uma concentração maior em virtude da acessibilidade oferecida pelo Metrô, com em Águas Claras, Samambaia e Cinelândia. As alterações do PDOT permitiram adensar a ocupação no Gama, no Guará, no Setor de Oficinas Sul etc. O Setor Noroeste, voltado para a alta renda, também concentra um bom número de novas construções. Faltaria construir para a população de baixa renda, aquela que demanda o programa Minha Casa Minha Vida.

Para entender melhor o déficit habitacional fui à busca das series estatísticas mantidas pelo governo local, mas não as encontrei. O Anuário Estatístico do DF publicava series históricas que informavam os alvarás expedidos por tipos unidade e por domicílios. O Anuário de 2010 não trás aquelas informações, mais parece um guia turístico. Procurei me informar com servidores do DF que atuam nesta área e soube que não há mais a preocupação com tais informações.

A falta de informação impossibilita a atividade de planejamento que oriente os investimentos governamentais. Podemos estar próximos da saturação do mercado de habitações para as classes media e media alta. Difícil saber as demandas para as rendas baixas. O número de inscritos no cadastro não informa corretamente desta demanda, ao contrario é desmentido pelo IBGE. A política de oferta de habitações necessita de informações confiáveis.

Sinalização em Águas Claras

Brasília é conhecida por sua forma diferenciada de dar nomes aos logradouros. Em Águas Claras temos uma mescla maior de endereços. Ali misturam os conceitos de quadras, ruas, lotes, blocos. Também estão presentes as orientações geográficas de norte, sul, leste, oeste.

As Avenidas levam nomes de arvores, quase sempre observando as regiões de sua ocorrência. Assim a principal avenida do setor norte tem o nome “Avenida das Castanheiras”. No lado sul a principal é denominada “Avenida das Araucárias. Esse critério não é rígido, no lado sul há uma “Avenida Flamboyant”, arvore exótica originária de Madagascar.

As vias menores, de acesso aos lotes ou de ligação entre avenidas, são denominadas ruas. Mas isto também não é definitivo, há ligações com outras denominações. As ruas, quando numeradas, repetem os números no setor norte e no setor sul. Há uma rua sete no setor norte e outra no setor sul e assim por diante. As praças, em geral, recebem nomes de pássaros.

Há uma regulamentação do Denatran a respeito das sinalizações. São regulamentadas as formas circulares, quadradas, retangulares, também as cores, os tamanhos das placas e das letras. Essas dimensões resultam de estudos para identificar que tamanho as placas e as letras devem ter para permitir que alguém trafegando na velocidade da via, 40 Km/h, possa lê-las sem precisar parar. As cores resultam de convenção e são padronizadas para todo o país.

As placas colocadas nas vias de Águas Claras têm as letras muito menores que o padrão estabelecido pelo Denatran que é de 12 centímetros de altura. Em uma única placa foram postos os nomes de várias ruas, e isso ocorre na maioria delas. O texto fica diminuto e de difícil leitura. Só mesmo parando o carro para conseguir ler. Foi um grande ganho ter as placas. Agora será um ganho maior tê-las de acordo com as normas.

Só Drogas e Insegurança

– Me dá um trocado.

– Agora não o tenho, quem sabe na volta.

Assim fui abordado por um casal, ao descer as escadas em direção a Praça do Povo, que fica atrás do Conic. Estavam sentados sob uma árvore em um degrau da escada. O homem era branco, aparentando uns trinta anos. A mulher era morena, talvez um pouco mais jovem. Aparentavam estar sadios. Eram dez horas da manhã e eles pareciam não ter ocupação.

Trajavam roupas sujas e aparentavam não tomar banho há algum tempo.

Poucos segundos depois, assim que terminei de descer as escadas, ouvi um tumulto. O homem que anteriormente estava sentado nas escadas trocava socos com outro, que trajava roupa limpa. A mulher, aos gritos, tentava ajudar o companheiro. Apareceu outro homem, ele retirou uma faca de sua mochila e disse ao homem de roupa limpa:

– Não toca nele!

Ameaçando e dirigindo-se ao homem com o qual brigava, o sujeito de roupa limpa se afastou e saiu aos gritos:

-Eu vou te matar! Eu vou te matar!

Este é um cenário constante naquela área que está cheia de mendigos, meninos de rua e usuários de drogas. Quem passa pelo local fica exposto a abordagens e a ameaças.

Há algum tempo atrás, o prédio do Touring Club foi ocupado pelas policias civil e militar. Pretendia-se coibir a presença de usuários de drogas e população de rua naquelas imediações. Serviu para afastá-los. Saíram de lá e ficaram um tempo perto do antigo prédio da Telebrasília. Atualmente perambulam nas imediações do Conic, entre a Praça dos

Aposentados e um ponto de táxi, nas proximidades, não assumido pelos taxistas. Estão a duzentos metros do prédio do Touring. O prédio do Touring não foi entregue à cultura e os usuários de drogas continuam rondando o local. Não há políticas nem para os usuários de drogas, nem para a cultura, nem para a segurança pública.

Medidas preventivas podem evitar tragédias nos períodos chuvosos

O noticiário da semana, repetindo o que se viu desde o inicio das chuvas, nos mostra o desespero das famílias atingidas pelos desastres causados pelas águas. Famílias tiveram as casas alagadas, moradias foram soterradas, populações ilhadas pelo alagamento do campo e das cidades, pela obstrução ou desmoronamento de pontes e vias.

A edição de novas normas proibindo a construção nas encostas pode ser de pouca valia visto que a maioria das habitações de populações de baixa renda é edificada sem o controle do poder público, em áreas irregulares. Constroem onde não há quem reclame ou fiscalize, pois não têm recursos para adquirir terrenos regulares.

Os terrenos de encosta ou de declividade acentuada têm uma estabilidade precária. Há lei que proíbe edificar em terrenos com inclinação maior que trinta por cento. A remoção da cobertura vegetal, o aumento da carga sobre o terreno, a facilitação da infiltração ou concentração das águas em enxurradas são fatores que aumentam a instabilidade. Pode não desmoronar no momento da ocupação, ou pouco depois, mas é certo que a qualquer momento ocorrerá um desastre.

O alagamento de cidades e campos tem causas diversas e resultados iguais. As cidades são cada vez mais impermeabilizadas. A infiltração das águas é impedida e o escoamento acelerado. Ainda chove e os rios já inundam as casas localizadas às suas margens.

Os rios e riacho são assoreados pelo lixo, pela terra carreada pela enxurrada, por materiais de construção e outros. No campo, as áreas desmatadas, recebem as chuvas diretamente no solo. As águas escorrem carregando o solo em direção aos rios. Quanto mais descem mais força têm para produzir erosões levando o solo consigo para o leito dos rios. Nesta desabalada carreira não serão as matas ciliares que conterão as enxurradas.

Para não vermos repetir as tragédias, medidas preventivas devem ser tomadas. As cidades devem ter sua ocupação disciplinada de modo a não permitir a construção em áreas de risco. Novas áreas destinadas às atividades urbanas, especialmente moradia, devem ser oferecidas às populações. As águas das chuvas que caem sobre os telhados podem ser coletadas e armazenadas para utilização em limpeza e outros usos que não exigem água potável. Correrá menos água no momento das chuvas.

Os cursos d’água devem ser dragados nas proximidades das cidades e em outros pontos onde seu leito esteja estrangulado, evitando assim os alagamentos e a ameaça às moradias e ás propriedades das famílias. As áreas desmatadas nos campos devem receber terraços em curva de nível de modo a impedir o livre escoamento das águas.

Em 1983 ocorreu uma inundação das margens do Córrego Vicente Pires e do Riacho Fundo, na sua confluência. Inúmeras famílias ficaram desabrigadas com a enchente. As famílias foram assentadas na Candangolândia e os riachos foram dragados. Nunca mais ocorreu inundação no Núcleo Bandeirante.

Energia das Academias par o Meio Ambiente

Brasília é uma cidade de academias de ginástica. Muitas pessoas praticam exercícios. Em verdade seria difícil dizer se aqui o numero de praticantes é maior que em outras cidades, mas pode-se dizer que o percentual de praticante é significativo. Algumas pessoas o fazem por exigência de saúde, outras por vaidade e estética e muitas pelo prazer proporcionado durante e após a prática. Quase todos afirmam que dormem melhor quando fazem exercício.

Segundo estimativas de profissionais da área, 2 por cento da população pratica regularmente exercícios em academias de ginástica. Considerando que Brasília tem uma população de aproximadamente 2 milhões de habitantes, pode-se concluir que 40 mil pessoas praticam exercícios regularmente. Ainda segundo aqueles profissionais, a média de esforço despedido corresponde a 400 Kcalorias diárias.

Os exercícios são executados, em geral com o esforço em bicicletas, caminhadas em esteiras, levantamento de pesos e outros movimentos que implicam em esforço. Mais recentemente as maquinas e equipamentos vêm sendo aperfeiçoados e modo a se adaptarem aos usuários, mas ainda são maquinas reguladas por pesos, pesos feitos de ferro.

Pois bem, imaginemos que as maquinas das academias de ginástica tivessem geradores que pudessem ter sua carga calibrada de modo que aqueles que quisessem praticar com menor esforço a pudessem regulá-las a seu gosto ou força, mas que todas elas produzissem energia. Considerando que 40 mil pessoas praticam exercícios e que elas utilizam 400 kcal temos um total de 16 milhões de Kcal decorrentes dessa pratica.

Considerando ainda que uma caloria corresponda a 4,184 joules e que 1 joule/seg. é igual a 1 watt temos que essas pessoas praticando ginástica produziriam 66,944 milhões KWs ou 18,5955 megaWh diariamente. Isso representa 371,9111 megaWh mensalmente, se considerarmos 20 dias de treinamento por mês. Uma energia considerável levando-se em conta que a potencia instalada na geradora da Barragem do Paranoá é de 25 megaWh.

Uma residência modesta consome cerca de 100 kWh ao mês. Um apartamento de alto padrão, com todos os possíveis equipamentos eletroeletrônicos consome até 400 KWh ao mês. A média de consumo domiciliar obtida com os dados acima é de 250 KWh ao mês. A partir dos números de consumo residencial, o esforço despendido pelos atletas nas academias, daria para abastecer 1487 residências o que equivale a atender às demandas de energia elétrica de 5.950 pessoas, levando-se em conta que cada domicílio abriga quatro moradores.

Aproveitando esse potencial, teríamos a energia produzida pelas primeiras academias ecológicas do país (quiçá mundo), contribuindo para a redução do consumo e produzindo energia limpa, movida apenas pelo suor dos atletas.

Agradecimentos: Patrícia Soares Morales (mestre em Física) e Natacha Carvalho F. Santos (PHD em Química)

Táxi com Cara Nova

Os táxis de Brasília receberão duas faixas, uma verde e outra amarela. Elas circundarão o carro passando sobre a tampa do motor. Nas laterais ficarão ao longo das portas um pouco abaixo dos vidros e ao fundo acompanharão o porta-malas.

Isso permitirá a fácil identificação dos táxis e vem se somar as outras medidas quanto à cor. Os carros deverão ser branco, cinza ou prata. Predomina a cor prata.

Essa prática de definição de uma cor chamativa para os táxis é comum nas principais cidades de todo o mundo. Em algumas cidades os táxis usam modelos específicos de carros. Alguns contam com separação entre passageiros e motorista, oferecendo privacidade aos usuários e segurança aos condutores.

Nos últimos vinte anos vimos a frota envelhecer, carros com mais de dez anos circulando livremente. Veículos com duas portas, sem manutenção, sem espaço para bagagem eram utilizados até mesmo no aeroporto. Os profissionais deixaram de ser controlados pelo serviço de permissões. Os carros na sua maioria são dirigidos por locatários de placas. Em tese os permissionários, detentores das placas, teriam sido selecionados.

Os governos federal e local oferecem já há algum tempo vantagens fiscais para os permissionários. Eles podem comprar seus carros com isenção de IPI e de outros tributos o que reduz em até 30 por cento o preço de compra. Entretanto, como quem efetivamente circula são os profissionais que alugam as placas dos permissionários, estes deixam de se valer do beneficio. Esses taxistas alegam que além de não ter o beneficio da isenção fiscal ainda são penalizados com a pintura das faixas, pois ao pintar o carro ficam com o ônus de repintá-lo quando o veiculo por algum motivo deixar de circular.

A definição das cores dos veículos, o limite de idade dos que podem circular, a indumentária dos condutores são ganhos significativos para os usuários desse serviço público. Mas há que se regular a questão das permissões. O atual modelo com permissionários que as alugam não serve aos profissionais que efetivamente trabalham nem aos usuários. As permissões deveriam ser objeto de licitação de tempos em tempos com preferência para os profissionais que efetivamente trabalhem como taxista. Também deveria ser proibido o emplacamento de veiculo que não fosse de propriedade do permissionários. Isso evitaria que pessoas acumulassem placas para o seu aluguel.

É comum nas grandes cidades a existência e empresas e cooperativas de táxi. Menos entre nós. Os passageiros que chegam aos aeroportos em geral optam por táxis de cooperativas por ter o conforto de pagar a viagem antecipadamente e não correr o risco de ser ludibriado. As cooperativas dão ainda a segurança de estar o passageiro com um profissional que é conhecido e que presta contas a alguém.

Espaço de convivência para a UnB

A escuridão e a insegurança foram mote de campanha para o cargo de Reitor da UnB. As promessas tomavam por justificativa a existência, recente, dos cursos noturnos, coisa que não havia no passado. Foram lembrados os furtos nos estacionamentos, para os quais se prometia melhoria da iluminação.

Propunha-se a transferência dos custos da iluminação e de sua manutenção para a CEB, sob o argumento de que caberia a ela arcar com os custos decorrentes. Como se sabe, a taxa de iluminação pública é cobrada junto com o IPTU. Sendo a UnB parte do Governo Federal e dela não é cobrado qualquer tributo, não se sabe em que se apoiava a idéia de transferir aqueles custos de iluminação para outrem pagar.

A verdade é que a eleição do Reitor passou, a discussão sobre a iluminação não prosperou e a escuridão é atemorizante. Nos pontos de ônibus mal se vê aqueles que esperam por transporte e nos caminhos que ligam os prédios espalhados pelo Campus não há iluminação que permita ao transeunte se sentir seguro.

Por outro lado, o Campus contém inúmeras atividades de apoio que são toleradas e não assumidas por sua administração. A banca de jornais, a livraria improvisada, a lanchonete ao final da ala norte do Minhocão, bancos e diversas outras. São atividades necessárias, mas postas em conflito com a finalidade de cada edificação. Funcionam de forma precária e não atendem aos clientes como poderiam e deveriam.

Há um caminho quase obrigatório a quem estuda na UnB. Mesmo aqueles que estudam durante o dia vão à biblioteca em algum momento. Quase todos para lá se dirigem á noite para reforçar os estudos, pesquisar algo, fazer trabalho em grupo. Para tanto, enfrentam a escuridão e o isolamento da Biblioteca.

Para conter todos os serviços necessários ao apoio à atividade acadêmica e atividades culturais imagino uma Galeria que siga em direção á Biblioteca, que se inicie próximo à L-3, defronte ao posto de gasolina.

Nesta Galeria o transeunte poderia encontrar: lojas de reprografia, encadernação e edição de monografias, dissertações e teses. Um teatro para as apresentações dos tantos grupos que existem no campus. Um espaço para apresentação dos vídeos e filmes produzidos pela comunicação. Livrarias, várias. Restaurantes, pizzaria, café, lanchonete, bancos, cooperativa, e espaços para as associações de servidores e alunos e as Fundações de Apoio. Quanto renderia uma licitação para a lanchonete?

Imagino lojas pequenas de dois pavimentos com varanda ampla e contínua cobrindo todo o caminho, iluminação intensa e espaços generosos, com as edificações em pequenos blocos de modo a não se tornar uma barreira entre o Minhocão e parte norte do Campus. Um caminho com uma cobertura para abrigar todos os serviços. Isso daria um espaço de convivência ao Campus, um espaço para o fervilhar das idéias e proposições como deve ocorrer nas universidades.

Calma! Isto não é um novo mote de campanha nem eu sou candidato à Reitoria. É uma contribuição, de um ex-aluno, usuário da biblioteca, que enfrentou aqueles caminhos à noite.

“Vem pra vida vem viver”

A cada dia aumenta a consciência da necessidade de inclusão de uma parcela significativa da população: aqueles que são portadores de necessidades especiais. Os editais de concurso público, por exemplo, reservam-lhes uma parcela das vagas. As Universidades Federais também destinam parte das vagas nos cursos para garantir sua inclusão social. As empresas são obrigadas a contratar parte de seus trabalhadores entre aqueles que até um tempo atrás eram preteridos.

Há um esforço da sociedade para que essa parcela da população que soma aproximadamente dez por cento do total, tenha oportunidade de se realizar como pessoa e contribuir para o desenvolvimento do país como qualquer outro cidadão. Entretanto, ainda são identificadas algumas áreas que teimam em não se adaptarem para facilitar a vida destas pessoas. Um dos casos é o transporte público onde os veículos não são adaptados para permitir o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção.

O governo atual do DF divulgou que dez por cento da frota de ônibus seria adaptada para permitir o acesso dos portadores de necessidades especiais. Convenhamos que este percentual citado representa quase nada para o universo existente nesta qualificação. É difícil para as pessoas que se movem sem dificuldade chegar ao trabalho, à escola ou ao lazer utilizando o transporte público. O metrô e os ônibus rodam abarrotados e, em geral, esses últimos não têm regularidade. Imaginemos uma pessoa em cadeira de rodas tentando chegar ao trabalho e tendo que esperar que passe um ônibus com o mecanismo de acessibilidade. Essa pessoa dificilmente chegará a tempo no trabalho, na escola ou em alguma outra atividade.

A dificuldade se repete quando essa pessoa tenta circular pela cidade. São barreiras de toda ordem: falta de rampas, escadas construídas nas calçadas, excessos de mobiliário público. Placas, lixeiras, postes, avisos, etc, concorrem com o usuário das calçadas. Quando esse usuário adentra a uma loja, restaurante, escola, academia, casa de espetáculo ele se depara com a total inadequação para sua mobilidade naquele ambiente. Variações de pisos, escadas, espaços exíguos de circulação e anteparos de difícil superação. Os banheiros dependem sempre de escada.

Como se vê nem tudo é indiferença. Há pessoas que se importam e se mobilizam para apoiar e ajudar a superar essas limitações. É o caso da organização “VEM PRA VIDA VEM VIVER” de iniciativa de Ronald de Carvalho. Ela tem por objetivo proporcionar diversão e entretenimento ás pessoas com deficiência. A proposta é permitir seu acesso a bares, restaurantes, cinemas, boates, teatros e casas de shows. A proposta é simples como toda boa idéia. Os proprietários de estabelecimentos serão convidados a adequar seus espaços e atendimentos para facilitar o acesso, além de divulgar essa acessibilidade no site www.vempravidavemviver.com.br. O site será inaugurado no próximo 1º de outubro e pretende divulgar esses estabelecimentos entre as pessoas com necessidades especiais. Considero a iniciativa da maior importância para Brasília, um sinal de evolução nas relações entre seus moradores.

Agradeço a Lina e Natacha, duas empenhadas no assunto, pela informação.

O lixão e as condições de vida de nossos intocáveis

Fotos publicadas nos últimos dias mostraram homens, mulheres e até crianças trabalhando no lixão da Estrutural. As fotos causaram repugnância e desconforto pela insalubridade e pela degradante condição de trabalho daquelas pessoas. Tudo tão próximo do centro do poder.

Reações diversas foram captadas. Os moradores das cercanias viram naquela aglomeração uma oportunidade de fazer algum dinheiro com o comércio de alimentos para os catadores de material reciclável. Mas a população, em geral, sente-se impossibilitada de intervir neste processo e o vê como uma responsabilidade do poder público, a quem cabe manter as cidades saneadas, promovendo a coleta e a disposição final dos resíduos sólidos.

Muito pouco se tem feito a respeito da melhoria dos processos de coleta e disposição final. Ainda dependemos de caminhões que passam com certa regularidade, coletam os resíduos e os lançam em áreas distantes dos centros urbanos e de preferência de difícil acesso. Longe dos olhos das pessoas.

O lixo tomou importância econômica pelo alto índice de reciclagem alcançado pelo país. É penoso reconhecer que esses ganhos econômicos se fazem a custa de trabalho subumano a que são submetidas estas populações que à falta de outras oportunidades se vêm obrigadas a trabalhar em tais condições para obter o seu sustento.

Brasília já empreendeu algumas tentativas de tratar o lixo de forma a reduzir o seu manuseio. Os primeiros prédios eram dotados de dutos interligados a alçapões em cada apartamento. Estes alçapões permitiam o lançamento direto do lixo a partir do apartamento, o qual caia diretamente no compartimento a ele destinado no térreo.

O impacto dos sacos na lixeira do térreo e o lançamento de alimentos sem acondicionamento correto transformavam aqueles dutos em depósito de alimentos para insetos e roedores. Isso levou ao abandono daquele modo de construir e ao fechamento dos alçapões nos prédios antigos que os continham.

A primeira usina de tratamento construída ali na Avenida das Nações tinha uma rampa lançadora dos sólidos. Esta rampa deveria lançar mais longe os materiais de maior densidade, como o ferro e outros metais, um pouco menos longe o vidro e assim separaria os resíduos permitindo o seu uso em reciclagem. O processo não era tão eficiente e na próxima estação de tratamento construída na Cinelândia não havia nada parecido. Tudo é lançado em uma vala de concreto e depois içado por uma grua que leva os resíduos a esteiras onde se dá a separação dos materiais recicláveis. Há um intensivo contato com os resíduos e a usina tem reduzida capacidade de processamento.

Sobram então os lixões com a degradação das pessoas e do meio ambiente! Mas o que resta além da indignação da população com as condições de trabalho dessas pessoas?

Não custa repetir que a população de Brasília, quando quer e tem apoio do poder público pode fazer muito – vide o caso das faixas de pedestres. Neste caso pode-se praticamente retirar todos aqueles que trabalham no lixão e dar-lhes a possibilidade de trabalhar condignamente. O acondicionamento do lixo residencial, dos escritórios, do comércio e da indústria em recipientes separados: papéis, metais, plásticos, vidros, químicos e orgânicos permitiria que aqueles que trabalham no lixão o recolhessem sem necessidades de se lançarem nos containeres ou que os esperassem no lixão para os separar.

A coleta seletiva é uma promessa sempre adiada. Ela poderá redimir aqueles compatriotas e reduzir a agressão ao meio ambiente.