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A Cidade e sua Vivência
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Category: Comunidade e Educação

O trânsito e o computador

Um amigo propôs que as nossas reuniões de trabalho fossem feitas via computador, utilizando os recursos de teleconferência da WEB. Ele argumentou que com o trânsito dificultado perde-se muito tempo no deslocamento de um lugar para outro e a jornada de trabalho fica reduzida e a produtividade conseqüentemente prejudicada.

O Governo Federal Digitalizado

O Governo Federal já introduziu há algum tempo a prática de digitalizar os processos em todos os seus passos, admitindo a inclusão de documentos produzidos via scanner e autenticados pelo servidor a partir de sua assinatura digital. As análises, que antes eram feitas pelo manuseio daqueles calhamaços empoeirados de papel, agora são realizadas pela avaliação dos documentos enviados pela internet, economizando tempo e recursos de todas as partes.

O Judiciário e a Lei 11.419

O poder judiciário a partir de 2006, com o advento da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a informatização do processo judicial, passou a utilizar o meio digital. Isso economiza tempo de tramitação e de movimentação de documentos. Permite o acesso remoto aos documentos e despachos nos processos, evita deslocamentos e visitas ao fórum. Enfim, economiza tempo e recursos dos envolvidos nas questões em apreciação pelo judiciário.

Ainda que assim seja hoje, as pessoas continuam indo e vindo aos locais de trabalho com despesas de deslocamento, congestionamento das vias e desgaste emocional, além do dispêndio de tempo que poderia ser utilizado para atividades mais prazerosas ou mais produtivas. É verdade que algumas atividades não foram ainda automatizadas ou são mais bem desempenhadas por pessoas e estas somente poderão desenvolvê-las em locais determinados.

Transito Desafogado

O trânsito seria desafogado se os servidores públicos responsáveis pela avaliação de processos e pela elaboração de relatórios pudessem desempenhar suas atividades fora dos prédios públicos. É bem verdade que a interação e a troca de experiências entre aqueles servidores são fundamentais para a formação de entendimento sobre os diversos assuntos tratados, daí porque a metade dos servidores poderia se deslocar em um expediente para a sede da repartição e o outro expediente seria preenchido pela outra metade. No tempo restante eles receberiam tarefas especificas a serem desenvolvidas fora das repartições. Os servidores poderiam trabalhar em suas residências ou em parques ou em qualquer lugar onde seus computadores portáteis fossem conectados à rede governamental.

A cidade ficaria mais agradável, os custos de deslocamentos seriam menores, a poluição seria reduzida. Uma forma mais econômica, em melhor consonância com o meio ambiente e coetânea com o desenvolvimento digital.

Fim dos Congestionamentos sem Gastar um Tostão

O congestionamento é hoje um componente dramático na vida do brasiliense. Em qualquer percurso, dentro do próprio Plano Piloto ou para as Cidades Satélites, o deslocamento, nos horários de ida e vinda ao trabalho ou à escola, apresenta trânsito engarrafado. Não são somente as vias que estão entupidas de veículos, os estacionamentos também se esgotaram há muito. Não há lugar para deixar o carro.

Brasil – Grande Cidade Problema de Transito

Os congestionamentos ocorrem em todas as grandes cidades brasileiras. A opção pela não oferta de transporte de massa transforma o deslocamento em problema. A solução tem sido a construção de viadutos, o alargamento das vias e, quando nada mais funciona, faz-se a restrição ao acesso de veículos, como ocorre com o revezamento em São Paulo.

Brasília Integrada

A esperança da Secretaria de Transportes está fundada no projeto Brasília Integrada. Esse projeto está baseado em duas vertentes: a oferta de transportes coletivos, novos trens para o metrô e Veiculo Leve sobre Pneus – VLP, para as populações menos afortunadas e que dependem do transporte público para se locomoverem. Para a classe média o projeto prevê a melhoria do sistema viário com o alargamento das vias, segregação dos ônibus em pistas exclusivas, construção de viadutos. O licenciamento de milhares de veículos novos a cada ano impõe um jogo com final previsível, em pouco tempo essas medidas paliativas estarão saturadas.

Acabar com o Congestionamento sem Gastar um Centavo

A solução imediata está na instituição do transporte corporativo. Cada empresa ou organização com mais de cem servidores deveriam usar o dinheiro do Vale Transporte para contratar serviço de transporte coletivo, porta a porta, com garantia de assento para cada passageiro. Isto desestimularia as pessoas a usarem o transporte individual, reduziria o número de veículos nas vias e desafogaria os estacionamentos públicos. O transporte individual seria usado para lazer ou atendimento de necessidades privadas.

Os Governos como Exemplo

Os governos, local e nacional, legislativo, executivo e judiciário contam com mais de 300 mil servidores. Os órgãos governamentais poderiam dar o exemplo, mas já há empresas que assim o fazem. Antigamente era assim que os servidores públicos iam ao trabalho, até que alguém em 1990 achou que era luxo. Hoje seria uma solução. Um ônibus transportando quarenta pessoas retiraria outros trinta e nove veículos das vias.
Poderia ser Melhor

Aprendemos a admirar o transporte escolar praticado nos estados Unidos Americanos. Os amarelinhos buscam as crianças em casa e as deixam na porta das escolas. Esta é uma medida complementar para melhorar sensivelmente a questão do trânsito nas cidades do Distrito Federal.

Transferência ou descentralização do GDF?

A assinatura do contrato para a construção de um novo centro administrativo do Distrito Federal em Taguatinga foi anunciada como fonte de polêmica junto à opinião pública e até mesmo cautela por parte do governo. A obra seria construída por contratação no regime de Parceria Público Privada – PPP, portanto, pela iniciativa privada, com recursos de financiamento governamental e administrada por um consórcio de empresas por vinte anos.

As PPPs

As Parcerias Públicas Privadas – PPP teriam por objetivo antecipar a execução de obras que não caberiam no orçamento governamental e propiciar a prestação dos serviços à população em curto prazo, garantindo às empresas o retorno do investimento em longo prazo. Na prática essas parcerias têm ocorrido sempre com financiamento de algum banco oficial e com aval do governo local, ou seja, a divida não é contabilizada como do governo, mas ele é o responsável por seu pagamento. A iniciativa privada entra com os recursos do governo, fica dona do bem construído e ainda com os lucros.

A conveniência de transferir para Taguatinga

A transferência da sede do governo para Taguatinga pressupõe que todos os serviços do governo local serão concentrados em Taguatinga. Isso implicaria em desmobilizar as edificações localizadas na Praça do Buriti. Trata-se de mudança significativa no plano original da cidade que prevê ali, no alto do Eixo Monumental, o nível local de governo, em contraponto com o nível federal localizado na Praça dos Três Poderes. O argumento de levar o Centro Administrativo para uma área populosa e assim facilitar o acesso não é tão convincente. As vias para Taguatinga já estão congestionadas, mesmo em horários de contra fluxo de tráfego seria um acesso difícil para quem lá quisesse chegar. A centralização em qualquer lugar do DF implicará em grandes deslocamentos.

A questão da concentração

O Governo do Distrito Federal, quando foi estruturado, previa que às Secretarias de Estado caberia a elaboração de políticas, a normatização, o acompanhamento e a fiscalização da ação governamental. A implementação da ação do governo ficaria a cargo das unidades descentralizadas que o fariam em obediência as normas e diretrizes emanadas do governo central, a exemplo do que ocorre com os sistemas de saúde, educação e segurança. Os serviços são descentralizados para vários pontos que atendem a população. O fato da Secretaria estar aqui ou ali, não muda a política de atendimento.

O modelo adequado

O melhor modelo, de menor custo e menor comprometimento para o futuro de Brasília, seria completar o centro administrativo da Praça do Buriti, colocando ali os órgãos normativos de governo e dar à administração de cada Cidade Satélite as condições adequadas de atendimento às necessidades da população local, o mais próximo possível de suas moradias, reduzindo deslocamentos desnecessários e onerosos.

Minha Casa Minha Vida

Juscelino Kubitscheck construiu Brasília com o propósito de interiorizar a população brasileira. E funcionou. Naquele imenso deserto no Planalto Central, emergiu não só a Capital Federal e seu Entorno, mas também um sem número de cidades que foram criadas ou se desenvolveram a partir da atração que Brasília exerceu nestes últimos cinqüenta anos.

Quem casa quer casa.

Os que vieram para Brasília, em especial os trabalhadores braçais, pequenos comerciantes e outros prestadores de serviços, enfrentaram e ainda enfrentam a questão da habitação. A oferta aquém da demanda explica os altos aluguéis e os elevados preços dos imóveis e dificulta a aquisição da casa própria, um bem de primeira necessidade.

Não é só aqui.

O Governo Federal nos informa que o déficit de habitação excede a 7 milhões de unidades em todo o país. A oferta de 1 milhão de unidades pelo Programa – Minha Casa Minha Vida – chega a ser modesto diante da realidade, mas é gigantesco diante dos recursos demandados. E não é só o custo das casas. Em muitas localidades as áreas disponíveis não dispõem de infra-estrutura, o que demandará mais recursos. Tarefa para mais de um governo, responsabilidade de toda a sociedade.

Mais vale uma esperança tardia que um desengano cedo.

Muito não serão atendidos mesmo se o programa for um sucesso. Ainda que todas as unidades do programa sejam construídas, menos de 15% das famílias receberão suas casas. O programa está voltado para as regiões metropolitanas e para cidades de mais de 100 mil habitantes preferencialmente. Em condições especiais poderá atender cidades com mais de 50 mil habitantes.

Fluxo migratório.

Sempre que há uma oferta de moradia uma parcela da sociedade argumenta que a sua distribuição aumenta a migração para Brasília. Estudos mostram que a afirmação é parcialmente correta. Muitos para cá vieram em busca de moradia. Por outro lado, estudos também mostram que o programa Bolsa Família contribuiu para fixação de famílias no interior. A oferta de moradia, saneamento, educação e trabalho em pequenas comunidades reduziria o processo de concentração das populações nas grandes metrópoles. Os que aqui vêm o fazem em busca de oportunidades, de educação para os filhos e de melhores condições de vida. Caso houvesse esses benefícios em sua cidade natal, eles iriam preferir viver numa pequena cidade onde o crime não tem a mesma intensidade, o transporte não é tão necessário e o custo de vida é menor. Urbanizar o interior é o remédio para conter o fluxo migratório.

O Pedinte: Uma questão de gestão do uso da cidade

– Me dá um bolo.

Eles chegaram buscando o olhar de algum freqüentador. Alguém que se dispusesse a notá-los. O pai, de presumidos vinte anos e o filho de uns dois anos, trazido pela mão. Vestiam camiseta e calção encardidos e de cor indefinida. Apresentavam-se também encardidos. Magros, bem magros, de cara chupada.

– Pode pedir no balcão.

O pai achega-se ao balcão, vê todos aqueles bolos de variados sabores, olha para o filho e escolhe um com cobertura de chocolate branco. O menino exclama:

– Bolo pai!

Começa o corre-corre dos atendentes, uns para um lado, outros para outro, atarefados. Afinal, aqueles dois cheiram mal. Passam-se vários minutos. Ninguém os atende. Uma cliente se levanta e insiste no pedido. Outro chama uma atendente, que normalmente é solícita e pede que os atenda. Ela se esquiva alegando que está muito ocupada. Novamente aquela cliente insiste, já existe um clima de mal-estar pela cobrança do atendimento. Finalmente eles são atendidos. O bolo é acondicionado em uma embalagem sugerindo que não podem comê-lo ali. O pai recebe, agradece a que se dispôs a pagar, e sai. O mal-estar permanece. A presença de seres de outro mundo quebrou o encanto da confeitaria.

Os restaurantes, as lanchonetes e estabelecimentos congêneres têm por política coibir a presença de pedintes junto às mesas. As pessoas se sentem incomodadas ao serem abordadas por mendigos ou mesmo por vendedores.

Temos ouvido que não se deve dar esmola. O Governo em vários momentos insistiu e continua a fazê-lo. Mas como negar comida a quem tem fome? Por outro lado não se percebe soluções a partir do Estado para atender aqueles que estão em situação de extrema penúria.

Políticas são divulgadas, campanhas são difundidas, mas as vias continuam cheias de necessitados.

É verdade que observando alguns deles, especialmente junto aos semáforos, identificamos alguns que estão sempre ali. São profissionais da mendicância. Outros se colocam próximos de farmácias com alguma chaga à mostra ou uma receita médica nas mãos. Voltando ao mesmo local lá os encontramos. Há também aqueles que dizem faltar tantos reais para completar a passagem para voltar a sua casa. \alguns se fazem acompanhar da família para emprestar credibilidade ao pleito. Alguns são alienados ou drogados e moram nas ruas.

A falta de políticas públicas abre espaços para outros tipos de situações embaraçosas. São aquelas em que os pedidores se apresentam como representantes de organizações filantrópicas. Ligam para a casa das pessoas e dizem que têm casos de pessoas abandonadas, operadas ou crianças sem família que precisam de um cobertor, de uma prótese ou de uma cesta básica. Em muitos casos trata-se mesmo de espertalhões tirando proveito da caridade e da boa-fé das pessoas.

São muitos os pedintes. Parte problema social, parte formada por espertalhões. Os dois casos merecem a atenção do governo, seja para amparar, seja para reprimir. Não há solução isolada para tal. Não é caso de ação isolada, é uma questão de gestão do uso da cidade. É caso de políticas públicas claras e conseqüentes. Ai então não precisaríamos dar uma esmola ou um pedaço de bolo para uma criança faminta.

Canteiros de Obras: Todo Cuidado é Pouco

O engenheiro chegou à obra e o mestre deu a noticia: “caiu um peão lá do 16º andar e morreu”. O engenheiro perguntou: “onde ele caiu?” O mestre respondeu: “caiu sobre o monte de tijolos”. O engenheiro lamentou: “Poxa, com tanto lugar ele foi cair logo sobre os tijolos que acabaram de chegar!” É conhecida essa história ocorrida na construção do anexo do Congresso Nacional citada à época como o “28” pelo número de pavimentos. O processo da obra era novo, estrutura toda em aço, orgulho da siderúrgica nacional. Os trabalhadores e os engenheiros eram pouco acostumados ao processo construtivo e vez por outra ocorria um acidente.

As técnicas de construção mudaram, mas os canteiros continuam a preocupar. Principalmente agora que se busca a retomada da construção civil. A mídia ocasionalmente veicula noticia em que um operário foi soterrado ou morreu em acidente na construção por queda, por esmagamento, eletrocutado ou pelos inúmeros perigos que a obra impõe.

Os problemas com as construções não se restringem ao seu perímetro. A obra pode lançar poeira, pedaços de materiais diversos, líqüidos e outros nas suas circunvizinhanças pondo em risco as pessoas e o patrimônio, mesmo para aqueles não envolvidos na construção. São as terras das escavações deixadas ao longo das vias por caminhões que as transportam sem acondicionamento correto. Daí a poeira e a lama nas vias. São os caminhões que param nas faixas de rolamento, dificultando o tráfego de pessoas e veículos. As águas servidas lançadas na via, ou o depósito de materiais nas vias etc.

O Código de Edificações do Distrito Federal é pouco detalhado a respeito do canteiro de obras. Ele nivela todas as obras com o mesmo grau de exigência. Seja uma pequena edificação ou um grande edifício as disposições são as mesmas e sempre remetem ao discernimento do licenciador. Não há requisito especifico relacionado à dimensão e complexidade da obra ou quanto sua interação com as demais atividades humanas exercidas no local de construção, vias de intensa movimentação, obra próxima de hospitais e escolas, por exemplo.

A apresentação de projeto de canteiro de obras não é exigido pelo Código de Edificações na lista de documentos para a expedição do Alvará de Construção. Em verdade o Código não dispõe de lista de documentos. Infere-se do disposto na norma que devam ser apresentados os documentos de propriedade do terreno, a regularidade no CREA, os projetos aprovados quando necessário, a cota de soleira, a certidão de alinhamento. O Código trata mais das exceções dos requerimentos para construir.

Os canteiros deveriam prever os locais de carga e descarga dos caminhões evitando a obstrução das vias. Os caminhões deveriam evitar a queda de terra ou outros materiais nas vias. Os fornecedores poderiam preparar as formas, dobrar o aço para o concreto e preparar os materiais de modo que fossem ao canteiro prontos para aplicação. Seria muito proveitoso se as concreteiras fizessem um mutirão para remover das vias o concreto ali lançado por seus caminhões. Seria também desejável que para expedição da carta de habite-se fosse cobrada a recuperação das obras e serviços em área pública danificados durante a execução da obra. Enfim, todo cuidado é pouco para evitar que novos danos venham a ocorrer nas construções fruto de descaso ou negligência.

A Cidade e os Portadores de Necessidades Especiais

A adequação das cidades aos portadores de necessidades especiais tem sido tema de constantes discussões, dada a carência de estrutura para este segmento. Em Geral a resposta a essa questão tem se traduzido em vagas nos estacionamentos e rampas nos meios-fios e nos acessos ao piso térreo dos edifícios. Medidas apenas para os cadeirantes e com isso, parece resolvido o problema. A sociedade se dá por satisfeita em achar que assim está resolvida a obrigação para com os semelhantes.

Vejamos como o cadeirante se desloca. Caso não tenha carro ele terá que esperar por inúmeros ônibus da mesma linha, até achar um que lhe atenda, pois somente 10% da frota dispõe do mecanismo de elevação da cadeira até o ônibus. Ele chega ao ponto próximo ao destino e poderá se deparar com a calçada inexistente ou descontínua. Chegando a um edifício e havendo acesso por rampa, suponhamos que ele precise usar o banheiro. Grande drama! Os banheiros, na maioria das vezes ficam no subsolo, na sobreloja ou têm um degrau impossível de ser vencido pela cadeira de rodas.

Caso ele precise ir ao médico, ao dentista, ao curso de línguas ou outra atividade que se situe no primeiro ou segundo piso do comércio das entrequadras da Asa Norte, do comércio da W3 ou outros edifícios menores, isso não será possível. Essas construções são licenciadas sem elevadores. A própria aplicação da lei que dispõe sobre a contratação de, no mínimo de 10% de paraplégicos, para as funções que impliquem em estar sentados ficam impossibilitadas de cumprimento nestes edifícios.

Mas não são só os cadeirantes que ficam sem condições de acesso a muitos dos serviços e equipamentos da cidade. Há muitas outras debilidades que dificultam a mobilidade das pessoas. Idosos, pessoas que perderam membros do corpo, ou que sofrem de descontrole motor e ainda os portadores de nanismo, tem as mesmas dificuldades.

Os deficientes visuais têm pouca ou nenhuma ajuda dos equipamentos públicos para auxiliá-los no uso da cidade. Em uma das poucas e boas experiências havia um semáforo com indicação sonora para os pedestres no cruzamento da Avenida W3. O deficiente visual podia fazer a travessia com segurança. Com o tempo o aviso sonoro desapareceu. Pena! O que deveria ser estendido para toda a cidade foi perdido.

Ainda em relação aos semáforos, existem muitos relatos sobre a luta dos daltônicos para que todos os semáforos tivessem a mesma programação com o sinal vermelho em cima, o amarelo no meio e o verde em baixo. Assim, mesmo não distinguindo as cores eles podem saber qual é o sinal de parar e de avançar. Todavia, temos assistido inúmeras experiências com semáforos que não respeitam esta regra. Com isso, os daltônicos ficam ser saber como agir.

O INSS contratou recentemente uma empresa para adequar todas as suas agências às pessoas com necessidades especiais. Desconheço o resultado, mas creio que os concidadãos que vierem a utilizar tais agências terão sua auto-estima elevada ao perceberem que os demais se preocupam com eles. Neste sentido, o governo local bem que poderia dar um exemplo para o Brasil promovendo estudos de adequação plena dos espaços e equipamentos às pessoas que fogem ao padrão médio de ergonomia, de audição, de mobilidade e de visão. A implantação seria o passo seguinte. Os portadores de necessidades especiais agradeceriam.

Porque a moradia no Noroeste é tão cara

Construtores, incorporadores, famílias, governos e instituições financeiras vêem no Setor Noroeste a possibilidade de morar bem, fazer um bom negocio e até ganhar dinheiro.

Ele se propõe a ser a nova área “nobre” de Brasília. Daí a corrida do ouro. Os valores estimados para os preços de venda são assustadoramente quase três vezes maiores que os preços praticados em Águas Claras. Comparados com os preços do mercado imobiliário de Goiânia, em imóveis similares, situados em áreas de alto padrão, os apartamentos do Setor Noroeste custariam quatro vezes mais caros que os equivalentes vendidos naquela cidade.

Em São Paulo, com tradição de produção de apartamentos de qualidade, têm preços diferenciados para alguns bairros, por serem servidos com equipamentos de qualidade, disporem de comercio sofisticado, contarem com eficiente estrutura de transportes e ainda com baixo nível de criminalidade. Nestes bairros os últimos lançamentos de apartamentos apresentam preços de aproximadamente a metade do preço especulado pelos incorporadores de Brasília.

O que poderia estar elevando o preço dos imóveis proposto para o Noroeste? A primeira suspeita poderia ser o custo dos terrenos cobrados pela Terracap, que estabelece o preço de venda com base na área que será construída. Não são computadas as áreas de varanda, de garage de circulação vertical e outras. Sinteticamente, a Terracap estabeleceu para o Noroeste o preço de R$ 1.500,00 aproximados para o metro quadrado. Enfim, o valor estimado pela Terracap pareceu adequado pelos incorporadores. Poder-se-ia dizer que não foge muito dos preços de mercado. Conclui-se que o custo do terreno não explica o alto preço especulado para os imóveis do Setor Noroeste.

A segunda hipótese para o encarecimento dos imóveis do Noroeste recai sobre o custo da construção. O Sindicato da Indústria da Construção Civil – Sinduscon mantêm em todos os estados da federação um índice de apuração do Custo Unitário Básico da Construção – CUB. Pois bem, o custo apurado pelo Sinduscon DF para construção de habitação de alto padrão de oito pavimentos foi de R$ 922,87 no Distrito Federal. Este custo não contempla fundações, projetos, equipamentos e instalações impostos e taxas. Porém estes itens não incluídos não irão onerar o custo do metro quadrado em mais de R$ 200,00. Cabe comentar que o CUB apurado no DF não difere muito daqueles apurados em Goiânia e em São Paulo.

A terceira hipótese de elevação dos custos é representada pela remuneração do construtor e do incorporador. Assim se for remunerado em 30% sobre o custo da construção, a sua remuneração seria de R$ 270,00. A remuneração do incorporador, incluindo os custos financeiros pela aquisição do terreno, estimada em 30% do total do empreendimento seria de R$ 870,00. Com isso teríamos o preço total de R$ 3.800,00 aproximados para o metro quadrado do apartamento.

Pergunta-se, então, de onde vem o preço especulado de R$ 8.000,00? Creio que decorre da pouca oferta de moradia e da demanda estimulada pela política de oferta de credito. Neste caso o equilíbrio só viria com o aumento da oferta e a satisfação parcial ou total da demanda reprimida.

O adeus a Cezenildo, o amigo da Metropolitana

Ontem me ligou o Francelino, companheiro das lidas no Núcleo Bandeirante. Francelino, assim como Cezenildo, foi motorista da Administração Regional e hoje é dono de uma marmoraria ali na Placa da Mercedes, na subida para o Riacho Fundo. Francelino é daquele tipo de pessoa com o qual se pode contar em todas as horas. Calmo, comedido e amigo de todos com os quais convive.

Mas Francelino ligou para dizer que Cezenildo, o Careca, havia morrido na noite anterior e que o enterro seria na manhã seguinte, no Campo da Esperança. Morrera de um enfarto fulminante. Chegara a sua casa, estacionara o carro, acionara o freio de mão e morrera ainda com o cinto de segurança atado. Não houve sofrimento prolongado. Foi encontrado
ali, no banco do carro sem expressão de dor estampada.

Careca gostava de uma cerveja, conversar com os amigos, passar a noite na farra, mas era um homem de família. Tão família que a primeira esposa convivia tranquilamente com ele e com sua segunda esposa com a qual teve seis filhos além dos quatro do primeiro matrimônio. Mas o Careca gostava de uma farra, daquelas farras inocentes de passar a noite bebendo e conversando com os amigos. Talvez seja por isso que os chegados ouviram-no dizer por várias vezes que estava vivendo no lucro, pois tinha aproveitado a vida. Pode-se dizer que era um homem feliz e realizado, apesar das poucas posses.

Enquanto conversávamos, eu reparava no aspecto geral do Campo da Esperança. Trata-se de um dos poucos lugares onde foram mantidas as árvores originais do cerrado. Vi sucupiras, caviúnas, barus e várias outras tais que ali convivem com ciprestes e outras exóticas.

Algumas questões sociais afloraram da visita. A primeira é a questão da privatização do Campo da Esperança e dos demais cemitérios do DF. Quando a administração estava a cargo da Fundação das Pioneiras Sociais, ela o fazia sem fins lucrativos e oferecia seus serviços de modo gratuito àqueles que não podiam pagar. Parece-me não ser desejável que estes serviços fiquem nas mãos da ganância e do lucro, uma vez que o governo destinou as áreas e as equipou para tal fim. O sepultamento deve ser encarado como um serviço público e não como um comercio.

A outra questão é a opção pela cremação. O ex-Governador José Aparecido de Oliveira estabeleceu como um de seus projetos prioritários a instalação de um crematório no Distrito Federal para atender aqueles que preferem tal opção. Não posso precisar se o fracasso do projeto se deu por resistências ou por inépcia daqueles que foram encarregados de implementá-lo. O certo é que aqueles que preferem esta maneira de tratar os restos mortais, são obrigados a procurar os serviços fora do DF.

Por fim, vendo ali a família do Careca reunida em volta do sepulcro, a espera do término dos trabalhos dos pedreiros, veio a minha memória, a lembrança de um pai diante do corpo da filha, pedindo a presença de um Padre que ministrasse os últimos sacramentos e conduzisse a cerimônia, pois “ela neles acreditava e gostaria que assim fosse feito”. Creio ser necessário um ritual tanto na capela quanto ao lado da sepultura que ofereça conforto aos familiares naqueles momentos de dor.

Dilma é estandarte do pacotão

No ultimo sábado de janeiro, o CONIC recebeu o PACOTÃO e simpatizantes para a escolha da marcha do carnaval deste ano. No encontro, na Praça Vermelha do Conic, abrigados sob o coreto, Charles Preto e os organizadores do evento receberam todos com as honras da Banda Podre do bloco carnavalesco. Bares das proximidades, com inúmeras mesas, acomodaram os participantes que entraram na folia ao som do Galinha da Madrugada, Bloco dos Raparigueiros e outros. O júri do concurso de marchinhas, escolhido por Charles Preto, era composto de jornalistas, escritores, músicos e personalidades.

O evento foi concorrido. Várias pessoas lá estiveram para prestigiá-lo, entre elas o Secretario da Cultura, Silvestre Gorgulho, que louvou a tradição do PACOTÃO, o deputado Rollemberg, que fez questão de cumprimentar a todos os integrantes do júri, a presidente da CUT, Rejane Pitanga que se fez presente até o final do evento. Presenças significativas, também, foram a do Rei Momo e da Rainha do Carnaval.

O concurso foi acirrado. Muitos chegaram de última hora e ainda assim puderam democraticamente participar. Dois fatos foram dignos de nota. Lá pelas tantas apareceram alguns fiscais com jaleco do GDF. Vieram acompanhados por um policial e solicitaram algo aos organizadores. Não deu para saber o que queriam. Neste ínterim, o locutor, dizendo-se falar em nome de Charles Preto, anunciou categoricamente que as inscrições estavam encerradas. Parece que os presumidos fiscais se deram por satisfeitos e se retiraram. Logo depois, “Cicinho Filisteu” que inscreveu várias músicas, uma delas se proclamando o “Brad Pitt do Conic”, voltou ao microfone para cantar novamente. Charles Preto não resistiu e desabou do alto de seus três metros de altura. Tem gente que jura que foi por causa do calor.

Os temas, como de costume, foram bastante influenciados pelo momento. Bush foi o mais lembrado. Ele pessoalmente ou pelos sapatos. A crise, o PAC, a reforma ortográfica e até o Brad Pitt foram objeto da irreverência dos autores. Mas foi Dilma a escolhida dos jurados e do público presente. Venceu a marcha Perereca de Bigode de Joca Pavaroti que aqui vai em primeira mão:

“PERERECA DE BIGODE”

“Estão maquiando a Dilma / Pra enganar o povão. / O Lula gritou Eureca! / Quem engoliu sapo / come Perereca! / Eu acho que vai dar bode / Dilma não tem barba / mas pode ter bigode! / Eureca! / Eureca! / Quem engoliu sapo / Engole Perereca!”

O Galinho Prestigiou

O Galinho da Madrugada, com estandarte, boneco gigante e banda apareceu para prestigiar. Foi recebido com entusiasmo e motivo de discursos de apoio e solidariedade. A banda fez uma apresentação. Logo apareceram sombrinhas coloridas e foliões adeptos do frevo mostraram suas habilidades. A banda do PACOTÃO se juntou a banda do Galinho e um pequeno desfile se fez em volta do coreto cantando a força do bloco e sua importância para o carnaval de Brasília. Todos esperam que o impasse seja superado para que o Galinho da Madrugada possa desfilar e manter as tradições.