Assisti com meus netos, Gabi e Otto, de seis e dois anos respectivamente, o filme em desenho animado, Dumbo, produzido pelo Studio Walt Disney. Indiferentes aos comentários sobre o filme, as crianças se divertiram com o desenho primoroso cujo enredo tem um elefantinho orelhudo como protagonista e um rato como seu parceiro.

Alguns aspectos me chamaram a atenção em conversa com o cineasta Iberê Carvalho que também compartilhava o momento. Iberê comentou o fato de os personagens daquele filme, feito para criança, fumarem e apresentarem comportamento que hoje seria considerado inadmissível. O fato principal desse comportamento se apresenta quando o elefantinho Dumbo ingere bebida alcoólica e descobre que pode voar.

Ao tomarem champanhe misturada com a água, ele e seu amigo rato são levados a uma viagem psicodélica e terminam por dormir no galho de uma árvore. Elefantes não sobem em árvores o que os leva a entender que chegaram ali voando. Sóbrio, o elefantinho é levado pelo rato a voar usando suas enormes orelhas.

Iberê explicou que o Núcleo Criativo da Pavirada Filmes avaliando as produções audiovisuais exibidas no país, em sua maioria produzidas na América do Norte têm como mote central a violência. Os personagens são vingadores ou mesmo policiais que se notabilizam pela violência o que leva à sua banalização e aceitação como normal.

A exigência legal de obrigação de aumento do conteúdo nacional nos canais de TV e nos cinemas deu ênfase à carência de projetos de longo prazo. O Programa Brasil de

Todas as Telas, lançado em julho de 2014 prevê a formação de Núcleos Criativos para o desenvolvimento de ideias e roteiros de filmes e séries.

O edital de 2014 selecionou 3 produtoras de Brasília. A Pávirada Filmes foi uma delas. Nos últimos 18 meses ela desenvolveu 3 projetos de longa-metragem para salas de cinema e 2 projetos de séries para TV. O Núcleo conta com 5 roteiristas profissionais, 3 diretores, 3 profissionais de produção, 2 pesquisadores, 1 designer, 1 consultora de negócios e 1 consultora jurídica.

O cinema e a TV têm o poder de influenciar o imaginário das pessoas, passar valores, criar mitos e modelos. Daí a importância de ter uma produção nacional. Maior ainda a responsabilidade de quem produz conteúdo para as crianças. A violência e o ódio devem ser evitados. Os temas e valores melhor seria que fossem os de nossa tradição e cultura.