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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: outubro 2017

Vila Eixão Norte SCN/SBN

Há tempos, anos, vemos nos gramados que ladeiam o Eixão Norte, nas proximidades dos setores Bancário Norte e Comercial, barracas precárias, em geral formadas por uma lona preta que as cobre e uma peça que serve de cumeeira, as laterais da lona presas ao gramado por pedras ou estacas fincadas no solo.

Não é só ali que encontramos esse tipo de barraca que abriga famílias, ou grupos que não dispõem de meios para obter uma moradia. Neste locais não há água, ou qualquer meio de se arrumar para sair a busca de trabalho. É a marginalização sem retorno.

O Governo local editou em 06 de 2012 o Decreto 33.779 que instituiu a Política de Inclusão Social da População em Situação de Rua do DF objetivando especialmente o acesso às políticas públicas de assistência social, alimentação, segurança, saúde, educação, habitação, cultura, esporte, trabalho e geração de renda.

Nenhuma dessas pessoas que hoje nos abordam pedindo um prato de comida têm condições de buscar um emprego, ou mesmo um trabalho temporário. As crianças não podem ir à escola, não têm roupas, não têm endereço, condição para tentar a matrícula.

Muitas de nossas Cidades Satélites foram originadas da transferência de famílias em desabrigo ou em habitações precárias a exemplo da expansão da QE 38 do Guará. Estas pessoas merecem o nosso respeito, a nossa solidariedade, elas são parte de nossa população que, por motivos diversos, estão em situação de rua.

Crise Hídrica e Ação da Caesb

Neste início de outubro de 2017, a Caesb pôs em operação o sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável retirada do Lago Paranoá. Este sistema, com capacidade inicial de oferta de 350 litros/segundo poderá atender até 600 mil pessoas com 50 litros per capta/dia.

Esta obra, concluída em apenas cinco meses atenderá as populações do Paranoá, Itapoã, Taquari, Varjão, Setor de Mansões Isoladas Norte e Lago Norte. Paralelamente, a Caesb implantou a captação do Bananal para atender o Setor Noroeste.

A velocidade de implantação dessas obras mostra que as soluções de engenharia podem ser rápidas e evitar o desabastecimento. A população do Distrito Federal cresce à razão de 2,6 % ao ano o que representa 60 mil pessoas a mais e o consumo maior de 35 litros/segundo. Não se trata apenas do regime de chuvas, mas do aumento de consumo.

Concluído o sistema de tratamento e adução do Corumbá IV, cujas obras foram retomadas após paralização por dois anos, o Distrito Federal terá superado a questão do abastecimento, a exceção da Região Norte, Sobradinho e Planaltina.

As águas do sistema Paranoá tem denotado sabor alterado, talvez por alta concentração de fósforo. A especialista em Tecnologias Ambientais, Vanessa Joana Gomes Emídio, mostra que a concentração de fósforo leva à eutrofização e aparecimento de cianotoxinas. O tratamento das águas exigirá tratamento refinado por nanofiltração.

Vida Urbana e Insetos

Estavam todos à janela do apartamento, atraídos pelos novos moradores. Em uma das bandeiras do toldo havia sido construída uma casa de marimbondos. Já estava grandinha e eles trabalhavam com afinco. Logo estaria grande e cheia de ocupantes.

Alguém disse: – Eles vão nos atacar. Outro retrucou: – Não, eles não atacam os moradores, só aos estranhos. São presságios etc. Enfim eles não eram bem-vindos.

Todas as semanas alguém liga, até mais de uma vez, oferecendo os serviços de dedetização. Já não se usa o DDT mas o nome perdura. Argumentam que estão aplicando em todo o prédio e que, caso não o aceitemos, os insetos virão todos para o apartamento. Em geral o procedimento está voltado apenas para baratas e formigas.

Essa região do Centro-Oeste é endêmica para percevejos. Nas casas de taipa ou pau-a-pique eles se alojam, ainda hoje, e provocam doença de Chagas. Nos apartamentos não se tem notícias. Tampouco as pulgas são populares nas habitações urbanas.

Com o início das esperadas chuvas a natureza mostra sua exuberância pelos insetos: besouros, mariposas, vespas, formigas, cigarras, piolhos etc. se multiplicam, invadem as residências e fazem a festa dos pássaros que deles se alimentam.

A casa dos marimbondos foi removida mecanicamente, mas eles se recusavam a abandonar o local. A proposta não era eliminá-los. Eles se foram após a lona ser borrifada com desodorante. Os insetos compõem a biodiversidade. Eles lá fora.

Primavera e as Chuvas em Brasília

Choveu no dia 22 de setembro, dia de início da Primavera. Essa chuva, conhecida pelos moradores do Planalto Central como a chuva das flores do caju do campo, leva alguns a crerem que a seca acabou. Que começou a estação das chuvas. Mas não é o que acontece. Estamos na segunda semana de outubro e a umidade está a 15%.

Para confirmar que a seca não acabou a cigarra não cantou ainda. Para que ela abandone seu casulo na raiz da árvore onde viveu até agora, a terra precisa estar molhada, bem molhada, macia e aí ela pode cavar, subindo até chegar à superfície.

Esta semana, com temperaturas altas, tanto as mínimas como as máximas, as nuvens altas, névoa, davam a entender que as chuvas cairiam a amenizar o clima e remover aquela sensação de cansaço, aquele calor que não causa suor, pois este evapora logo.

A previsão é que chova no próximo dia 15 deste mês assim como nos dias 16, 17 e 19. Chuva pouca mas deve amenizar a baixa umidade. As temperaturas estão altas, mais que o costumeiro. Neste mês registrou-se a mais alta temperatura máxima absoluta com 36,4 °C e uma das mais baixas mínimas absolutas com 1,6 °C.

Há um entendimento de que, no centro, o acúmulo de concreto das edificações, das calçadas e a pavimentação asfáltica, retêm o calor recebido do sol e o irradiam aumentando a temperatura local. Alguns moradores, que passam os finais de semana em chácaras, afirmam que lá é mais ameno. Aumentar a arborização pode amenizar o calor.