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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: Fevereiro 2017

Estacionamentos e Transporte Coletivo

Ingrid, após tentar em vão uma vaga no estacionamento do comércio local de uma superquadra, dirigiu-se ao interior da quadra na busca de uma vaga para deixar o carro. Logo após estacionar, uma senhora parou seu carro atrás do dela e avisou, desafiadora, que aquela vaga era de morador e que ficaria ali com seu carro impedindo sua saída. Apesar da juventude, Ingrid agiu com maturidade e o caso foi resolvido a contento.

Pode-se dizer que para cada apartamento do Plano Piloto há, no mínimo 2 carros. O código de obras exige apenas uma vaga de garage para cada habitação. Assim metade ou mais dos carros dos moradores das superquadras ficam estacionados nas vagas lindeiras ou nas vias, ao longo dos meios-fios, ocasionando estrangulamento das vias internas da quadras.

A solução dada pelos responsáveis pelo trânsito tem sido intensificar a fiscalização e multar os que estacionam em fila dupla no em frente às lojas no comércio. O número de carros continua aumentando e as vagas de estacionamento são inelásticas.

Parte do problema é explicado pelo fato de que para cada 100 habitantes do Distrito Federal, indistintamente, criança, idoso ou adulto, há 55 carros. Dados do governo mostram que apenas 35% da população do Distrito Federal utiliza transporte coletivo.

Por outro lado, o transporte coletivo deixa a desejar. O tempo gasto no deslocamento entre duas localidades do Plano Piloto desestimula o uso do transporte coletivo. Esse transporte que nada evoluiu nas últimas quatro décadas. A densidade demográfica se acentuou, a população aumentou, mas o transporte público no Plano Piloto não evoluiu.

As tentativas de implantar o VLT, que demandaria várias linhas, inclusive transversais, nos sentidos leste/oeste e vice-versa, a expansão do metrô até o final da Asa Norte têm esbarrado em interesses diversos que usam de vários estratagemas para impedir sua implantação, inclusive ações judiciais com alegações diversas que terminam por não terem quem de direito que a elas se oponham.

A questão dos estacionamentos e do transporte coletivo são parte do processo de queda da qualidade de vida do Plano Piloto da Brasília. A cidade é um organismo vivo resultante das interações entre seus habitantes. A garantia dessa qualidade de vida depende de constantes ajustes promovidos por estruturas de planejamento e gestão, planejamento este, que há muito foi abandonado. Sempre é tempo de retomar.

Infraestrutura Urbana

Os cursos d’água do Distrito Federal e do Planalto Central do Brasil, estão sujeitos a aumentos de seu volume de águas repentinamente. Há um cuidado dos guias que atuam na Chapada dos Veadeiros, especialmente no período das chuvas. Aquele poço ou trecho pode estar sem qualquer sinal de chuvas e, de uma hora para outra, chegar uma enxurrada, vinda de área a montante, onde ocorreu um forte precipitação.

O início do ano de 1983 foi marcado para o Núcleo Bandeirante como o período de um forte inundação do Riacho Fundo, que passa por sua área de chácaras. Um número significativo de famílias habitava barracos localizados nas suas margens. Todas elas foram atingidas e foi necessário removê-las, ou para abrigos provisórios em próprios da Administração da Cidade ou para barracos edificadas em invasões e posteriormente incluí-las entre os ocupantes da Candangolândia cujas casas foram construídas a seguir.

A questão do Riacho Fundo foi resolvida com a dragagem de seu leito e a remoção de materiais que assoreavam o canal de escoamento das águas. Até recentemente, mesmo depois de mais de 30 anos não se teve notícia de inundação das margens.

Havia, naquela época, um problema de inundação recorrente entre os blocos 780 e 1220 da 2ª Avenida do Núcleo Bandeirante. Ali há uma depressão natural e as galerias de drenagem de águas pluviais eram insuficientes para escoar as águas das chuvas em quase todas as ocorrências. Foram refeitos os cálculos de dimensionamento das redes e a sua substituição e não ocorreram novas inundações naqueles blocos.

Há décadas vemos se repetir inundações das passagens sob o Eixão Norte, em geral sob os viadutos do eixinho Leste. Há um mês atrás toda a Asa Norte parou pois era impossível passar das quadras 100 para as quadras 200, e vice e versa, pois as tesourinhas ficaram alagadas após uma precipitação de quase 40 milímetros em apenas uma hora. Há uma tendência a dizer que tais inundações decorrem da falta de limpeza das galerias de águas pluviais.

A verdade é que o problema nunca foi atacado de frente. Não é algo tão complexo. Há que definir as áreas de contribuição, aquelas que pela topografia farão as águas se dirigirem para aquele ponto, averiguar a série histórica das precipitações e aí calcular, com uma boa margem de segurança, o dimensionamento das galerias que irão escoar no tempo das precipitações as águas das chuvas. Aí não ocorrerão novas inundações.

Desastres Abatem Árvores

Nesta segunda-feira, 6 de fevereiro, dois desastres se abateram sobre as árvores da W3 Sul e Norte. Em ambos os casos a perda de massa arbórea foi significativa. Uma equipe presumidamente da Novacap cortava os galhos das árvores do canteiro central e aqueles junto às lojas na W3 Sul. Uma chuva com ventania derrubou árvores e quebrou inúmeros galhos na W3 Norte, a ponto de interromper faixas de rolamento.

A poda, muito mais que um desbaste, retirou galhos até uma altura estimada em 8 metros. Mesmo galhas finas não foram poupadas. A poda começou no final da 507 Sul em direção ao centro. Na 507 o desastre já estava consumado. Mais de 60% da copa de cada uma das árvores foi retirada. Os troncos ficaram pelados e todos os resultados da poda à mostra indicavam o tamanho do estrago.

A copa das árvores não apenas nos oferece a sombra que ameniza o calor. Quanto maior a copa maior a absorção de energia solar, energia esta que é transformada em madeira. Daí porque a presença de árvores ameniza as temperaturas dos ambientes.

A poda das árvores é uma atividade necessária. Há situações em que ela se impõe. Um galho seco, sujeito a queda; um galho que se quebrou e está preso à árvore de alguma forma; um galho que se interpõe à passagem de pedestres; outro que se está na faixa de rolamento dos veículos e com eles se choca, em todos esses casos a poda desses galhos é recomendável. Em casos especiais, toda a árvore corre o risco de tombar e aí se faz necessária a sua remoção.

O que se tem feito a título de poda não obedece qualquer técnica de manutenção desse patrimônio arbóreo. Tudo indica que tais atos são praticados por pessoas sem qualquer qualificação.

Derrubar árvores no DF sem autorização competente é crime. Os antigos moradores devem se lembrar de um senhor em Planaltina que foi preso por retirar algumas cascas de uma árvore para fazer remédio para a esposa.

Ao tempo em que a Novacap patrocinava esse ataque contra as árvores da W3 Sul, na W3 Norte um temporal, caracterizado com alerta amarelo, que em uma hora registrou, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a precipitação de 37,8 mm, com fortes ventos que derrubaram várias galhas do Cambuís e algumas árvores inteiras do início da W3 Norte. A queda por ventanias é um acidente natural, o corte indiscriminado não.