Skip to Content

A Cidade e sua Vivência
archive

Monthly Archives: junho 2016

Taxi, a Guerra Continua

Os poderes Legislativo de Curitiba e Distrito Federal estão mais uma vez às voltas com a guerra entre os profissionais que trabalham com os aplicativos Uber e o 99taxis, os permissionários autorizados por lei, os taxistas que alugam carros e os usuários. Nesta guerra, o legislativo e o executivo municipais não têm tido êxito em evitar confrontos.

A verdade é que o Uber caiu nas graças dos usuários. O serviço tende a ser rápido, o usuário é informado da identidade do motorista, do veículo, do custo da viagem e do trajeto e os pagamentos são feitos sempre por cartão de crédito. Ao final ele avalia o serviço prestado e esta avaliação pesa na relação entre o motorista e o Uber.

O Uber exige informações cadastrais do candidato, requer que o veículo seja de pouco uso, que o motorista aja com urbanidade e se apresente com elegância além de ser gentil, acomodando a bagagem e abrindo a porta para o usuário. Os usuários têm demostrado que gostam de serem bem tratados e muitos confiam no serviço.

Os permissionários alegam que se trata de uma empresa estrangeira, que não paga impostos que os motoristas não são confiáveis, que eles tiram trabalho dos regulares, e que acabam não ganhando nada porque há desconto na tarifa e taxa paga à Uber, restando apenas R$ 1,00 por quilometro para o Uber X e R$ 2,00 para o Uber Black.

O táxi regular é dirigido, na maioria dos casos por motoristas que o aluga. Neste caso realmente não há qualquer triagem sobre o condutor. O permissionário apresenta documentação conforme exigido nas normas, mas aluga o carro no turno em que não trabalha, contudo a grande maioria aluga de alguém que comprou várias permissões.

O 99taxis é um aplicativo de chamada. O motorista se cadastra e paga R$ 2,00 para cada cliente que lhe é indicado e assim aumenta sua clientela. O rádio táxi cobra por quinzena e tem o mesmo propósito.

Alguns têm se beneficiado com a briga. O preço do aluguel do táxi caiu de R$120,00 ao dia para R$ 80,00. Os maiores incomodados são os permissionários que viram cair o valor de revenda das permissões e o valor de aluguel dos carros.

Entendo que o número de táxis deve ser aumentado, conforme a demanda atual. Empresas deveriam ser constituídas para alugar carros. Os condutores, indistintamente, deveriam ser cadastrados. Todos os serviços devem ter registro Municipal ou Distrital. Os motoristas devem contribuir para a previdência. Assim eliminaríamos os conflitos.

Feira dos Importados ou do Paraguai

Lá pelos idos dos anos 90 a crise estava brava. Nada de concursos, economia deprimida, nada de emprego formal. Em situações como aquela a criatividade e a capacidade de empreender podem levar à superação. Viagens a Foz do Iguaçu com visitas ao Paraguai, mostraram que o câmbio artificialmente valorizado permitia a compra de produtos naquele país e venda aqui com ganhos compensadores.

As vendas eram feitas para conhecidos até que aqueles que viajavam juntos passaram a vender juntos no estacionamento da 503/504 na W3 Sul. José Hamilton Ferreira do Amaral em seu estudo “Feira dos Importados como Produto Turístico de Brasília” relata que naquele local, vendendo sobre toalhas postas no chão, os feirantes chegaram a 120.

Logo os comerciantes lindeiros reclamaram por perder o estacionamento para a feira e por perder clientela. A Feira então foi removida para o estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, próximo do ginásio Nilson Nelson.

Lá, em 1994, ela cresceu, absorveu os feirantes da invasão da 509 Norte. Ela chegou a 545 feirantes. Ali as barracas eram de ferro, algumas com guarda-sol, cavaletes de madeira para apoiar os tabuleiros. A feira não tinha energia elétrica ou outras comodidades. Em maio de 1995 ela foi transferida para um pouco abaixo, ainda no mesmo estacionamento.

No novo local, conforme relata Sátyro de Souza, a feira recebeu os feirantes do Itaú, que ficavam na Praça do Povo, localizada entre a antiga agência do Banco Itaú e o Palácio do Comercio no Setor Comercial Sul e os do CONIC, chegando a ter 1.264 feirantes.

A Administração Regional fez padronizar as barracas, que passaram a ter estrutura metálica verde e toldo amarelo e eram construídas pelos feirantes. Como não havia fornecimento de energia eles se organizaram, construíram banheiros, segregaram as barracas de alimentação e adquiriram geradores elétricos. Com isso os clientes podiam testar os equipamentos a comprar. Ali teria sido um dos melhores pontos de venda.

A Feira dos Importados ocupa atualmente uma área designada Setor de Comércio Especial da CEASA. Ela tem 2.096 boxes e é um sucesso de público. Entretanto o acesso aos domingos é dificultado pela administração da CEASA. O estacionamento ao lado da Feira é impedido e não há espaço suficiente para os clientes. A população teria maior conforto com a abertura do estacionamento da CEASA ao lado da Feira.

Luz Acesa e Multas

Sancionada a Lei 13.290/2016 torna-se obrigatório o uso da luz baixa, a partir de 8 de julho próximo, mesmo durante o dia, por todos os veículos automotores. Anteriormente só motos e ônibus eram obrigados a usar a luz baixa a qualquer hora. A justificativa para a edição da norma foi a expectativa de redução dos acidentes nas estradas e do elevado número de mortes decorrentes.

O número de mortes nas rodovias é muito alto, são mais de 40 mil mortes e quase 3 vezes mais de pessoas feridas. Acredita-se que o uso da luz acesa facilitará a visualização dos veículos, especialmente os de cores escuras, que trafeguem no sentido contrário, ganhando preciosos segundos em manobras evasivas. A maioria das mortes se dá em choques frontais e as luzes faria reduzi-los.

A não utilização da luz baixa, durante o dia e a noite, nos túneis e rodovias é classificada como infração média, ocasionando a soma de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do motorista e o pagamento de multa de R$ 85,13.

Ainda que pareça acertada a medida creio que trata-se de paliativo. A maior ocorrência de acidentes frontais se dá em rodovias de mão dupla, em ultrapassagens. As altas velocidades permitidas nestas vias, associadas à imprudência dos motoristas fazem com que pequenos erros se transformem em tragédias. Os choques se dão em até mais de 200 quilômetros por hora considerando a soma das velocidades dos veículos.

Comparar aquelas situações com as vias urbanas do Distrito Federal é inadequado. Basicamente, no Plano Piloto, seria obrigatório o uso da luz baixa dia e noite no Eixo Rodoviário, conforme definição do Departamento de Estradas de Rodagem. Lucio Costa, no Relatório do Plano Piloto, explica que o “cruzamento desse eixo monumental, de cota inferior, com o eixo rodoviário-residencial …”, ou seja, as vias que formam a cruz, se equivalem, têm a mesma hierarquia. Não devem ter tratamento diferenciado.

A imposição do uso de luz baixa em determinadas vias da malha urbana trará os mesmos inconvenientes das alterações da velocidade permitida em vias continuas. Os condutores tendem a manter a velocidade constante, assim como as condições de operação dos veículos. A maioria dos veículos contam com dispositivo automático que liga as luzes. Exigir luz alta no Eixão será uma forma de multar, a maioria dos condutores dificilmente se lembrarão onde ligar ou desligar as luzes.

Transporte Coletivo

O noticiário nacional deu destaque ao Veículo Leve sobre Trilho – VLT do Rio de Janeiro, que, operando em fase experimental apresentou pane e parou em meio ao trajeto, forçando os passageiros a abandonarem o veículo.

Esse meio de transporte é tido como ideal para as grandes cidades por não ocupar espaço no trânsito, não perder tempo em engarrafamento, não poluir e ter visual moderno. Tais características garantem viagens rápidas.

O VLT do Rio ligará o Centro da cidade e Região Portuária e terá 28 km de extensão. Ele funcionará de forma ininterrupta todos os dias da semana, 24 horas ao dia e integrará o Aeroporto às barcas, aos trens, ao metrô e aos ônibus.

O Governo do DF fez um projeto de VLT que ligaria o Aeroporto ao final da Asa Norte passando pela W3 Norte e Sul, pelos Setores Comercial e Hoteleiro Sul e Norte. Um pedido de liminar feito pelo Ministério Público, questionando sobre um estudo arqueológico ao longo do eixo dos trilhos motivou a suspensão da implantação daquele meio de transporte.

O motivo do pedido de suspensão da obra parece ter o interesse especial sobre arqueologia, mas muitos grupos ligados ao transporte de passageiros mostraram inquietação com aquela obra. Ela seria, aos moldes do metrô, operada pelo governo local e poderia ensejar a redução dos ganhos de transportadores.

Estatísticas do Detran constataram que em dezembro de 2015 haviam, licenciados naquele órgão, 1.649.563 veículos no Distrito Federal, ou seja, um veículo para menos de duas pessoas. Com toda esta frota é impossível evitar os transtornos com engarrafamentos, atrasos e acidentes.

Todos os governantes eleitos nas últimas décadas apresentaram em suas plataformas propostas de melhoria do transporte coletivo. Foram implantadas vias exclusivas para ônibus, ônibus articulados, que ligariam as cidades do Sul e Sudoeste ao Centro. Por erro de projeto aqueles ônibus têm usado outras pistas e sua eficiência tem sido questionada.

O metrô que liga as áreas mais populosas ao centro do DF teria um número menor de trens que o desejável. O maior investimento, estações e implantação das linhas já foi feito. Transporte coletivo é o único meio de reduzir os engarrafamentos e transtornos.