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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: Janeiro 2016

Chuva e Alagamentos

Neste sábado, 23 de janeiro, precisei sair da Asa Norte em direção a saída Sul de Brasília. Acabara de cair uma daquelas chuvas de verão, com pancada breve e estio logo após. Já não chovia, mas havia enxurrada por todos os lados. As bocas de lobo não captavam as águas e elas desciam em velocidade pelas vias e áreas verdes carreando lama e tudo o que estava depositado no solo, como folhas, galhos e lixo.

O fato novo é que as bocas de lobo das tesourinhas funcionaram bem. Mesmo a tesourinha da 209/210 que sempre alaga quando chove não alagou. Estava cheia de lama mas não alagou assim como na 109/110. Também passei pela tesourinha da 103/104 e 203/204 e elas não alagaram. Pode-se afirmar que suas galerias de águas pluviais foram desobstruídas e funcionaram bem.

Pois bem, por cautela resolvi buscar o Eixão para seguir em direção à Saída Sul. Quando cheguei próximo à 202, o Eixão, na faixa no sentido Buraco do Tatu estava toda alagada. Os carros estavam retornando ou invadindo a pista contrária com sério risco de choque frontal com os que vinham no sentido Ponte da Bragueto.

Tomei o primeiro retorno com o propósito de buscar a L2 Norte. Ao chegar no balão da 403/402 o balão estava alagado e os veículos estavam voltando. Voltei e subi na intensão de passar pela W3. Lembrei-me que em frente ao Setor de Rádio e TV Norte sempre se forma um grande alagamento e por isso passei por trás do Hospital Regional da Asa Norte, tomei a pista lateral ao SCN, retornei para retomar o Eixo Auxiliar Oeste já próximo do Conjunto Nacional.

O encontro da pista lateral ao SCN e o ERW estava alagado. A água transbordava sobre os meios-fios e os veículos passavam sobre a calçada e o gramado. Depois de chegar à alça de acesso ao Eixão vi que os veículos evitavam o Buraco do Tatu e segui pelo nível superior da Plataforma da Rodoviária. Assim, depois de meia hora, cheguei a Asa Sul.

Lembro que durante esta semana propagou-se nas redes sociais uma cachoeira em um viaduto de uma tesourinha da Asa Norte. A cachoeira tomava todo o viaduto e o volume de água que caia não era pequeno. Isso denota que todo o sistema de drenagem está funcionando de forma insuficiente. Nas tesourinhas da Asa Norte, onde sempre alagava, a drenagem funcionou depois de desobstruída, sem obra nova. A desobstrução das redes de captação evitará o caos ocorrido neste sábado e em demais dias de chuva.

Silêncio, Música e Carnaval

Recebi no domingo, 17 de janeiro, uma postagem com a medição de uma via pública com pouco movimento onde um decibelímetro, aparelho para medir a emissão de ruído em determinado ambiente, mostrava que naquele momento o nível de ruído alcançava 68 decibéis. Esse nível está acima de todos os níveis permitidos pelo Anexo I da Lei 4.092/2008, exceto o aceito nas áreas industriais no período diurno.

Embora representantes dos órgão de fiscalização aleguem que a lei está de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT está claro que a citada lei não se coaduna com a vida urbana.

Bares e restaurantes têm sido alvo de fiscalização com base naquela lei e alguns deles, onde tradicionalmente ocorrem apresentações musicais ou encontros de músicos para tocar ou compor estão fechando as portas por força do peso das multas a eles impostas.

Vale lembrar dos muitos músicos originários de Brasília, com reconhecimento nacional que começaram suas carreiras tocando nas garagens de suas casas, o que seria impossível na vigência desta lei.

Há pessoas que acreditam que bastaria fazer tratamento acústico dos bares das entrequadras para assim evitar o alto nível sonoro na quadras lindeiras. As lojas das entrequadras são na sua maioria de pequenas dimensões e dificilmente seria possível fazer tal tratamento de modo a conter a clientela no ambiente fechado.

Por outro lado, faz parte da cultura local beber ao ar livre, em mesas colocadas nas calçadas onde o ar é menos abafado e mesmo o ruído das conversa interfere menos umas com as outras.

Assim restaria aos bares com apresentação musical ao vivo se localizarem nos setores comerciais e bancários bem como, no Setor de Diversões Sul onde não há residências por perto e a lei poderia ter níveis menos rígidos. Hoje há uma casa de show no SBS. Essa abordagem poderia, de segregar os shows, ser estendida para as Cidades Satélites, sempre evitando níveis sonoros elevados nas proximidades das residências.

Acho que uma nova lei deveria prever situações de atividades cívicas, esportivas e de manifestações culturais específicas. O caso do carnaval não pode ser avaliado nos termos da lei. As escolas, os blocos devem, até certo horário ter a liberdade de se expressarem sem maiores restrições.

Criminalização ou Legalização das Drogas

Nesta última semana ocorreram vários protestos, na sua maioria por parte de integrantesdos órgãos da Segurança Pública, contra a decisão de um Juiz que teria determinado a soltura de um casal preso em flagrante portando drogas. As drogas seriam destinadas a comercialização, segundo os policiais. Os presos seriam traficantes e não cabia o habeas corpus. Pesava contra eles o fato de que já respondiam a processo criminal decorrente de acusação de tráfico.

Estudos indicam que mais de sessenta por cento da população carcerária ali está em decorrência de tráfico de drogas. Muitos nem foram julgados, mas foram presos em flagrante. Essa situação, de superlotação de presídios se repete em todos os países que optaram por criminalizar o consumo e o tráfico de drogas.

Recentemente foi publicado que na Holanda há muitos presidio vazios e que dezoito deles seriam fechados. A notícia não tratava diretamente sobre o assunto, mas foi estabelecida uma correlação entre a descriminalizadas do uso e da comercialização das drogas e a redução da criminalidade. Esse fato também é relatado nos casos do Uruguai e de Portugal onde houve a descriminalização das drogas e o dependente é tratado como paciente do Sistema de Saúde.

Inúmeros estados, nos Estados Unidos da América, legalizaram o uso da maconha assim como vários países na América, Europa, Ásia e Oceania. Em alguns dos países a taxação para a maconha é de 25% o que tem levado a obtenção de receitas significativas para os governos.

Estudos feitos pela Organização Mundial de Saúde em onze países, entre eles o Brasil, constatou que 0,4% das mortes têm relação com o uso de drogas proibidas, 3,2% com o consumo de álcool e 8,8% estão ligadas ao uso do fumo. Conclui-se que a criminalização não tem relação com a preocupação com a saúde do usuário.

Durante os últimos 40 anos muito se gastou no combate ao uso e ao tráfico de drogas. Não há evidência de que essas ações tenham resultados na redução de um ou de outro. Poderíamos dizer que se todo esse esforço tivesse resultado na redução de pelo menos 1% do número de usuários, talvez tivesse valido o esforço, mas o que se sabe é que a cada dia aumenta o consumo e o tráfico. Assim, o devido seria legalizar as drogas, reduzindo a criminalidade e melhorando as condições de segurança.

Propósitos e Aspirações em 2016

Costumamos fazer uma lista daquilo que gostaríamos de realizar no ano que se inicia. Fazemos também listas com aquilo que, independente de nossa participação ou contribuição direta gostaríamos que acontecesse, um nosso benefício direto ou coletivo.

O ano que se passou não foi de realizações, grandes ou pequenas. Andamos de lado, como caranguejos. Não há o que comemorar no plano político, na área econômica, no campo social, na esfera administrativa ou em qualquer outra atividade. Foi uma ano de angústia frente às perdas havidas ou que se anunciaram como iminentes. Portanto, há muito o que apor àquela lista de propósitos e esperanças e relação a 2016.

Algumas questões são básicas e atingem a quase todos. O transporte público é fundamental para quem trabalha, quem estuda, para quem busca atendimentos pelos entes públicos. O transporte público é fator de democratização do acesso aos bens e serviços pelos cidadãos. Por isso é desejo que os transportes funcionem corretamente, cumpram os horários e os veículos estejam em condições de atender aos usuários.

Espera-se que os serviços de saúde sejam ágeis no atendimento e eficazes em suas ações. Espera-se que as consultas sejam marcadas com celeridade, que os exames sejam feitos e que as doenças sejam sanadas, tanto pela rede pública quanto pelos planos de saúde.

A educação é bandeira de todos. Mas a educação pública é mal avaliada pelas famílias que preferem gastar parte importante de seu orçamento com escolas particulares. Espera-se que não faltem servidores de educação e de assistência à educação nas escolas, principalmente os professores. Que as escolas sejam mantidas em perfeito estado e não falte material escolar.

É desejável que o número de acidentes de trânsito, com ou sem vítimas seja reduzido, que as vias fluam melhor, que os assaltos, roubos e furtos tendam a zero. É desejável que as pessoas possam andar pelas cidades e se sintam seguras em qualquer uma delas. Principalmente que não ocorram mortes por armas de fogo ou outros instrumentos.

Finalmente, seria bom para nossa cidade, assim como para todo o país, que Executivo, Legislativo e Judiciário pudessem desempenhar suas funções de forma harmoniosa, voltados especialmente para o interesse público, buscando atender às demandas e aspirações da população, de modo a superar os desafios impostos pela conjuntura.