Skip to Content

A Cidade e sua Vivência
archive

Monthly Archives: dezembro 2015

Poças em Vias e Aedes Aegypti

Volto ao assunto do aedes aegypti, o mosquito tido como transmissor da dengue, das febres amarela e chikungunya e ainda do Zica vírus. A forte campanha pelos meios de comunicação de massa para sua extinção parece espelhar a grande preocupação das famílias. Há, ao que tudo indica, uma consciência dos danos que a infecção pelo mosquito pode causar. Alguns danos são irreversíveis.

Pode-se acreditar que as famílias estejam promovendo as medidas de prevenção nos limites de suas casas. Tais medidas vêm sendo difundidas pela mídia e são de fácil compreensão. Evitar água parada, limpar utensílios que possam conter larvas dos mosquitos, entre outras, são medidas orientadas.

Em algumas localidades as autoridades têm buscado alertar os donos de terrenos não ocupados para que eles verifiquem se há focos de mosquitos em suas propriedades. Há casos em que foram obtidas autorizações para atuar nas áreas privadas, lotes, terrenos e prédios abandonados de modo a reduzir os possíveis ambientes propícios à reprodução dos mosquitos.

Os governos têm se utilizado de equipes que visitam as casas e orientam em relação às providências a serem adotadas. Também utilizam veículos dotados de fumigatórios para eliminar focos de mosquitos adultos e assim reduzir o contágio das pessoas.

O Distrito Federal conta com muitas áreas públicas onde podem se formar poças de água que seriam ambientes passíveis de reprodução do aedes aegypti. São depressões no solo, bueiros descobertos, coberturas de pontos de ônibus enfim qualquer lugar onde a água empoce.

As vias urbanas são implantadas com curvaturas que remetem as águas das chuvas para as sarjetas de modo que estas águas possam ser coletadas pelas bocas-de-lobo e carreadas para as galerias de águas pluviais. Os sucessivos recapeamentos das vias interferem nesta geometria e provocam o surgimento de áreas com poças de águas das chuvas, verdadeiros criatórios de mosquitos.

Há certa dificuldade em identificar pessoas que possam localizar as poças de águas de chuva. Entendo que à falta de agentes públicos que tenham atribuição parecida, os garis poderiam ser orientados a localizar estes locais e repassar as informações a quem de direito para que se façam as correções, dada a gravidade da situação.

Observadores de Aves do Planalto

Crédito Fotos: Leninha Caldas

No sábado, 19 de dezembro, os Observadores de Aves do Planalto receberam uma singela homenagem no Parque Olhos D’Água situado na Quadra 413 Norte. O evento começou cedo. Os observadores, inicialmente, às 7 horas da manhã, fizeram uma passarinhada e foram observar e fotografar no Parque, um de seus locais preferidos pela diversidade das aves e pela facilidade de acesso.

Mãe-da-Lua Foto de: Leninha Caldas

Mãe-da-Lua
Foto de: Leninha Caldas

Naquela manhã foram brindados com uma Mãe-da-Lua, ou urutau, que, segundo eles seria uma fêmea e que estaria chocando. A Mãe-da-Lua tem hábitos noturnos, caça insetos. Mede entre 33 a 38 centímetros de comprimento e pesa entre 25 e 202 gramas.

Ela se confunde com o tronco da árvore e passa desapercebida. A ave possui duas fendas na pálpebra superior, o que permite que mesmo imóvel e de olhos fechados, observe os arredores.

A homenagem iniciou às 9 horas com um café da manhã e a abertura de uma exposição com 12 painéis com desenhos de pássaros elaborados pela design Jana Ferreira, a partir de fotos indicadas pelo curador da mostra e do evento, o Arquiteto Tancredo Maia Filho, integrante do grupo de Observadores de Pássaros do Planalto. Ele é autor dos livros “Aves: Parque Olhos D’Água” e “Nasce um Beija-Flor”, este último em coautoria com Madalena Rodrigues e Ribamar Fonseca.

passarinhar_tancredo

Maria Maia, Tancredo Maia Filho e Jana Ferreira
Foto de: Leninha Caldas

Tancredo selecionou, a pedido da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores do Distrito Federal – Cooservcred, pássaros para ilustrarem o calendário e outros materiais de brinde da cooperativa para 2016. Os pássaros selecionados ocorrem no Distrito Federal, onde alguns são permanentemente encontrados aqui e outros migratórios.

Inúmeros observadores estiveram no evento, entre eles Rogério Castro, servidor do IBRAM que distribuiu material sobre frutos comestíveis, animais e aves do Cerrado.

Os observadores desenvolvem um importante trabalho de identificar e classificar as aves, em especial os pássaros que aqui ocorrem. Eles já conseguem identificar, especialmente entre os migratórios, o período em que aqui estão e as árvores onde eles param, nidificam e se reproduzem todos os anos.

Valdi, Bertrando Campos e Jana Ferreira. Foto: Leninha Caldas

Valdi, Bertrando Campos e Jana Ferreira.
Foto: Leninha Caldas

As gravuras de Jana Ferreira foram muito disputadas. Como havia mais interessados que desenhos estes foram sorteadas entre os presentes. A Cooservcred presenteou a cada um com uma sacola contendo vários utensílios de escritório ilustrados com pássaros.

Ensino Fundamental e Escola Pública

Gabi estava ansiosa, sua mãe mais ainda. Gabi iria terminar o Jardim de Infância e mudar de escola. Foram três anos nos quais recebera toda a atenção das “Tias”. A escola sempre muito bem cuidada, com todos os equipamentos necessários, o lanche sanduiche natural com suco, cookie e leite achocolatado, pipoca, suco e algodão doce.

Aquilo que não é suprido com os recursos da Secretaria de Educação é adquirido com recursos de rifas promovidas pela Associação de Pais e Mestres. Aquele Jardim de infância funciona como uma comunidade para satisfação dos professores, servidores, pais e alegria das crianças.

A apreensão maior dos pais de Gabi é com a escolha da nova escola. A experiência gratificante naquela escola pública não é suficiente para garantir a escolha de outra escola pública no ensino fundamental. O futuro de Gabi está em jogo.

As escolas públicas estão distribuídas pela cidade, próximas das moradias evitando cruzar a cidade para levar e buscar Gabi no início e no término da aula. As edificações são projetadas para acolher os alunos com o conforto necessário, com iluminação apropriada, a área de recreação suficiente.

Entretanto, há reclamações quanto a manutenção das escolas do ensino fundamental. Existem goteiras em algumas, banheiros quebrados, acesso não controlado com consequente insegurança, falta de equipamento pedagógico, instalações elétricas e hidráulicas sem manutenção etc.

O que assusta mais aos pais de Gabi é a possível falta não só de professores, mas também de pessoal administrativo, de vigilância, de alimentação, de limpeza com reflexos no resultado do aprendizado, da segurança etc. A falta de pessoal é diagnosticada pela não reposição dos que se afastam para licença de saúde, maternidade, licença prêmio e outras. A Secretaria de Educação até dispõe de um quadro de contrato temporário, mas por algum motivo os profissionais nem sempre são repostos.

Mesmo tendo que cruzar diariamente a cidade para levar Gabi à nova escola e sacrificar o orçamento doméstico os pais de Gabi optaram por uma escola privada. Essa situação não é nova, a cada ano mais e mais famílias deixam de matricular seus filhos na escola pública. Parece que recursos públicos não faltam. Talvez o modelo de gestão esteja defasado e já não seja adequado às demandas próprias do ensino público no DF.

Postos de Combustíveis, Prisões e Planejamento

Fomos todos surpreendidos com a prisão de empresários da área de combustíveis acusados de promover a cartelização com o fito de aumentar os preços em prejuízo dos consumidores. O assunto fora objeto de CPI na Câmara Legislativa do DF e de denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão do Ministério da Justiça ao qual compete apurar tais práticas. As iniciativas anteriores não logram efeitos práticos.

Há algum tempo tramita na Câmara Legislativa local um projeto de lei que autoriza os supermercados a instalarem postos de combustíveis junto a suas lojas. O projeto teria o propósito de aumentar a oferta e assim reduzir os preços praticados.

Essa questão de postos e áreas para sua instalação já foi objeto de processos de improbidade no Tribunal de Justiça do Distrito Federal envolvendo gestores e Deputados Distritais. A prática de alterar a destinação de uso de terrenos para permitir a instalação de postos de combustíveis e outros atividades de alto rendimento teria proporcionado o pagamento de propina a governantes e parlamentares.

Desde os anos 90 o Distrito Federal foi vítima da ocupação indiscriminada das terras, de grilagem e de administrações divorciadas do interesse público. A partir daí os órgãos de planejamento, de todo o governo, foram intencionalmente desestruturados deixando de cumprir suas atribuições e foram voltados para o atender o clientelismo.

A prisão daqueles que vinham atuando de forma caracterizada como ilegal e em prejuízo do consumidor leva a ressaltar a oportunidade de retomar o planejamento e disciplinar a atividade de oferta de combustíveis aos usuários de veículos automotores.

Não considero boa ideia autorizar os supermercados a oferecerem combustíveis. São poucos aqueles que dispõem de áreas adequadas a implantar postos com os requisitos de segurança e com pátios para instalação de bombas de abastecimento e área de manobras dos veículos. Os supermercados com áreas adequadas pertencem a poucas redes que aumentariam seus lucros, sem sequer, influenciarem na definição de preços.

Os órgãos de planejamento urbano e regional deveriam identificar as áreas disponíveis ao longo das vias de ligação e de distribuição, calcular a demanda reprimida deste tipo de serviço e oferecer, via Terracap, um número de áreas de postos que permitissem a desconcentração da propriedade conforme ocorre atualmente. Poderiam vender apenas um lote para cada CNPJ. Assim seria democratizado o acesso a esse tipo de comércio e dificultado o estabelecimento de cartéis.