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Monthly Archives: setembro 2015

Chuvas e Acidentes

Nesta semana foi publicado que um estudante da Universidade de São Paulo (USP), desaparecido há seis dias, foi encontrado em um poço de visita da rede de águas pluviais. Uma senhora passando próximo à boca do poço ouviu ruídos, chamou por ajuda e o rapaz foi encontrado. Estava debilitado, desidratado. Não tivesse sido ouvido poderia ter ali perecido.

Há casos publicados de pessoas arrastadas por enxurradas. Estas, se avolumam pelo mal funcionamento do sistema de coleta. Bueiros mal dimensionados ou mal localizados e que por isso não recolhem as enxurradas.

As águas não sugadas pelos bueiros vão se juntando a outras escorridas de outras áreas e se transformam em corredeiras em plena via pública. Vimos na última temporada de chuvas um senhor ser arrastado em São Paulo.

No Distrito Federal, o Setor Sul da Cidade Satélite do Gama sofria deste problema há muitos anos atrás. Há registros de várias pessoas pegas de surpresa e arrastadas pelas águas. Nas localidades onde há vias longas e declividades acentuadas é recorrente o problema de fortes enxurradas.

As ruas da Cidade Satélite de Vicente Pires, não são assim tão inclinadas, mas são muito longas e os bueiros, por entupimento ou por mal dimensionamento não conseguem coletar todas as águas. Estas correm sem obstáculos e alcançam altas velocidades. Nos locais onde a capa asfáltica têm alguma imperfeição as águas penetram por baixo da capa e a levantam com extrema facilidade deixando crateras pelas vias.

Além do volume e da velocidade das águas, os alagamentos têm causado vítimas e perdas materiais. Os locais de alagamento são conhecidos. Os alagamentos se repetem a cada ano, como é o caso da W3 Norte, ao lado do Brasília Rádio Center, no Setor de Rádio TV Norte. A faixa que segue sentido Eixo Monumental foi implantada em cota abaixo da faixa sentido final da W3 Norte. O alagamento é totalmente previsível.

As chuva chegaram definitivamente. Obras de acerto dessas situações são próprias para serem executadas no período das secas. Dá para remediar fazendo a limpeza dos bueiros e bocas de lobo e não os deixando abertos.

Palmeira Imperial e a Rede de Energia

Os eixos auxiliares Leste e Oeste receberam as palmeiras imperiais ainda nos anos 80, acredito que por volta do ano de 1986. Há quem entenda que foram plantadas com muito espaçamento ou até que elas não seriam a melhor espécie para ali estar. Passados 30 anos elas cresceram, algumas se perderam outras foram repostas.

Uma delas, localizada ao lado da passagem que liga a SCLN 208 à SCLN 108 não pode crescer. Suas folhas, palmas, são cortadas com frequência pois implantaram uma rede de energia elétrica exatamente em cima daquela palmeira. Inicialmente fiquei em dúvida se a palmeira teria sido plantada após a construção da rede de energia elétrica, mas constatei pela data de plantio que a rede de energia veio depois, pois a construção da SQN 208 é posterior a 1986.

Também não seria aceitável que mesmo sabendo que ali havia uma palmeira imperial plantada e que ela alcança 30 metro de altura um profissional definiria o eixo da rede exatamente sobre a planta. Naquele local há muito espaço para a construção do sistema de transmissão de energia. Cinco metros para o lado não traria qualquer prejuízo para a obra. Há, inclusive, outra rede ao lado daquela que sufoca a palmeira.

Outro aspecto da questão é que o Plano Diretor de Energia Elétrica não prevê a construção de redes aéreas no Plano Piloto de Brasília. Em diversas oportunidades o Instituto Histórico e Geográfico manifestou-se contra sua implantação. Aquele Instituto também se manifestou contra a poda de árvores por parte da CEB sem a prévia consulta e autorização do Instituto Brasília Ambiental – IBRAM.

Além daquelas que cruzam o Eixo Rodoviário Norte, há várias redes implantadas no Plano Piloto de Brasília. Há uma na altura da Setor de Autarquias Norte. Tudo indica que ela tenha sido implantada recentemente para atender a construção da sede do Banco do Brasil naquele local. Inicialmente implantaram uma na Esplanada junto a Catedral, depois fizeram outras no Parque da cidade. Há algumas que passam pelas Super Quadras. Em todas elas há poda indiscriminada das árvores, deformando-as e pondo em risco sua segurança.

Creio que a melhor solução será retirar todas as redes aéreas do Plano Piloto. Enquanto isso não acontece, é o caso de afastar a rede que cruza o eixo na altura da SCLN 208 e que sufoca aquela palmeira. Suas folhas são cortadas impedindo que ela se desenvolva, o que por certo a levará a morte. Salvemos a palmeira da SCLN 208.

Chuvas, Flores e Alimentos

Choveu nos últimos dias e o clima que andava escaldante voltou a ser aquele que se espera no inverno, com baixas temperaturas. Uma pontinha de inverno às vésperas da primavera que chega no dia 23 de setembro.

As chuvas melhoraram a umidade relativa do ar e provocaram os ipês que soltaram suas flores com vigor. Os amarelos que estavam adormecidos, os brancos que florescem nesta época e os rosa que anteciparam seu desabrochar. Todos revigorados pelas chuvas.

Eis que uma recente reportagem sobre os efeitos da estiagem na produção de alimentos, um repórter foi a uma fazenda do Distrito Federal em busca de subsídios para dar verossimilidade à sua tese de que a falta de chuvas provocaram o aumento dos preços dos alimentos.

As imagens mostravam uma lavoura de milho. O repórter abriu uma espiga, seca, que aberta possibilitava ver os grãos de bom tamanho que cobriam todo o sabugo. Tinha sido uma boa produção. A colheitadeira recolhendo os pés de milho, debulhando as espigas e lançando os grãos no caminhão que a acompanhava exibia o quão profícua fora a plantação.

Apesar da contradição nas imagens, o repórter dizia que tinha sido péssimo o resultado. Ao entrevistar o fazendeiro, este preferiu falar de generalidades e não tocar no assunto do milho. Sabe-se que milho colhido nesta época foi plantado a cem dias atrás, ou seja, em junho, em período de seca. Trata-se de milho irrigado que não depende de chuvas.

A seguir, foram mostradas hortaliças tubérculos e frutas em um mercado e dito que a falta de chuva havia aumentado seus preços. Moradores do Planalto sabem que tais produtos tem menores preços no período das secas pois nesta época há menos pragas a combater e o produtor pode controlar a quantidade de água ofertada às plantas de modo a obter o melhor produto. É só começar as chuvas e o preço do morango, do tomate e outros, dispara.

Nosso clima pode ser duro no período de menor umidade relativa do ar que vai de junho ao início de setembro, mas tem vantagens relativas no manejo de hortifrutigranjeiros. Durante as chuvas muitos dos alimentos são produzidos em estufas devido ao alto índice de pluviosidade durante o período chuvoso com média de 1.800 mm ao ano. Toda esta água alimenta os lençóis freáticos que irão manter nossos rios e córregos perenes. Temos um clima com extremos que permite uma vida saudável e produtiva.

Código de Obras e Transparência

O atual Código de Obras do Distrito Federal foi instituído pela Lei nº 2.105 de 08 de outubro de 1998. Seu texto foi regulamentado por vários Decretos e num deles introduz afigura do Relatório de Impacto de Trânsito, as Medidas Compensatórias e as Medidas Compensadoras.

Aquela norma foi expedida sob o pressuposto de que tais medidas, como seus nomes indicam, poderiam reduzir os efeitos e impactos causados pela trânsito gerado pelas edificações a serem licenciadas, daí porque suas proposições são condição para a expedição do Alvará de Construção.

As medidas Mitigadoras são definidas pelo Decreto nº 33.740 de 28 de junho de 2012 como aquelas “capazes de reduzir, amenizar, atenuar, reparar, controlar, ou eliminar os efeitos indesejáveis provenientes da implantação e operação do empreendimento no trânsito, considerando a segurança viária, as alternativas por modo de transporte não motorizado e coletivo, e o retorno a nível de serviço satisfatório ou à condição inicial de relação volume/capacidade sem o empreendimento.”

As Medidas Compensatórias definidas no citado Decreto: “são aquelas exigidas para compensar os danos não recuperáveis ou mitigáveis causados pela implantação do empreendimento devendo ser proporcionais ao grau de impacto provocado pelo empreendimento ou pelo funcionamento da atividade…”

Tais normas não estabelecem que medidas são preconizadas para cada caso, sua ordem de grandeza, o que pode ser mitigado ou compensado, em que situação devem ser aplicadas ficando totalmente ao arbítrio de quem as analisa.

O autor de um projeto viveu caso intrigante recentemente. Com projeto de arquitetura aprovado, ele elaborou o Relatório de Impacto de Trânsito ao qual foram atribuídas Medidas Mitigadoras. Tais medidas eram a construção de calçadas e outras pequenas obras nas imediações. Ao apresentar o laudo ao órgão competente para obter o Alvará de Construção o responsável disse não achar que tais medidas eram suficientes.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação está se propondo a revisar o atual Código de Obras do Distrito Federal. As normas devem ser claras. Vagas de garage e disposições relativas às edificações devem estar no Código de Obras, políticas de trânsito, transportes, acessibilidade definidas pelo planejamento urbano.

Folhas, Chuvas e Inundações

A vegetação do cerrado, em especial aquele em altitude acima de 900 metros, tem a característica de se proteger da seca reduzindo suas folhas. Suas espécies endêmicas tendem a ser caducifólias, decíduas. Desta forma, elas reduzem suas atividades ao mínimo à espera das chuvas que vêm com a primavera e o ciclo recomeça.

A perda das folhas se dá por abscisão foliar. Um tecido cicatricial começa a se formar no pecíolo que une a folha ao caule. A passagem de água e nutrientes para a folha é interrompida gradativamente até que a folha finalmente caia. Assim a planta reduz suas atividades metabólicas durante a seca.

Os ipês, grande paixão de Brasília, fazem cair suas folhas antes de lançar suas flores. As flores tomam toda a árvore. Ao final da florada os ipês renovam suas folhas e iniciam a produção das sementes que serão dispersas pelo vento.

Todas essas folhas podem ser vistas nos gramados da cidade, nas ruas, nas calçadas, nas praças e em todo tipo de logradouro onde existam árvores nativas ou não. Junto com as folhas há sementes, restos de frutos, pedaços de galhos etc. Há ainda terra solta, restos de materiais e até restos de lixo, especialmente no interior das quadras.

Nos tempos idos, quando o próprio SLU fazia a coleta e disposição final dos resíduos sólidos no Distrito Federal, era costume recolher as folhas e todo material solto nas vias e logradouros. Lembro que nos anos 60 o SLU dispunha de caminhões que varriam e lavavam as ruas da cidade nas madrugadas. Sua ação garantia limpeza das ruas. Vi caminhões como estes, há poucos anos, operando em cidades da França.

Pois bem, as primeiras chuvas chegam com a primavera, na terceira semana de setembro. Será muito bom para os que aqui vivem, sejam do reino animal ou vegetal. Com as chuvas virão as cigarras como que alertando para a vida que se renova.

Todas essas folhas e outros materiais acumulado nas vias e logradouros serão carreados para as galerias de escoamento das águas pluviais. O acúmulo desse material nas galerias reduzirá sua capacidade de escoamento e ai vão se repetir os alagamentos das tesourinhas e de todos os locais com depressões causando transtornos, prejuízos e até mortes. Tudo isso é previsível como é previsível o começo das chuvas. É hora de limpar as galerias e remover esse material sujeito a ser levado pelas enxurradas, ainda que não seja com a utilização dos caminhões dotados de vassouras rotativas.