Skip to Content

archive

Monthly Archives: agosto 2015

Corujinha Buraqueira

foto: Marcos Henrique Achado para Wikiaves.

Surpresa! Saindo do Eixo Rodoviário Norte, sentido Lago Norte, ao entrar na alça de acesso à pista que liga as quadras 100 às 200, um metro e meio abaixo da pista do Eixo e uns três metros acima da via de ligação havia uma nova moradora recém instalada.

Uma corujinha pequena, um tanto menor que uma coruja já plenamente desenvolvida. Há um buraco e algumas penas brancas na entrada. Ela impassível, de pé voltada para a via onde os carros passavam. Nenhum movimento, somente aquele olhar direcionado para os carros, como que para avaliar se eles se voltariam para sua toca, seu ninho.

A coruja buraqueira, apesar de não esboçar qualquer gesto em busca de contato com os humanos, de se deixar domesticar ou permitir a aproximação são os pássaros mais fotografados. Além disso, contam com a simpatia da população do Distrito Federal.

Pode-se especular que esse sentimento seja por sua bravura em defender o ninho, especialmente quando há filhote ali. Nestas ocasiões se um desavisado se encaminha na direção do mesmo ela parte para o ataque, faz vôos rasantes sobre aquele que se aproxima. Caso o desavisado pretenso atacante não perceba a gravidade da situação ela ataca com as garras e bica sua cabeça até que seu alvo mude de rota.

Pode ser pela elegância como se posta e acompanha impassível o movimento à sua volta movendo a cabeça para os lados em movimentos de até 270º. Esse movimento é possível por sua estrutura óssea e por sua rede de vasos sanguíneos, segundo estudo de cientistas da Universidade de Medicina Johns Hopkins publicado na revista Science em 1º de fevereiro de 2013.

Pode ser ainda, por seu comportamento discreto de não se intrometer na vida dos demais. Ela permanece na entrada da toca à espera de insetos ou de pequenos animais, eventualmente voa a busca de alimento, mas no geral não se mete com ninguém. Esse comportamento coincide com o dos moradores da Superquadras que mal interagem com os vizinhos do seu andar, aquele que usa o mesmo elevador que ele. Não sabe seu nome, não o visita, apenas e às vezes, o cumprimenta formalmente quando juntos no elevador.

As corujas, como os demais pássaros têm função importante no equilíbrio ecológico do meio ambiente. Sem eles o número de insetos seria muito grande. Eles não são os únicos predadores dos insetos, mas no meio urbano, com poucos predadores, cabe a eles essa função. Espero que a corujinha mantenha ali seu ninho por um longo tempo.

Gestão e Resultados

Um grupo de moradores realizou um exaustivo trabalho de levantamento de ocupações irregulares nas áreas tombadas incluindo Asa Norte, Asa Sul, Cruzeiro, Octogonal e Sudoeste. Usaram máquina fotográfica, bloco de notas e GPS. Com este aparato simples localizaram 1.041 ocupações irregulares com quiosques, trailers, reboques, tendas e pontos de táxi em estacionamentos, calçadas e áreas verdes.

O trabalho não se voltou para os puxadinhos, a pavimentação de áreas verdes para expansão do comércio, as cercas em áreas públicas para fins de uso privado, a vedação de acesso a pilotis de prédios residenciais ou comerciais, a ocupação de calçadas por camelôs etc.

A cidade tem acompanhado e até tomado partido nas discussões sobre a desocupação de áreas públicas como invasões no Sol Nascente, áreas destinadas a equipamentos comunitários no Vicente Pires e a desocupação da Orla do Lago conforme determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

O que identifica os casos acima é o fato de que a ação do governo só se dá depois de instalada a irregularidade, depois de judicializada a questão, ou seja, a pessoa invade, constrói, o governo vai à justiça pedindo autorização para exercer sua responsabilidade que é cuidar do patrimônio público. Ou de outra forma, o ocupante é avisado que sua ocupação será demolida e ele vai à justiça em busca de liminar que impeça a desocupação.

Em todos os casos há um dispêndio enorme de recursos públicos e privados pela ausência da fiscalização prévia. O invasor conhece inúmeros casos de ocupantes que nunca foram molestados e também casos em que as ocupações foram regularizadas.

Muitos usam todas as suas economias para construir suas moradias ou locais de trabalho. Alguns, por estarem em local visível ou sujeito a alguma ação pública são alcançados pela ação do estado e perdem todas as suas economias.

A fiscalização da ocupação de áreas públicas ficava a cargo das Administrações Regionais até um tempo atrás. Essa fiscalização foi unificada e hoje as Administrações não têm nenhuma ingerência no assunto. Está claro que o modelo atual não atende a necessidade de garantir que o espaço público não seja ocupado irregularmente. Isso em prejuízo de todos. É hora de repensar esse modelo.

Pássaros de Brasília

As aves e pássaros encontrados no Distrito Federal, e em especial em Brasília chamam a atenção. Eles aprenderam rápido que os humanos atualmente aqui residentes, em geral, não têm por prática caçá-los. Não usam bodoques ou estilingues, nem mesmo espingardas cartucheiras. Isso é o que se vê em Brasília. Não posso afirmar que o mesmo ocorra nas chácaras e nas redondezas.

Por vezes tive que parar o carro na SQN 205 Norte pois um certo sabiá era dado a tomar banho numa poça de água que se formava na via de acesso e ele não se retirava com a aproximação do veículo. Havia uma confeitaria na comercial da 307 Norte onde pardais pousavam no espaldar da cadeira esperando receber comida da mão de quem lanchava.

O site Wiki Aves tem o registro, até 10 de agosto de 2015, de 422 espécies fotografadas no Distrito Federal. O Wiki Aves é um site, mantido por usuários, voltado para o registro de imagens e sons das aves. Ali elas são classificadas por famílias e espécies, pela região de ocorrência.

As aves fotografadas no Distrito Federal ou que tiveram ainda os sons registrados e que incorporadas ao catálogo do Wiki Aves têm origens diversificadas. Muitas são endêmicas no planalto central, outras ocorrem em regiões do Brasil e migram para cá em épocas do ano. Há ainda as que vêm da América do Norte ou do extremo Sul das Américas nos períodos de inverno naquelas regiões.

Algumas são muito conhecidas e vistas. A campeã absoluta de registro com 296 fotos no Wiki Aves é a coruja-buraqueira. Buraqueira porque faz seu ninho no chão, em um buraco inclinado que ela cava. É fácil fotografá-la, pois costuma ficar junto à entrada da loca protegendo os filhotes. Quando alguém se aproxima ela dá voos rasantes.

O beija-flor-tesoura com 285 fotos, o periquito-de-encontro-amarelo com 282, o sabiá-do-campo com 260, o joão-de-barro com 242, são os mais fotografados depois da coruja-buraqueira. Há o carcará com 219 fotos, o soldadinho 204, baiano 241, saíra-amarela com 208, saí-azul com 205, tiziu com 203 e tesourinha com 212, entre os mais fotografados.

As pessoas que registram as aves são apaixonadas pelo que fazem. Tancredo Maia, arquiteto e observador de aves, relatou que um determinado pássaro havia sido visto no Parque Nacional de Brasília. Ele e alguns fotógrafos passaram lá um dia e não o encontraram. Ainda assim, ele disse que a experiencia foi maravilhosa.

Preservação, Ocupação e Uso do Solo

O Portal do Governo do Distrito Federal publicou no dia 23 de julho de 2015 a notícia de que será constituído conselho consultivo para discutir políticas de preservação e planejamento territorial. Esse conselho teria o propósito de discussão. Não seria deliberativo. As decisões ficariam a cargo da Secretaria de Gestão do Território e Habitação.

A composição do conselho teria um terço de representantes do governo. Os demais seriam membros de organizações da sociedade civil, acadêmicos, movimentos sociais e entidades políticas escolhidas em chamamento público. Os conselheiros teriam mandato de dois anos renováveis por mais dois.

Os pontos polêmicos das políticas de preservação e planejamento territorial são o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB e a Lei de Uso e Ocupação do Solo – LUOS. Projetos de lei tratando desses assuntos foram apresentados à apreciação da Câmara Legislativa pelo governo passado e causaram muitas discussões. Os ânimos se acirraram e ao fim os projetos foram retirados.

Muitos dos profissionais afetos ao assunto se posicionaram contra aspectos que entendiam ser um risco à preservação da área tombada, ou seja o Conjunto Urbanístico de Brasília. O projeto de lei de ocupação e uso do solo foi visto como inadequado para coibir os abusos permitidos e institucionalizados por governo anteriores.

Em certo momento houve o receio de que o Comitê do Patrimônio Mundial designado pela UNESCO, retirasse de Brasília o Título de Patrimônio Cultural da Humanidade, título este a ela concedido por iniciativa do ex-governador José Aparecido de Oliveira. Esse Comitê, em estudo promovido pela Missão UNESCO 2012 decidiu manter o título em um Relatório Final onde foram feitas 38 recomendações a respeito da preservação.

O Comitê do Patrimônio Mundial manifestou específica preocupação com o arcabouço jurídico, a estrutura institucional, com o PPCUB, com os limites das áreas protegidas e zona tampão, com a escala territorial, o transporte público, a área protegida, a orla do lago e áreas específicas. O GDF teria se comprometido com tais recomendações.

É desejável que os estudos e propostas desse conselho e dos órgãos de decisão do governo sejam longos o suficiente para aprofundar as propostas e rápidos o quanto possível para evitar que maiores dados sejam impostos à cidade.