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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: Março 2015

Invasões na Orla do Lago e Nova Jerusalém

Poucos governadores viram em Brasília a dimensão de capital da República. Muitos, na maioria das vezes, a via como uma cidade qualquer e a administravam como tal. O então governador Hélio Prates costumava exemplificar, em reuniões com seus auxiliares, que em Dom Pedrito, sua cidade natal, as questões em exame eram resolvidas de tal ou qual forma.

José Aparecido de Oliveira foi o primeiro governador a tratar Brasília como a Capital de Todos os Brasileiros. Para isso não poupou esforços em identificar os fatos históricos e aqueles que levaram a sua construção. Ele se empenhou em dar destaque a dimensão internacional de Brasília. Foi dele a iniciativa de fazer de Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade.

O Governo de José Aparecido era firme na fiscalização de invasões. O Arquiteto Carlos Magalhães foi, à época, Secretário de Obras e tinha sob sua responsabilidade a fiscalização da ocupação e utilização das áreas no Distrito Federal. Carlos Magalhães iniciou a construção da ciclovia na QL 12 com o propósito de liberar a orla do Lago Paranoá para uso público. Jose Aparecido foi removido do Governo do Distrito Federal e nomeado Ministro da Cultura.

A Justiça do Distrito Federal, em decorrência de iniciativa do Ministério Público, decidiu, em última instância pela desocupação de toda e qualquer presença privada a uma distância de 30 metros do espelho ocupado pelo Lago em sua maior cota. O Governo vem tratando a questão com o maior cuidado e foi noticiado que de início somente as cercas seriam retiradas. A remoção tem o propósito de dar acesso ao Lago a toda a população, pois aquela faixa de 30 metros é área pública.

Uma associação de moradores alega que ao privatizar as áreas públicas eles “evitavam que fossem invadidas”. Alegam também que urbanizaram e fizeram benfeitorias. Eles construíram ali áreas de lazer, ancoradouros, salas de recreação. Essas construções seriam poupadas da ação governamental inicialmente.

Não foi assim que a fiscalização agiu em Nova Jerusalém, uma invasão para fins de moradia junto a invasão do Sol Nascente que estaria em fase de regularização. Lá a Agefis, com apoio da tropa de choque, retirou as famílias de dentro das casas construídas por elas e as demoliu, deixando mulheres, crianças e idosos ao relento.

Postos Comunitários de Segurança

A cada dia é noticiado o incêndio de um Posto Comunitário de Segurança. Os postos,em número de 130, , foram construídos no Distrito Federal entre 2006 e 2010. Cada um custou pouco mais R$ 700 mil somando ao todo R$ 215 milhões. Eles tiveram por modelo os postos comunitários da polícia de Tóquio e o propósito de aproximar a atividade policial das populações locais. No início deste ano o Comando da Policia Militar divulgou seu propósito de desativar todos eles.

Os policiais que atuavam nos postos em muitos casos se candidataram para trabalhar ali, entendendo que no posto teriam mais tranquilidade que trabalhando nas ruas. O treinamento dado a eles em cursos não foi suficiente para mudar o relacionamento deles com a comunidade. Os postos não contavam com o mínimo desejável para a permanência dos policiais ali ou mesmo para o desempenho de suas atividades.

Segundo o trabalho de conclusão do Curso de Especialização em Segurança Pública elaborado por Aderivaldo Martins Cardoso: Uma Análise dos Postos Comunitários de Segurança, os postos apresentavam as seguintes deficiências: 1) Não havia viaturas; 2) Poucos possuíam rádios e quando possuíam alguns não funcionavam direito; 3) Poucos possuíam telefone; 4) Não havia nenhum ponto de acesso à Internet; 5) Nenhum possuía computadores, somente particulares; 6) Nenhum possuía água para consumo dos policiais.

Algumas cidades contam com Conselhos Comunitários de Segurança. Em alguns casos, onde esse Conselho de fato veio a funcionar, foi possível melhorar a sensação de segurança com a iluminação de áreas esportivas, de becos e de passarelas pela Administração Regional. Mas mesmo nestas comunidades a polícia lotada nos Postos Comunitários tiveram pouca ou nenhuma participação nestas reuniões, mesmo porque a estrutura vertical e centralizada de comando não lhes permitia tal participação.

A polícia comunitária seria aquela que não apenas recolheria as pessoas inadaptadas ao convívio, mas aquela que ajudaria a orientar e ouviria da população suas demandas e contribuições conforme no modelo japonês. O posto não tinha função, não podia registrar uma ocorrência pois essa atribuição é da polícia civil, não podia patrulhar pois era vedado abandonar o posto. Falou-se em dar a eles outra destinação, Detran, SAMU ou Conselhos Tutelares.

Os postos e a relação polícia/comunidade aguardam solução.

Horta, Lazer e Saúde

O Condomínio de um dos blocos da quadra 416 Norte decidiu implantar uma horta comunitária. A horta é aberta a outros moradores de blocos vizinhos. Planta quem quer e o que lhe apraz. Não parece haver predeterminação. Havia ali pés de quiabo, de berinjela, abóbora concorrendo com a grama, manjericão, couve, que sempre há nas hortas, alface, bananeira, mamoeiro, tomateiros, enfim, um pouco de cada.

A horta pode ser cuidada apenas no final da tarde, ou no início da manhã. Toma pouco tempo e rende muito. Algumas variedades dão pouco ou nenhum trabalho. Cenouras, rabanetes, beterrabas e outros tubérculos, uma vez transplantados crescem por si. Em tempo de chuva não requerem mais cuidados.

As folhosas são diferenciadas mas gratificantes. Algumas requerem uma sementeira em separado, área de sombra, assim como o alface, mas uma vez transplantados requerem apenas água. A couve, com uns pouco pés, pode-se abastecer várias cozinhas. O quiabo, o jiló, a berinjela, o pimentão costumam produzir por um bom tempo.

Mesmo o morango é de fácil cultivo. Caso não haja estufa é melhor plantá-lo na época da seca. Molhado e em contato com o chão ele apodrece. Assim é preparar os canteiros com boa adubação e transplantar a mudas. É preferível cobrir as leras com uma lona plástica de modo a evitar o contato dos frutos com o solo.

O terreno destinado às hortas não precisa ser muito grande, especialmente se for para um bloco de apartamentos. Melhor escolher, se possível uma área que não seja passagem de pessoas ou animais. A incidência do sol deve ser pela manhã e se possível que o sol da tarde não atinja a plantação.

Essas hortas pequenas podem ser controladas sem o uso de agrotóxicos. A maioria das culturas não demandam maiores cuidados, mas algumas demandam ações diretas. Em caso de ataque por pragas elas podem ser controladas com soluções contendo fumo ou sabão. Basta borrifar sobre as folhas e os pulgões e lagartas desaparecerão.

A horta permite uma atividade lúdica, excelente para dissipar as tensões do dia-a-dia. É uma verdadeira terapia ocupacional, seja para o estressado do trabalho seja para o aposentado. O tempero ou a folhosa colhidos na hora tem sabor especial. Na quadra há
terra disponível e o plantio da horta em comunidade não fere qualquer postura oficial.

Plantar a horta intensifica o convívio dos moradores e reduz o custo dos alimentos.

Eventos Públicos e o FAC

Neste domingo, 1o de março, alguns chefs de cuisine promoveram um ato de degustação em pleno Eixão, nas cercanias das quadras 111/211 norte. O evento atraiu milhares de pessoas interessadas em substituir o almoço pela degustação de iguarias a preços de comida de rua. Casais com carrinhos de bebês, grupos de amigos, confrarias de degustação, avós, tias, entre outros, estavam todos lá nas filas, congestionamentos, desistências, gramados tomados pelos carros etc.

Após as primeiras tentativas aquela horda faminta tomou os restaurantes das redondezas. Tampouco ali havia mesas disponíveis. Após a primeira exploração o que não havia mais escolha. Sentavam onde havia mesa disponível, independente do cardápio oferecido.

Esse cenário não é novo. Numa recente promoção de restaurantes, aqueles que participavam do evento foram tomados por novos frequentadores que queriam fazer parte daquele evento. Não que os pratos fossem novos, mas era uma promoção. Vontade de participar, pertencer.

Também vemos situações parecidas nos encontros no CCBB, seja nas exposições de grandes pintores, atividades de teatro, mostra específica de cinema. Nas apresentações teatrais no Museu da República há necessidade de fechar a circulação de veículos nas imediações, tal a aglomeração de pessoas.

Pois bem, diante dessa carência de eventos culturais, degustativos e outros, entendeu-se por bem, dar outra destinação aos recursos de fundos do Governo do Distrito Federal.

Entre esses fundos destaca-se o Fundo de Apoio à Cultura. Esse fundo tem cadastrado mais de seis mil promotores culturais que atuam em cinema, teatro, música, literatura e outras atividades que poderão ser financiadas pelo FAC.

Cada atividade envolve dezenas de pessoas. São gráficos, técnicos de som, iluminadores, fotógrafos, cenaristas, designers, músicos, atores, diretores, motoristas, carpinteiros, eletricistas que fazem acontecer no Distrito Federal a economia criativa.

Os projetos culturais são elaborados com antecedência. Dependem da disponibilidade dos espaços, dos atores, cantores, músicos. A indisponibilidade de recursos pode inviabilizar as realizações aprovadas anteriormente. O grande afluxo dos brasilienses a tais acontecimentos mostra que faltam eventos. É vital viabilizar o FAC, sem percalços.