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Monthly Archives: janeiro 2015

Lagarta no Shopping

Ao sair de um shopping, passando sobre um daqueles tapetes grandes que ficam nas suas entradas, para evitar que água ou algum material dos sapatos possa sujar o piso dos corredores e lojas, me deparei com uma lagarta nada comum. Tinha cerca de 10 centímetros, listras pretas e amarelas no torso e cabeça vermelha. Aliás, ela parecia ter duas cabeças, pois suas extremidades eram iguais. Sua presença ali era insólita, a lagarta fica apenas onde há comida, folhas verdes.

Espantado com a lagarta, que se movia alheia aos olhares, e maravilhado com sua beleza fui abordado por um homem jovem, com aparência de menos de 30 anos. Ele disse: “Não peço dinheiro, peço que me comprem uma furadeira elétrica, para que eu possa trabalhar. Sou ex-presidiário. Um outro casal vai comprar para mim um kit de ferramentas. Sá me falta a furadeira”

O jovem era branco, muito magro e de estatura mediana. Sua pele e cabelos, sem viço, denunciavam falta de exposição ao sol. Faltavam-lhe dois dentes, o incisivo e o canino inferiores esquerdos. Trajava uma camiseta branca de malha, uma bermuda multicolorida, surrada e chinelas, tipo havaianas, brancas, pequenas para seus pés.

Enquanto ele falava não tirei os olhos da lagarta, temeroso de que alguém pisasse nela. Outros que passavam paravam para vê-la. Tratava-se de uma larva de mariposa da família Sphingidae, da ordem Lepidóptera. A lagarta é bela, a mariposa nem tanto. Só saí de perto quando ela foi colocada em um vaso de plantas ao lado, pelo próprio rapaz, com a ajuda de um jornal.

A maioria dos presos é composta de jovens. Há entre eles aqueles com alguma formação escolar, mas quase todos tem baixa escolaridade. Durante o regime prisional pouco se faz para que a tenham. Mesmo atualmente quando há uma profusão de cursos via internet. Quando têm acesso a cursos a distância os familiares têm que arcar com as mensalidades e custos dos materiais.

O Governo oferece aos jovens cursos profissionalizantes e bolsa-formação. O mesmo poderia ser aplicado ao preso interessado com vistas a sua reinserção social. Preparar o egresso do sistema prisional para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade não é privilegio, é construção da paz social. Voltando à lagarta estou certo de que o rapaz a pôs ali para conseguir atenção. Ele está mais para marqueteiro que eletricista.

Inclusão social e mobilidade urbana

Os aumentos dos preços dos combustíveis, os reajustes dos salários dos rodoviários, o aumento dos custos de manutenção dos veículos, peças, pneus, serviços são os motivos alegados para o reajuste das passagens do transporte urbano em várias localidades.

Em São Paulo, capital, o aumento das passagens de R$ 3,00 para R$ 3,50 provocou a realização de algumas manifestações neste inicio de ano de 2015.

Essas manifestações começam pacíficas e durante o seu desenrolar alguns de seus participantes, os blackblocs, se põem a quebrar o patrimônio público, privado, bancos, lojas etc. levando à intervenção da Policia Militar e à dispersão de manifestantes. Essa é a face exposta pela mídia eletrônica, pouco dada ao aprofundamento das questões.

Apesar da superficialidade a opinião formada sobre o assunto é a dessa mídia.

O transporte público que surgiu a partir do século XVIII é fator importante para o mercado de trabalho. O transporte público permite que o trabalhador possa ter emprego longe de sua casa, assim como que a empresa arregimente trabalhadores em área maior.

Medidas de cunho social e de ordem administrativa levaram a gratuidade do transporte público para os estudantes, para os idosos, para os policiais, para deficientes, para grupos de servidores públicos. Essa gratuidade é paga pelo governo local, que transfere às empresas valores arbitrados e estabelecidos em contratos. Esses valores podem chegar a 50% dos valores recebidos pelas empresas.

Os trabalhadores com carteira assinada recebem vale transporte dos empregadores e tampouco arcam com o custo das passagens urbanas. Pagam passagens os autônomos, os desempregados, os empreendedores individuais, as donas de casa. Em outras palavras, os mais vulneráveis na economia urbana.

Estudos demonstram que o repasse dos recursos do vale transporte, pago aos trabalhadores com carteira assinada, para um fundo de transporte público, somados aos repasses dos governos municipais para as transportadoras para um fundo específico seria suficientes para financiar todo o transporte público. O mesmo poderia se dar em regiões metropolitanas. Bastaria uma lei transferindo o vale transporte para os fundos.

A desoneração do transporte público, para os menos favorecidos, daria a eles maior oportunidade na busca de trabalho e redução de seu custo de vida. Seria um avanço nas politicas de inclusão social sem que isso implicasse em ônus para terceiros.

Família No Mané Garrincha

O Flamengo volta a jogar em Brasília neste domingo, 18 de janeiro. O adversário será o Shakhtar Donestsk, time ucraniano que conta com 13 brasileiros no seu elenco.

Desconfio, entretanto, que mesmo estando a Ucrânia e, especialmente a região autônoma de Donetsk, em evidência no noticiário o torcedor irá ao estádio para reencontrar o Flamengo.

O fato de serem praticamente todos os torcedores presentes integrantes de uma só torcida leva a crer que não haverá choques ou confrontos. Os jogos em Brasília não têm apresentado problemas maiores de conflitos de torcidas.

Os torcedores poderão se sentir à vontade para levar toda a família ao estádio, ainda que seja para conhecer o Estádio Mané Garrincha, tão festejado por sua grandiosidade e beleza. Irão as crianças de colo, os maiorzinhos, os tios, as tias, as mães, os avôs, as avós, enfim, toda a família.

Alerta-se que os mais novos e os idosos tenham cuidados com a exposição aos extremos do clima durante o verão. O sol direto, o calor, a espera demasiada são situações que devem ser evitadas para prevenir a insolação, a desidratação e o esgotamento.

Pois bem, os organizadores do evento não disponibilizaram bilhetes com cadeiras numeradas. O Mané Garrincha tem as cadeiras numeradas. Seria normal, em tempos atrás, quando os estádios ainda contavam com a geral, onde o torcedor assistia o jogo em pé. Ficava por duas horas em pé, sob a alegação de que “geraldino” pagava pouco.

Mas havendo cadeiras numeradas no estádio, é crueldade exigir que as famílias gastem sete horas para ver uma partida de futebol. Eles terão que andar três quilômetros para chegar ao estádio. Para crianças e idosos caminharem três quilômetros irão dispender uma hora de marcha, três horas de antecipação para garantir o lugar, duas horas de jogo e outra hora de marcha no retorno. Somando ao todo, teremos sete horas dispendidas com o evento.

Há uma discussão sobre o modelo de administração do Estádio. Seria desejável que, entre todas as cautelas que se impõem para garantir a integridade da obra, sua função social, esportiva e cultural que se assegurasse por norma, de preferência uma lei, que em qualquer evento ali realizado os bilhetes correspondessem a cadeiras numeradas. Essa norma poderia se estender ao teatro, cinema, a todo espetáculo em local fechado.

Escolha dos Administradores Regionais

Sete pessoas foram indicadas, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2015, para responderem pelas 31 Administrações Regionais do Distrito Federal. As Administrações foram agregadas de modo a manter a continuidade territorial. Umas com território maior, outras com mais população, algumas predominantemente urbanas, outras com extensa área rural.

Os Administradores Regionais agora nomeados têm a atribuição de responder interinamente por aqueles agrupamentos de Administrações vez que, nesta segunda, todos os comissionados de livre provimento foram exonerados.

Haveria intenção do novo governo de reduzir o número de Administrações Regionais. As menores, as próximas seriam agrupadas de modo a reduzir seu número conforme estudo a ser feito. Essa redução seria feita necessariamente por lei e a Câmara Legislativa só volta a funcionar em fevereiro.

Observam-se discrepâncias entre as dimensões territoriais e os quantitativos populacionais dos aglomerados populacionais caracterizados como Regiões Administrativas. Cada uma delas tem estrutura administrativa similar implicando em grande número de cargos e funções administrativas. A proposta de agrupamentos de algumas delas sob uma única coordenação teria o objetivo de reduzir custos.

A escolha dos Administradores Regionais é privativa do Governador do Distrito Federal conforme dispõe nossa Lei Orgânica. Há o propósito manifesto de outorgar a escolha às populações de cada região. Não está claro como será este processo. Lideranças locais tem promovido mobilizações e conclaves com o fito de indicar representantes.

Dada a falta de rito definido em regra, fruto de consenso ou resultado de regulação pelo parlamento, todos se julgam legítimos representantes das comunidades e em condições de vir a administrar a região onde mora e/ou trabalha.

Os parlamentares tiveram, nas últimas décadas, nas Administrações Regionais, nas Secretarias de Estado e nas Empresas Públicas a forma de ampliar sua influência na máquina administrativa e acomodar seus cabos eleitorais e apoiadores. Por outro lado o Executivo oferecia estes cargos em troca da fidelidade no parlamento. A eleição dos Administradores Regionais mudaria esta equação. O tempo mostrará o ocorrido.