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Monthly Archives: novembro 2012

A Chuva e os Alagamentos

Brasília foi manchete nos telejornais da noite desta segunda-feira (19/11). As chuvas pararam o trânsito, carros foram danificados, pessoas ficaram em lagoas, notadamente nas passagens, tesourinhas, sob o Eixão da Asa Norte. Até um ônibus, com passageiros, parou de funcionar em um alagamento. Uma pessoa nadou até um carro para ajudar seus ocupantes.

O apresentador de um telejornal de âmbito nacional comentou os alagamentos como algo inusitado já que Brasília fora planejada. Ele estaria se referindo ao fato de que a engenharia brasileira sabe como fazer uma rede de captação de águas pluviais.

Realmente as galerias foram projetadas considerando os índices pluviométricos medidos na região até a data da elaboração dos projetos. Foram levadas em conta as áreas de coleta das águas que seriam carreadas para as bocas de lobo. Também foram considerados os fluxos, litros por segundo, em cada seção dos dutos de escoamento.

Faz parte do projeto o cálculo da absorção das chuvas pelo solo, as coberturas que reduzem a velocidade das águas, as partes impermeabilizadas. A inclinação dos terrenos é determinante na eficácia de uma rede coletora. Em terrenos planos o escoamento é menos rápido, mas este não é o caso da Asa Norte.

Pode-se dizer que houve erro de projeto, que muito do solo foi impermeabilizado desde a construção das redes ou, como preferem alguns, que as redes não têm manutenção e estão entupidas de entulhos que reduzem a velocidade de escoamento das águas.

Todas as hipóteses, isoladamente ou em conjunto, podem ser verdadeiras. O estranho é que o problema se repita, ano a ano, e os gestores destes serviços continuem sendo evasivos e não tomem as providências cabíveis. Obras simples e de custo razoável.

Os alagamentos, ao que parece, foram incorporados no calendário da cidade. Um anúncio do governo recomenda que os condutores não passem com seus veículos em áreas alagadas. Melhor seria resolver esse problema que se repete há longo tempo.

Patrimônio Ambiental Vítima de Quadrilha

A policia do Distrito Federal divulgou, amplamente, no dia 9 de novembro, ter identificado elementos de crimes de peculato, corrupção ativa e passiva e por formação de quadrilha. Tais crimes seriam praticados por servidores vinculados à Novacap.

Segundo a policia uma associação recebia as madeiras resultantes de poda e corte de árvores. A madeira deveria ser transformada em adubo pelo processo de compostagem, mas na verdade vinha sendo transformada em cavacos e vendida como lenha.

Os autores dos crimes seriam altos funcionários que se utilizavam de informações privilegiadas e de acesso aos procedimentos. A associação e a empresa que promoviam a comercialização da madeira seriam dirigidas por laranjas dos tais funcionários.

Quem acompanha o manejo do patrimônio ambiental constituído das árvores e arbustos existentes na cidade tem notado que nos últimos tempos as árvores vêm sendo vítimas de cortes radicais, sem qualquer correspondência com as práticas de poda de árvores.

As árvores de cada espécie têm conformação própria, isto é, seu formato é típico. Corta-se um galho quando o mesmo está doente, quando ele interfere com o trânsito de pessoas ou de veículos. Corta-se segundo a técnica que evita o apodrecimento da parte que fica e ali se aplica os defensivos que evitarão o ataque de insetos ou de fungos.

As nossas árvores vem sofrendo cortes radicais. Os galhos têm sido cortados sem aparente motivo. Não se vê galhos baixos nas árvores mesmo naquelas em que os galhos são naturalmente baixos. Os cortem ocorrem sem motivo aparente.

A investigação da policia e a existência de um mercado que permite o ganho financeiro com a poda e o corte das árvores sugere que os cortes radicais e exagerados poderiam ser motivados pela possibilidade de venda da madeira. Mais cortes mais lucros.

Um carroceiro ficou preso por ter cortado a casca de árvore para medicar sua mulher. Caso seja verdade que estas pessoas cortavam galhos e árvores para aumentar seus lucros isto configuraria crime ambiental. Crime contra o patrimônio da cidade.

Homenagem a Ex-Alunos da UnB

Nesta sexta-feira, dia 9 de novembro, no Auditório da Reitoria da UnB, com a presença do Reitor, José Geraldo de Sousa Júnior, entre outros, ocorrerá o ato TORTURA NÃO TEM PERDÃO, em memória aos ex-alunos da UnB que foram vítimas de violência, de tortura, ou mesmo de assassinato pela ditadura militar.

O ato homenageará a todos os que foram atingidos nas pessoas do estudante de geologia, Honestino Guimarães, da advogada, Ieda Santos Delgado e do advogado, Paulo de Tarso Celestino, todos ex-alunos da UnB e mortos pela ditadura militar.

Durante a ditadura foram presos os estudantes que se reuniram em Ibiúna, São Paulo no Congresso Nacional da UNE. Foram presos e condenados à prisão os dirigentes da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília. Tudo ameaçava o regime.

O ato tem o propósito de chamar a atenção de todos para a impunidade daqueles que, protegidos pelo regime de força usuram da tortura contra pessoas indefesas, homens e mulheres, como prática de interrogatório ou mesmo de coerção.

A tortura caracteriza-se como um ato covarde contra alguém indefeso e não tem eficácia na busca da verdade. O respeito aos direitos individuais foi uma conquista da democracia e deve ser respeitado por todos e aplicado a todos.

Os organizadores do evento lembram que não foram apenas os estudantes as vítimas da ditadura. Operários, profissionais liberais, servidores públicos e todos que se manifestassem contra o regime estavam passiveis de prisão e tortura.

Chamam a atenção para o fato de que a luta pela democracia teve um alto preço que não deve ser esquecido. Os atores que levaram o país àquela situação continuam atuantes e, na maioria das vezes se apresentam como defensores da liberdade.

O encontro é uma forma de atrair a atenção da população para os bárbaros crimes cometidos pela ditadura militar, desejando que jamais aqueles momentos ocorram novamente. “O crime de tortura não prescreve, não se esquece e não tem perdão”.