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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: setembro 2012

Danos Desnecessários na 405 Norte

Assim como aconteceu em outros locais, foram plantadas duas arvores da espécie Ficus Elastica na SQN 405, em frente ao bloco da esquina com a L1 e o comercio da SCLN 405 e ao lado do posto de combustíveis que fica na L1.

As arvores cresceram muito, tinham mais de 2 metros de tronco e uns 15 metros de altura. As copas se espraiaram chegando junto às janelas do bloco e avançavam para todas as direções. Alguém resolveu que aquelas árvores deveriam ser derrubadas.

A Ficus Elastica é originária da Índia, Malásia e Indonésia; no Brasil é conhecida como Falsa Figueira. Ela produz um látex tóxico usado para produzir borracha. A produção é reduzida e em qualidade inferior à da seringueira.

Os galhos da Ficus Elastica lançam raízes aéreas que penetram o solo tornando-se troncos auxiliares que ajudarão a sustentar a copa. Suas flores não têm cheiro e os frutos, pequenos, não são comestíveis. A arvore impressiona pelo tamanho e pelo fato de não perder as folhas durante a seca.

Ainda que a derrubada não houvesse terminado a situação das demais árvores em volta era desoladora. Uma árvore situada a uns 8 metros foi cortada a uma altura de 1 metro do solo, restando apenas um toco. Ela deveria ter muitos anos, pois seu tronco tinha aproximadamente 30 centímetros de diâmetro.

Uma palmeira foi danificada no tronco na altura entre 2 a 4 metros, provavelmente por um equipamento pesado. Uma Paineira teve os galhos quebrados, não cortados ou podados, a uns 8 metros de altura ficando apenas o tronco e um galho. Uma mangueira teve galhos quebrados restando alguns poucos. Vale lembrar que as mangueiras estão carregadas e que nelas sempre há ninhos de pássaros.

Em áreas construídas, antigas, é prudente usar equipamentos leves para evitar danos ao patrimônio existente. Preservar o existente, é uma forma de economizar recursos públicos e assim poder construir o que nos falta, seja ali ou em outros lugares.

Corujas e Meio Ambiente

Um casal de corujas resolveu fazer seu ninho no talude do Eixão Norte, numa parte íngreme que fica acima da tesourinha que dá acesso ao Eixinho Leste, sentido Rodoviária, ao lado do viaduto que sobe para a Quadra 106 Norte. Entenderam que por ali não passaria ninguém ficando os filhotes a salvo de ataques ou bisbilhotices.

Os ninhos da corujas Athene cunicularia, ou corujas- buraqueiras são feitos em tocas aproveitadas de outros animais ou escavadas por elas próprias. Neste caso, cavam os buracos (ninhos) com as garras e os bicos, que podem medir de 1,5 a 3 metros de profundidade. Os ninhos são forrados com folhas e capim secos.

Alguns afirmam que elas formam seus ninhos a partir de abril. Outros, que nidificam no período seco, como ocorre neste caso. A fêmea choca os ovos e o macho se encarrega de buscar alimentos. Os ovos, de 6 a 8 em média, eclodem com 28 dias.

Nos primeiros dias os filhotes têm os olhos fechados e são cuidados pela mãe. A partir dos 14 dias os filhotes já ficam na entrada da cova, com 60 dias já estão caçando insetos. Após o nascimento dos filhotes o macho continua na sua tarefa de alimentá-los e os dois permanecem na entrada da toca.

As corujas buraqueiras se alimentam de insetos (formigas, cupins, aranhas, escorpiões etc.), cobras, ratos, aves e outros pequenos animais. Elas atraem os insetos para junto da toca com o cheiro dos excrementos. No caso específico dos escorpiões as corujas estão entre os poucos predadores daquele inseto que causa muitos acidentes no Distrito Federal.

As corujas não atacam as pessoas e em geral não são atacadas. Quando há uma aproximação elas emitem sons estridentes e fazem voo rasante sobre o intruso. Pois bem, nossas corujinhas sentiam-se a salvo até que apareceram algumas pessoas para cortar as árvores situadas ao lado da toca. Várias árvores foram cortadas rés ao chão, sem razão aparente. As corujinhas não mais deram as caras.

Lei Orgânica e Presença do Estado

A Lei Orgânica do Distrito Federal preconiza a descentralização administrativa, a utilização racional de recursos para o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida. Para tanto o Distrito Federal foi dividido em Regiões Administrativas.

Em 1964, a Lei 4545/64 que reestruturou a administração do Distrito Federal estabeleceu que em cada Região Administrativa haveria uma Administração Regional à qual caberia representar a Prefeitura do Distrito Federal e promover a coordenação dos serviços em harmonia com o interesse público local, ficando estabelecido que os órgãos e serviços seriam enquadrados no regime de Administração Regional, subordinados à autoridade do Administrador Regional.

Hoje as Administrações Regionais, conforme mostra o Portal do GDF, mantêm apenas a função de expedição das licenças de funcionamento. Nada mais cabe àquela repartição. A descentralização pretendida perdeu-se no tempo.

O retrocesso em relação aos propósitos de descentralização das atividades e à desconcentração das decisões poderiam decorrer de avaliações em proveito da eficácia da administração pública, mas não é o que se percebe.

A organização do Distrito Federal foi concebida de forma descentralizada e desconcentrada para dar maior efetividade às ações do governo. O Administrador Regional seria o próprio governo no local, responderia pelo que fosse feito ou deixasse de ser. Não é o que ocorre. As cidades estão entregues ao deus-dará. A Administração não controla quase nada e não tem atribuição para nenhuma ação concreta. A população não mais a procura.

Um lado visível desta disso está nas construções irregulares. Elas representam problemas anunciados. Haverá saturação das redes de água, de energia, de saneamento e de outros serviços. Representam uma dívida a ser paga por nós.

Brasília Cidade Interrompida

Promoveu-se, recentemente, debate a respeito dos sistemas de transporte coletivo no Distrito Federal e Entorno. O embate das ideias deixa clara a dicotomia entre estudiosos, urbanistas e ambientalistas, que defendem o transporte público, os modos não poluentes como trens elétricos, bicicletas e os empresários que defendem o uso de ônibus.

Há um forte movimento em todo o mundo pela utilização de bicicletas. Elas reduzem a mortalidade no trânsito, não provocam poluição, reduzem o uso de combustíveis fósseis e são indicadas por melhorar a saúde de seus usuários. Andar de bicicleta no Distrito Federal é uma aventura e um risco. São poucas as ciclovias e elas não são contínuas.

Recentemente o governo federal ofereceu recursos às cidades brasileiras mais populosas para que eles pudessem implantar sistemas de transportes definitivos, de preferência sobre trilhos. Especialmente àquelas que terão jogos da Copa do Mundo.

A solução sobre trilhos é aquela adotada há muito pelas cidades maiores nos países desenvolvidos. Ela garante maior rapidez no transporte de passageiros, maior conforto e segurança. Não há conflito com o tráfego de outros veículos. Lembremos que, entre outros, o metrô, de Buenos Aires foi inaugurado em 1913, o de Moscou em 1935, em Londres começou a funcionar em 1863, o de Paris em 1900 e o de Barcelona 1969.

É de conhecimento público que as obras do VLT, que ligariam o Aeroporto à Avenida W3 e se estenderia até o final da Asa Norte, estão paradas há anos. Foi surpreendente que os órgãos fiscalizadores, que interromperam aquelas obras do VLT aprovaram o alargamento da via que liga o Aeroporto até o Eixão Sul ao custo de 100 milhões de reais. A maioria das obras é voltada para ruas e vias, para o transporte individual.

O sistema de transporte coletivo foi se deteriorando progressivamente e o que se verifica hoje é a presença maciça de veículos piratas. Não se pode esperar um bom serviço desta forma. Por tudo isso, percebemos que Brasília é uma cidade interrompida. Foram anos e anos de retrocesso administrativo e de ausência total de planejamento.