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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: Abril 2012

Passarela, Concurso e o Pedestre

As passarelas subterrâneas foram construídas para permitirem ao pedestre atravessar em segurança o Eixo Rodoviário do Plano Piloto de Brasília. Porém, os usuários temem a sua utilização por que são escuras, malcheirosas, sujas e, principalmente inseguras. Muitos morreram atravessando as pistas por medo das passarelas.

O Governo, por meio da Codeplan, promoveu concurso para obter a melhor solução para aquelas questões. Para tanto, firmou convênio com o Instituto de Arquitetos do Brasil, seção DF. O resultado do concurso foi divulgado no Aniversario de Brasília.

As propostas classificadas, 1º, 2º e 3º lugares têm alguns traços comuns. Todas propõem facilitar as entradas nas passarelas, reduzindo a inclinação das rampas de acesso e dando maior amplitude a elas. As três propõem criar espaços de vivência nas áreas abertas situadas entre o eixão e os eixos auxiliares. Ali haveria praças com comércio, lazer, banheiro, chafariz, bicicletário, bancos e bebedouros.

As três propostas classificadas sugerem a construção de platôs em concreto, em vários níveis, ligados por rampas e escadas. Em todos estão previstas grandes áreas impermeabilizadas por calçadas de concreto.

A primeira classificada tem por base uma ciclovia que ligaria as pontas das asas Sul e Norte, com 13,5 Km de extensão. Neste caso as passarelas teriam pontos de convivência e interação entre os pedestres e ciclistas. Entretanto, a proposta não mostra como as ciclovias passariam pelas vias de ligação Leste-Oeste e tesourinhas.

A segunda proposta tem elevador e faixa para deficiente visual. Suas praças teriam também chafarizes. Os abrigos de ônibus projetados, junto aos canteiros centrais muito estreitos, seriam inviáveis. A terceira repete os elementos das anteriores.

As propostas são elegantes e bem desenvolvidas, mas permanecem os problemas que levam as pessoas a evitarem as passarelas. Quando elas ficassem desertas, ninguém se arriscaria a entrar nos túneis sem saber quem estaria nas praças à sua espera.

Os Mitos da Política Habitacional no DF

Um dos mitos relacionados ao crescimento populacional do Distrito Federal é de que ele ainda ocorre por força das migrações. Estudos publicados pela Codeplan e IBGE, Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Distrito Federal 1991-2030, apresentam taxas de crescimento demográfico positivas, mas declinantes. A taxa de crescimento para 2010 seria de 2,1% e para 2015 de 1,5 %.

A população do Distrito Federal em 2010, segundo o estudo, era de 2.654,059 habitantes. De acordo com a publicação acima, no decorrer dos anos 60 a migração foi a maior responsável pelo crescimento demográfico, tanto pela transferência de servidores públicos quanto pela mão de obra para a construção civil.

Hoje, além da tendência encontrada nos estudos referidos, pode-se argumentar que, com o aumento da renda das pessoas nas pequenas cidades e com o crescimento econômico no Norte e no Nordeste, as migrações tenderão a se reduzir.

Outro estudo da Codeplan, Distrito Federal 10 Anos, publicado em abril de 2010, constata que o número de moradores por residência, em 2007, era de 3,3 pessoas. Essa publicação nos mostra que, em 2007, o percentual de domicílios próprios era de 60.6, de alugados 28.9, cedidos 9.6 e outros 0.9. Estes índices são inferiores à média nacional para domicílios próprios, superior a 70%.

A política habitacional no DF nãopropiciou o acesso à moradia pela população de menor renda. A Terracap oferece terrenos de alto valor nas licitações e as moradias ofertadas pelas políticas sociais são em número muito aquém das necessidades. Mesmo os terrenos loteados legalmente por terceiros nunca foram acessíveis ao de menor renda.

As estatísticas mostram que o crescimento populacional do Distrito Federal não decorre da política habitacional que, tímida, não atendeu às demandas populacionais. O Distrito Federal poderia ser mais arrojado na oferta de moradia, especialmente para a menor renda, sem correr o menor risco de aumentar os fluxos migratórios, hoje declinantes.

Escolas eram obras de notórios arquitetos

Revendo o relatório consolidado do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília, onde estão relacionados fatos relevantes do processo de implantação da capital da República brasileira, verifica-se que até 1963 as escolas do ensino fundamental, ensino médio e superior eram tratadas como obras importantes, projetadas individualmente por arquitetos.

Em 1958 foram construídas a Escola Parque da SQS 308 com projeto de José de Souza Reis, a Escola Classe da SQS 107 projetada por Oscar Niemeyer que também projetou, naquele ano o Jardim de Infância da SQS 107.

Em 1959 Oscar Niemeyer projetou a Escola Classe SQS 308 e José de Souza Reis concebeu o projeto do Colégio Elefante Branco. Wilson dos Reis Neto e Stélio Seabra foram, em 1960, os autores dos Jardins de Infância das SQS 114 e 308 respectivamente. Várias destas escolas contavam com painéis de Athos Bulcão.

Em 1961 aquele relatório registra as obras no Campus da UnB, a Faculdade de Educação e o Auditório Dois Candangos projetados por Alcides da Rocha Miranda e Luis Humberto Martins Pereira. Registra ainda os projetos do Instituto de Artes, do Ceplan e do prédio dos Serviços Gerais, todos de Autoria de Oscar Niemeyer e João Filgueiras Lima. Em 1963 Oscar Niemeyer projetou os prédios da Fundação Educacional do Distrito Federal e do Instituto Central de Ciências da UnB.

A partir do regime militar não se tem noticia de obra relevante destinada às escolas. A Fundação Educacional elaborou projeto padrão, com estruturas de perfis de aço, tijolos aparentes, nenhum tratamento paisagístico, sem preocupação estética ou presença de locais adequados ao esporte.

Nos governos recentes tivemos até escolas de lata, espécie de container onde o calor era insuportável. A preocupação com a educação transcende o discurso, exige boas escolas, professores com planos de carreira e de aperfeiçoamento. Exige compromisso.