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Monthly Archives: dezembro 2011

Respeito à Vida no Transito

Matéria divulgada por jornal televisivo, mostrando o comportamento dos motoristas em relação à faixa de pedestre, confirmou aquilo que já é sabido: o brasiliense respeita a faixa de pedestre. Isso é motivo de alegria e orgulho. Todavia, o mesmo não ocorre em outras cidades do país. Em várias capitais o repórter não conseguiu atravessar a via.

O uso contido da buzina, o respeito ao outro motorista e até mesmo a cordialidade mostrada ao dar passagem ao outro veiculo nas tesourinhas, acessos às quadras ou até nos engarrafamentos são exemplos do alto grau de educação no trânsito demonstrado pelos motoristas de Brasília.

Entretanto, os dados sobre o número de acidentes, e de mortes nesta cidade, são muito altos. Deveria haver o mesmo empenho, hoje reconhecido de respeito á faixa, na busca de redução dos acidentes no trânsito. Os ganhos obtidos mostram que podemos fazê-lo.

O bom motorista não corre além da velocidade permitida para a via, não “costura” no trânsito, não dirige depois de ingerir álcool, não ultrapassa pelo acostamento, não corta a fila e não força a passagem. Pelo menos um destes comportamentos será identificado em caso de acidente.

Um Grupo de Trabalho foi criado pelo Governo do Distrito Federal logo após os acidentes fatais ocorridos no Eixão neste final de ano. Depois de muita polêmica foram divulgadas medidas para reduzir o número de acidentes naquela via.

As medidas propostas denotam preocupação com a forma de dirigir, com a velocidade, e com a travessia dos pedestres. São elas: instalação de oito novos pardais elevando seu número para trinta e três.

Quatro câmeras serão postas na via; policiais ficarão com viaturas a cada mil metros e oito motos darão segurança aos pedestres nas passagens subterrâneas e haverá um concurso de revitalização das passagens. A iluminação e a limpeza serão melhoradas. Creio que tais medidas melhorarão de imediato a segurança no Eixão.

Cidades do Futuro e os Idosos

A população do mundo está envelhecendo. Os idosos brasileiros experimentam processo semelhante, se não mais agudo. O IBGE constatou que a população com mais de 60 anos no censo de 1940 representava 4,1% da população total brasileira e, em 2010, 10,8%. O aumento, em valores absolutos, foi de 1,7 milhões para 20,6 milhões neste período.

Antes as pessoas morriam cedo. A melhoria nas condições de saneamento, das habitações, os novos medicamentos, o aumento do acesso aos bens essenciais, maior disponibilidade e maior diversificação da alimentação permitiu uma significativa elevação da expectativa de vida em quase todos os países.

Aspecto importante no aumento da população idosa no conjunto geral da população decorre da redução da taxa de fecundidade total, ou seja, o nível de reposição da população brasileira que vem caindo sistematicamente. Essa taxa era de 6,2% em 1960 e caiu para 2,4% no ano 2000.

Está crescendo também a faixa dos mais idosos, a população acima de 80 anos. Essas pessoas têm maior dificuldade de locomoção e de acessibilidade, demandam maiores cuidados médicos e acompanhamento especializado.

Nossas cidades, assim como o campo, estão pouco preparados para o atendimento destas populações. As poucas instituições voltadas para seu atendimento, os “lares de velhinhos”, não contam, em geral, com pessoal especializado ou instalações adequadas às suas necessidades. Estão mais para depósitos de idosos que habitações dotadas dos recursos adequados a seu atendimento.

Haverá, com o aumento da expectativa de vida, maior demanda de recursos financeiros destinados à saúde das pessoas idosas, de pessoal com treinamento específico em cuidados, de médicos geriatras etc. As cidades, assim como têm despertado para a adequação de seus espaços e seus equipamentos às pessoas com deficiência deverão ter o mesmo empenho no atendimento das pessoas idosas.

Muitos Doutores Pouca Tecnologia

Estamos acostumados em valorizar a educação e a formação acadêmica. As famílias, os planejadores, administradores e futurólogos são unânimes em afirmar que só há desenvolvimento com elevação do nível educacional.

A partir dessa premissa as famílias têm investido parte significativa de sua renda na educação dos filhos. É normal que os filhos tenham uma escolaridade superior à dos pais. Isso talvez decorra do entendimento de que uma formação acadêmica mais ampla garantiria uma renda maior.

O número de mestres e doutores, mais recentemente de pós-doutorados vem crescendo significativamente. Nestes anos recentes a exigência do MEC de elevação do grau de formação dos professores tem garantido a absorção dos profissionais com formação acadêmica e parte deles opta pelo serviço público, universidades e governo, onde os salários são melhores.

Estas oportunidades estão se esgotando. Muitos destes acadêmicos não encontram trabalho. Aqueles que se aperfeiçoam em universidades estrangeiras e que participam de pesquisas que despertam interesse de algum financiador acabam ficando por lá. Os pesquisadores locais se contentam em publicar artigos em revistas de prestigio.

Poucos se ocupam em pesquisar algo que resulte em novas tecnologias. Quando o fazem não encontram resposta no setor produtivo. Nossa indústria monta automóveis computadores, eletrodomésticos e tudo o mais concebido e desenhado nas matrizes de empresas estrangeiras. Pagamos royalties de medicamentos, de celulares etc.

Darci Ribeiro trouxe para a UnB os profissionais que se destacavam à época. Ele levou para a Universidade de Campos, no Estado do Rio, pesquisadores da antiga União Soviética que aqui vinham continuar suas pesquisas. O governo seguinte cortou as verbas de pesquisa e eles foram embora. A geração de tecnologia no país dependerá de laboratórios e de políticas de financiamento da pesquisa e da produção. Não serão as outras nações que criarão empresas como a Embrapa e Embraer por aqui.

Audiências Públicas e Participação

Assuntos com potencial de mobilização popular têm grandes possibilidades de tornarem-se objetos de “Audiências Públicas” pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Assuntos polêmicos podem gerar mídia espontânea e dar visibilidade aos deputados e deputadas que as propõem e que irão comandá-las.

Nestas ocasiões o plenário é franqueado ao acesso do público. Lideranças populares e especialistas são chamados a comporem a mesa diretora dos trabalhos. Os especialistas discorrem exaustivamente sobre o histórico do projeto, esmiuçando os aspectos legais, sociais, administrativos, urbanísticos e principalmente as repercussões orçamentárias da matéria de modo a dar fundamentação ao debate que se seguirá a sua intervenção.

As sessões duram em média duas horas. Os parlamentares signatários do requerimento da audiência ficam em seus gabinetes à espera de que o plenário esteja cheio o suficiente, a seu critério, para que se façam presentes. Havendo presença expressiva de público os deputados e deputadas descerão para participar dos debates e terão assento á mesa diretora. A audiência começa com meia hora de atraso.

Os trabalhos se iniciam com os pronunciamentos dos parlamentares que não medirão esforços em afirmar os seus compromissos com os interesses populares, ou mais especificamente com os interesses dos grupos presentes ao debate.

Esses pronunciamentos dos parlamentares podem tomar até uma hora, quando então será dada a palavra aos populares e suas lideranças presentes. A mesa advertirá quanto ao adiantado da hora e dará a cada orador um tempo, invariavelmente de três minutos.

Dificilmente há tempo para conclusões e o relator do projeto se apressa em acolher todas as propostas no relatório final e os deputados e deputadas, após enaltecerem as contribuições se propõem a defendê-las no plenário. Ao público sobra a sensação de que tais audiências são pouco efetivas.