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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: novembro 2011

Voluntarismo e Mortes no Eixão

Mais um trágico acidente automobilístico provoca a manifestação daqueles voluntaristas que sempre buscam o remédio óbvio, mas nem sempre o mais correto. Parecem até com o lavrador que cortou o pé do burro que lhe deu um coice e depois ficou sem o burro.

A proposta da hora é fazer um muro no centro da pista separando os fluxos em sentidos opostos. Isso porque ocorreram dois acidentes fatais no Eixão: uma batida frontal e uma colisão contra uma árvore.

Vale lembrar que as vias que ligam o Plano Piloto às Cidades Satélites são chamadas estradas parque. Elas têm essa denominação porque eram ladeadas por leiras compactas de árvores em ambos os lados. Após um acidente de um carro que colidiu com uma árvore resolveram retirá-las todas. Consultado, Lucio Costa teria argumentado que se assim fosse, os postes de iluminação teriam que ser abatidos. Há quem diga que o corte das árvores interessava a empresas.

O episódio dos acidentes lembra os atropelamentos no Eixão. Já se falou em construir cercas nos lados como mecanismo para obrigar as pessoas a usarem as passagens. O povo não as usa por cautela. Preferem se expor ao tráfego a passarem sob as pistas.

A propósito, vale lembrar o filme “Irréversible” dirigido por Gaspar Noé em 2002, com a participação de Vincent Cassel, Albert Dupontel e Monica Bellucci. O filme trata de uma agressão a uma jovem mulher numa passagem subterrânea em Paris. Cito o filme para lembrar que o risco das passagens subterrâneas não ocorre só em Brasília.

O bom senso indica que o Eixão é mais seguro que a maioria das estradas brasileiras que operam em mão dupla, isto é, os veículos trafegam nos dois sentidos. Nas estradas a velocidade é maior e os riscos também e não se fala em fazer nelas um muro. A solução parece ser a redução da velocidade fazendo com que os acidentes, redundem apenas em danos materiais. Quanto às passagens subterrâneas seria mais adequado oferecer segurança com a presença de policiais. Assim humanizaríamos o Eixão.

Cidadania e Regularização Fundiária

Logo após a ocupação da comunidade da Rocinha no Rio de Janeiro foi divulgada a preocupação da administração local com a regularização fundiária. Em verdade os moradores daquela comunidade reconhecem a posse dos imóveis, seja porque os donos os construíram, seja porque os atuais donos os adquiriram dos originários.

Há prédios com vários pavimentos, construções de grandes áreas, tudo construído sem a competente licença e, o mais preocupante, sem o acompanhamento de profissionais habilitados, o que representa risco á segurança dos ocupantes.

O governo local não tinha acesso ao interior da comunidade e por tal razão não pode começar anteriormente o processo de regularização. A primeira dificuldade será identificar o verdadeiro dono dos imóveis, vez que muitos deles estão alugados. Em alguns locais poderá ser necessário fazer demolições para facilitar a circulação ou permitir a passagem de serviços de infra-estrutura. Também será necessário identificar locais para instalações dos serviços de educação, saúde e segurança assim como áreas de lazer comunitário.

A falta de titularidade de imóveis no Distrito Federal tem outras faces. Número significativo de imóveis sem escritura advêm de programas governamentais. Lotes distribuídos e não titulados. Outra parte resulta de condomínios implantados há décadas, com a conivência do governo de então, e não regularizados. Muitos deles totalmente ocupados e dotados de infra-estrutura. Por último, temos as áreas de ocupação irregular como Itapuã, Cidade Estrutural, Varjão e outras total ou parcialmente urbanizadas, mas que não contam com titulação dos imóveis.

Noticiou-se o interesse do governo local em estabelecer uma estrutura específica para tratar do assunto. Isso já aconteceu no passado. Perto das eleições governos anteriores criavam grupos de trabalho voltados para a regularização dos imóveis que redundavam em nada. A titulação dos imóveis interessa a todos especialmente às famílias que residem naquelas áreas.

Deficiência e Inclusão Social

O 1º Salão de Negócios de Acessibilidade, Recuperação e Inclusão Social promoveu uma “Gincana de Idéias”. A Gincana teve o propósito de levar a sociedade a refletir sobre as questões relativas às pessoas com deficiência e sobre a sua inclusão social.

Durante o processo de julgamento dos trabalhos inscritos constatou-se que a sua maioria dos proponentes era constituída de professores (as) da rede oficial de ensino e que os demais trabalhos eram, quase todos, de alunos (as) do ensino especial.

Esse fato contrasta com o entendimento comum de que os professores da rede oficial seriam menos interessados no rendimento dos alunos que os professores de escolas particulares. Tal entendimento é reforçado pelo rendimento obtido pelos alunos de rede oficial nos exames do Enem, ensino médio, e da Prova Brasil, ensino fundamental, em que aqueles alunos obtêm notas inferiores às obtidas pelos alunos das escolas particulares.

Alguns dos professores participantes da Gincana informaram que fazem, periodicamente, cursos de aperfeiçoamento e participam em outras atividades com o intuito de aprimorar-se profissionalmente. São profissionais focados na carreira, que se realimentam dos resultados positivos de seu trabalho. Constatado que há professores interessados o que explicaria o baixo rendimento? O que fazer para superar esta deficiência?

Um dos parâmetros de classificação do IDH é a educação do povo. Para elevá-lo há que melhorar o nível de aprendizado e universalizar a escolarização. O primeiro passo é garantir a presença nas escolas de todas as crianças em idade escolar. Não se trata de jogar nos ombros da família a responsabilidade pela educação de seus filhos.

Cabe ao governo garantir que seu povo tenha formação elevada. A escola pública deve contar com os mesmos recursos da escola privada: aperfeiçoamento e reciclagem de modo a que os professores tenham a mesma qualificação de seus colegas do ensino particular. Aí sim, poderemos cobrar o mesmo desempenho de todo o sistema de ensino.

Visite o Salão da acessibilidade

Segunda-Feira próxima, dia 14 de novembro, às 11 horas ocorrerá a abertura do 1º Salão de Negócios da Acessibilidade, Reabilitação e Inclusão Social para promoção da pessoa com deficiência. O evento começa dia 14 e vai até o dia 16 e será realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Todas as atividades serão gratuitas.

Serão ministrados cursos para pessoas com deficiência e para pessoas que atendem àquelas pessoas. Estão programados debates sobre três vertentes principais: a Acessibilidade, a Reabilitação e a Geração de Trabalho e Renda.

Os debates sobre acessibilidade tratarão das questões do meio urbano, dos edifícios e dos equipamentos de uso comum. As calçadas adequadas para os cadeirantes, os semáforos sonoros para os cegos, o livre acesso para os cães guia, instalações sanitárias adequadas aos cadeirantes, elevadores em todos os edifícios de uso público, com comandos menos altos e com comando de voz e todas as questões relacionadas ao livre acesso a toda a cidade pelas pessoas com deficiência.

O Seminário sobre Reabilitação abordará os avanços médicos e os meios disponíveis para facilitar a recuperação e reinserção da pessoa com deficiência. Um dos painéis debaterá a sexualidade e a afetividade da pessoa com deficiência.

O terceiro Seminário tratará da geração de trabalho e renda. Os painéis focarão a questão da preparação desse segmento para o mercado de trabalho, as formas de financiamento de projetos, a organização de cooperativas a partir da identificação de potencial produtivo de um grupo, a gestão e o mercado. Está programada uma Rodada de Negócios envolvendo pessoas com deficiência.

O Distrito Federal tem 13,4 % (IBGE – Censo 2000) de sua população composta por pessoas com deficiência. Não as vemos porque elas não têm a mobilidade necessária para usufruir da cidade. Dar a elas a oportunidade de trabalhar, realizar e conviver é responsabilidade de todos nós, da sociedade.