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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: outubro 2011

Calçada Anti Pedestre

A calçada que liga o Setor Bancário Sul ao Setor Bancário Norte, passando pela Plataforma Superior da Rodoviária do Plano Piloto, tornou-se um tormento para os pedestres. É uma calçada longa, larga e que deveria ser confortável. Entretanto, o uso e a manutenção daquela calçada criaram alguns problemas.

Parte da calçada foi transformada em ponto de ônibus. São dois pontos e placas de publicidade. Os pontos ocupam dois terços da largura da calçada. Os que esperam os ônibus tomam a calçada. Os ônibus não têm recuo junto aos pontos de parada, são em grande número e estacionam em fila dupla causando engarrafamento.

Parte da plataforma teve seu pavimento substituído por concreto. O trecho em concreto empoça água durante as chuvas, seja por falta de inclinação em direção às grelhas, seja por incapacidade de escoamento das grelhas. As águas empoçadas são lançadas nos usuários da calçada pelos veículos em movimento.

Os pneus lançam as águas a grande altura e o caminhante desprevenido que se acha protegido pelo guarda chuva leva um banho de cima a baixo. O medo da enxurrada é tanto que os passageiros ficam atrás do ponto de ônibus à espera da condução.

O outro problema também decorre de gestão. O prédio do Touring Club foi ocupado pelo Governo do Distrito Federal que mantém ali serviços voltados para a população. O prédio tem dois pavimentos e junto ao pavimento inferior tem estacionamento. Entretanto, as repartições que funcionam no nível da plataforma superior passaram a utilizar a calçada como estacionamento.

Os veículos ficam estacionados sobre a calçada, de forma transversal, impedindo totalmente a passagem dos pedestres. Em frente ao prédio há dois estacionamentos que também poderiam receber os veículos que ficam sobre a calçada. Isso ocorre bem no centro da cidade. A solução destas questões requerem pouco do governo, mas repercutem muito no conforto e segurança do pedestre.

Lei Adota Passagens Subterrâneas

As passarelas do Plano Piloto agora poderão ser adotadas. Pelo menos é esta a esperança do Programa Adote uma Passagem Subterrânea do Plano Piloto, instituído pela Lei 4.655/201, aprovada no Distrito Federal. A lei dependerá de regulamentação para ser implementada. Pretende-se que artistas, empresários e outros ao adotá-las desenvolvam atividades, recuperem suas danificações e propiciem aos seus usuários maior segurança na travessia.

As passarelas estão sujas, os revestimentos de pisos e paredes danificados, pichadas, sem iluminação e fétidas. Entretanto, não há evidencia de comercialização e uso de drogas naqueles lugares. Não se encontra vestígios de uso para dormir, como papelões, jornais e outros meios usados por moradores de rua. Tampouco se encontram indícios de uso de drogas nos locais. Mesmo assim, elas assustam e são tidas como abrigo para desocupados.

As pessoas evitam as passagens subterrâneas por medo, porque as passarelas têm recuos entre uma ponte e outra onde poderiam se esconder pessoas com propósitos pouco nobres e porque têm no inicio e no final um cotovelo de 90º onde uma ou mais pessoas poderiam esperar pelo pedestre sem serem percebidas.

Esse comportamento de evitar a passagens subterrâneas ocorre também nas passarelas aéreas. É costume fazer um muro de pré-moldados nos canteiros centrais das rodovias sob as passarelas. Com o tempo os passantes quebram o muro para não ter que usar a passarela. No Eixão não há muros e as pessoas preferem se arriscar entre os carros. A maior incidência de atropelamentos se dá à noite quando a visibilidade é menor.

Além de boa iluminação, as passagens subterrâneas precisam de câmeras com vigilância permanente e policiamento que uma vez alertado pela vigilância se faça presente de imediato. A regulamentação da Lei deve prever estas situações e indicar as soluções para obter os resultados almejados.

Combate ao Crime

As pesquisas têm mostrado que uma das maiores preocupações da população é com a segurança. Crimes brutais, como o ocorrido recentemente em Brazlândia, onde uma jovem de 15 anos foi assassinada a pedras e facas, mostram a vulnerabilidade das pessoas na vida urbana. Preocupa mais o fato que apesar dos esforços no combate à violência e ao crime, estes não têm mostrado sinais de redução.

Estudo publicado na revista “Scientific American Brasil”, em setembro de 2011, por Franklin E. Zimring mostra que, em Nova York, foi possível reduzir drasticamente o crime. O Artigo analisa as diversas formas de abordagem e de combate ao crime e permite concluir que a maior eficácia não coincide necessariamente com o comumente se acredita ser o mais adequado.

Não houve no período redução da pobreza, das desigualdades sociais ou do desemprego que justificassem os avanços. Tampouco a redução se deu apenas nos bairros mais ricos da cidade, mas também nas periferias onde predominam a diversidade étnica, genética ou socioeconômica.

Obteve-se a redução dos crimes dolosos, culposos, dos latrocínios, dos roubos e dos furtos. Obteve-se também a redução do número de encarcerados e de reincidência nos crimes. O número de homicídios reduziu-se em 80% de 1990 para 2009 e o número de furtos de automóveis foi reduzido em 94%, dados comprovados pelas seguradoras.

Estes resultados fantásticos foram obtidos, segundo o artigo, entre outras medidas, pela presença ostensiva da policia nas ruas e pela concentração de suas ações nos locais de maior ocorrência de crimes. A polícia passou a fazer blitz permanentemente e em especial nos locais de ocorrência de crimes. Não houve no período redução de uso de drogas, nem de prostituição, nem encarceramento excessivo de pessoas. A presença da policia de forma visível e ostensiva parece ter garantido os objetivos esperados. Essa experiência pode nos ensinar muito na redução dos crimes em nossas cidades.

Ganância e Saúde Pública

Ele tem 61 anos, usava uma roçadeira, daquelas que se pendura no ombro, e tem um histórico de um enfarto que resultou em uma angioplastia e em um “stent”. Quando veio a dor no braço e no peito os familiares entenderam que era um novo infarto. Correram para o hospital em que havia sido atendido anteriormente. Lá haviam dito que “quando precisasse voltar o atendimento seria pelo SUS”.

Ao chegar, foi informado que a consulta seria particular – mudou a administração. Os parentes foram informados, pelo financeiro, que o paciente teve um pré-infarto, o estado era grave. Foi expedido um laudo que continha o diagnóstico de “angina instável – procedimento: exame invasivo, cateterismo e internação intensiva”. Dependendo do cateterismo seria ou não indicada nova angioplastia por R$ 30 mil mais os imprevistos.

A família não tinha esse dinheiro. Recorreu ao SAMU que disse não poder removê-lo antes que houvesse vaga em uma UTI. Os familiares procuraram a Defensoria Pública para obter uma liminar. O hospital foi notificado, o paciente seria atendido pelo SUS.

Quando a família voltou ao hospital o paciente já não estava na UTI. Foi informada que seu quadro era estável e que ele seria submetido a um procedimento não invasivo, que resultou no diagnóstico de que as dores eram resultantes do esforço continuado e do peso sobre o ombro. A família pagou R$ 3.400,00 e ele foi liberado. Durante a internação notou-se que os alimentos continham no invólucro um adesivo com o texto “paciente do SUS”.

A população brasileira paga anualmente quase R$ 80 bilhões de reais anualmente ao sistema privado de saúde que somados ao gasto pelo SUS pagaria um bom atendimento. Pacientes e profissionais de saúde estão insatisfeitos com o modelo atual. O povo do Canadá, em plebiscito, decidiu que todo atendimento à saúde seria público. Lá a população é atendida com respeito. Aqui é apenas comércio. É hora de mudar o modelo no Brasil.

Perigos do Aterro Sanitário

Muito se tem dito dos problemas causados pelo lançamento do lixo a céu aberto. As imagens das máquinas, caminhões sobre o lixo onde pessoas tentam tirar objetos de algum valor, ainda que se expondo aos riscos à saúde e de morte por acidente.

Essa é uma questão que nos choca de imediato, pois atinge pessoas fragilizadas pela miséria e que, na falta de opções para prover suas necessidades, só enxergam oportunidade naquilo que a sociedade põe fora, descarta.

Pois bem, um lixão foi mantido e posteriormente desativado pela cidade de São Paulo há muitas décadas. Esse lixão, localizado na zona Norte, foi aterrado e sobre ele foi construído um Shopping Center com inúmeras lojas, que atende uma ampla região e onde trabalha um grande número de pessoas.

Os aterros sanitários, alem de contaminar o solo e as águas subterrâneas, geram gases. Esses gases são inflamáveis e podem explodir. São gases nauseantes que causam desconforto àqueles que ficam a eles expostos. As explosões colocam em risco as pessoas e os bens a elas expostos.

Pois bem, a mesma Prefeitura que depositou ali o lixo, o recobriu e permitiu que ali se edificasse um grande investimento agora se vê obrigada a interditar o Shopping com a justificativa de que o faz para preservar as pessoas. A recuperação do local irá demandar muitos recursos e tempo. São ações que não se consumam de uma hora para outra.

O Governo do Distrito Federal terá que encontrar uma solução para destinação final do lixo não passível de reciclagem. O caminho preferido por aqueles que operam a coleta parece ser um novo lixão maquiado de aterro sanitário. Isso irá comprometer o solo, as águas e uma grande área, onde não se poderá fazer qualquer tipo de uso por décadas. São Paulo nos mostra o que não fazer, só o faremos se quisermos persistir no erro. Brasília merece o que há de melhor.