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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: setembro 2011

Arborização da W3 e o VLT

Recentemente as obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) foram liberadas. As obras dos viadutos no final da W3 Sul, no cruzamento com a Estrada Parque Policia Militar, paradas há dois anos, tem causado sérios transtornos para quem sai do Eixo Rodoviário Sul no sentido Setor Sudoeste, SAI e demais localidades que utilizam a EPTG. Espera-se que agora sejam retomadas.

A implantação da linha dos trens de superfície na W3, passando pelo canteiro central implicará em remodelação da avenida, elaboração de um novo projeto de paisagismo e, em muitos casos na remoção e transplante das árvores ali existentes.

A W3 Sul demanda um projeto totalmente novo. As árvores ali existentes foram vitimas de mutilações sucessivas quando não do corte rés ao chão. Nas quadras 512 e 513 há um largo espaço sem uma única arvore em pé. Restaram os tocos acima das calçadas.

A W3 Norte, que nunca teve estacionamento no canteiro central, conta com maior número de árvores, algumas com décadas. A partir da 512 Norte começam a aparecer um número significativo de Ipês Brancos. Sua presença vai aumentando até que na 515 eles tomam conta do canteiro.

As árvores maiores com troncos e copas avantajadas devem ser preservadas ao máximo. Seria difícil transplantá-las e não seria correto derrubá-las e as substituir por mudas jovens, sem copa. Os ipês brancos por sua raridade por serem árvores jovens devem ser transplantados, em que pese o estudo de Camila Dellanhese Inácio & Sérgio Luiz de Carvalho Leite, “Avaliação de transplantes de árvores em Porto Alegre, Rio Grande do Sul” relatar observações de 2001/2002 onde constataram um baixo índice de sucesso no transplante de ipês.

Percebe-se no brasiliense uma acentuada identificação com suas árvores. É comum ouvir comentários referentes às florações com o passar do ano. Perdemos muitas árvores com as estações do metrô, não devemos perdê-las com o trem de superfície.

Plasma para Tratamento de Lixo

O plasma como tecnologia para o tratamento de lixo em escala de uma cidade é recente. A primeira usina de plasma, localizada na cidade de Utashinai em Hokkaido (Japão), foi projetada para gaseificar resíduos urbano e industrial. Foi construída em 2002 e está em operação desde 2003. A segunda usina atende duas cidades, Mihama e Mikata (Japão), e foi construída para gaseificar resíduo sólido urbano e lodo de esgoto. Está em funcionamento desde 2002.

Na usina de plasma os resíduos são tratados em uma câmara onde maçaricos de plasma os levam a temperaturas acima de 6 mil graus centígrados. Esta é a temperatura da superfície do sol.

Nesta temperatura, o lixo não tem a mínima chance. As moléculas se quebram em um processo chamado de dissociação molecular. Quando as moléculas são expostas a uma energia intensa (como o calor gerado pelo maçarico de plasma), as ligações covalentes que as unem são excitadas e se quebram. Com o cianeto, por exemplo, produz-se átomos de carbono e nitrogênio.

Um maçarico de plasma contém um eletrodo carregado com energia elétrica. À sua volta é injetado um gás sob pressão, no caso o argônio. È induzido um campo magnético. O resultado é uma chama de plasma, chamado por alguns de quarto estado da matéria. O plasma é um gás ionizado.

A vantagem de utilização do plasma é que ele trata definitivamente os resíduos orgânicos do lixo, do lodo, de esgoto, do lixo hospitalar e químico. As moléculas são quebradas e são transformadas em gazes que irão gerar energia. Os lixo metálico e outros são transformados em escória, onde os metais leves e outros materiais perigosos se tornam inertes. Retirado o material reciclável o Distrito Federal precisaria de uma usina com capacidade de processar mil tonelada por dia, o dobro daquela que funciona em Utashinai (Japão) e que tem geração liquida de 4,3 MWh de energia elétrica.

Os Jacarandás Roxos da 208 Norte

São dois pés de jacarandás, muito bonitos, com flores iguais às dos ipês, mas roxas. O deslumbramento é o mesmo causado por um ipê amarelo, roxo ou rosa. A cor do jacarandá roxo é mais intensa que a do ipê roxo. Ainda é possível vê-los no primeiro estacionamento da Superquadra 208 Norte.

Pode acontecer contigo de encontrar alguém ou algumas pessoas paradas, admirando. A maioria tentando identificar aquela árvore tão pouco conhecida. Em verdade, os jacarandás e os ipês são da mesma família, Bignoniaceae.

Em consulta aos volumes 1 e 2 da publicação “Árvores Brasileiras”, Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Brasileiras, de autoria de Harri Lorenzi, Editora Nova Odessa, 2ª Edição, 2002, encontrei duas espécies que têm flores roxas como aquelas da 208 Norte.

A primeira espécie, o Jacarandá Brasiliana, conhecido também como jacarandá boca-de-sapo. Segundo Lorenzi ela ocorre em Mina Gerais, Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Pernambuco e Sul dos estados do Maranhão, Piauí e Pará. A segunda, o Jacarandá Cuspidifólia Mart ou Jacarandá Chapadensis, também conhecido como Jacarandá de Minas. Esta ocorre em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

As folhas são compostas, bipinadas, de 20 a 50 cm de comprimento, com 8-10 jugas (pares de pinas) e pinas com 10-15 pares de folíolos glabros. As sementes são muito parecidas com aquelas dos ipês, dotadas de membranas como asas muito finas e translucidas, que as propagam pelo vento.

Encontrei uma referencia do Jacarandá Mimosaefolia, ou Jacarandá Mimoso aqui.

Confesso que a floração dos jacarandás da 208 Norte está mais parecida com a daqueles desse sitio. As fotos são de Pretória, uma cidade na África do Sul, onde as ruas são totalmente arborizadas com jacarandá-mimoso levado do Brasil.

Aeroporto versus Rodoviária

Sexta-feira passada, 5 de setembro, fui surpreendido ao entrar no túnel que liga o saguão do aeroporto aos portões de embarque. Encostado a uma das paredes havia sido colocado um quiosque para venda de chocolate. Pela manhã lá estavam alguns funcionários do quiosque somente. À noite, quando voltei, haviam sido colocadas algumas cadeiras e umas duas pessoas estavam sentadas ali.

Lembrei-me do livro “O Perfume”, de Patrick Suskind. Ele relata que as pontes do Rio Sena tinham as laterais ocupadas por lojas que vendiam de tudo, inclusive perfume. Estas lojas, segundo o autor, teriam sido levadas pelas águas em uma enchente e não teriam podido retornar depois.

Houve em Brasília um governador que ao propor uma reforma para a Rodoviário do Plano Piloto prometeu “fazer dela um aeroporto”, isto é, um lugar limpo, organizado, com circulação desimpedida, com elevadores e escadas rolantes funcionando. Enfim, pretendia levar ao povo o conforto destinado a classe média.

Não foi o que ocorreu. Quando a reforma prometida foi concluída a Rodoviária apresentava os mesmo problemas anteriores. Sujeira por todo lado, quiosques e lojinhas tomando toda a plataforma de embarque, a circulação comprometida pelas lojas e quiosques, falta de sinalização etc.

Pouco tempo atrás uma jovem estrangeira e desavisada quis usar o sistema de transporte coletivo do Plano Piloto, como acontece com todos aqueles em viagem, em qualquer país civilizado. Ficou horrorizada e disse que a rodoviária era assustadora. Aquilo que os nativos são obrigados a vivenciar, para ela era mais que inaceitável, era um risco.

Fiquei imaginando a quem a administração do aeroporto estaria atendendo, autorizando a colocação de um quiosque no túnel de acesso aos portões de embarque, fora das áreas previstas para tais lojas. O mais adequado é retirar os quiosques do aeroporto e da rodoviária para liberar a circulação dos usuários.

Desconcentração do Governo

Novamente os defensores da proposta de construção de um “centro administrativo” do GDF retornam com essa idéia. Agora alegam que o governo pagaria aluguel por 20 anos e depois teria um patrimônio seu. Acham que dessa forma o governo não despenderia os recursos para a construção e o povo do DF sairia ganhando.

Defendem também que a construção de um novo centro administrativo em Ceilândia, e não mais em Taguatinga, iria desconcentrar as atividades descongestionando o centro, Brasília, e desta forma contribuindo para melhorar o funcionamento da estrutura urbana do Distrito Federal.

Em relação ao primeiro argumento, cabe dizer que os cálculos de aluguéis estimados para estes projetos de construção para arrendamento ao governo estão balizados nos preços de aluguéis praticados pelo mercado. Os aluguéis praticados pelo mercado, por sua vez, estão pautados na remuneração dos valores investidos nos imóveis alugados. Os valores dos imóveis alugados são resultado dos preços dos lotes, dos projetos, do custo financeiro e da construção.

A proposta de arrendamento prevê que o GDF forneça o terreno, obtenha o financiamento, dê o aval ao BNDES no financiamento. A incorporadora entra apenas com a idéia e se candidata a receber os arrendamentos como se ela tivesse investido diretamente na construção dos imóveis. Um verdadeiro “Negócio da China”.

A desconcentração das atividades não será dada com um novo centro administrativo em Ceilândia. Será apenas a transferência de sede do Plano Piloto onde ela já existe para uma nova localização de mais difícil acesso para as demais populações. Imagine o morador do Paranoá, de São Sebastião, de Planaltina tentando chegar ao centro administrativo. O correto seria oferecer às populações de cada cidade do DF todos os serviços de que elas necessitam descentralizando a ação de governo. Desconcentrar é levar o atendimento para junto das populações e não promover uma nova concentração.