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Monthly Archives: maio 2011

A Ponte Costa e Silva está esgotada

A ponte Presidente Médici, ou Ponte das Garças, inaugurada em 14 de Janeiro de 1974, foi construída às pressas. Desde sua construção a obra sofreu muitas críticas. A altura seria insuficiente para passar barcos de porte um pouco maior. Seu projeto é o menos interessante das três pontes do Lago. Dizia-se à época de sua construção que ela teria sido feita por picuinha contra o projeto da ponte Costa e Silva, de concepção de Oscar Niemeyer, cujas obras estavam há muito interrompidas.

A Ponte Costa e Silva teve suas obras iniciadas nos anos 60 durante o governo de Wadjô Gomide. As obras ficaram paradas por vários anos. Em 6 de Fevereiro de 1976 a ponte foi inaugurada. Inicialmente ela seria toda em concreto. Seu projeto em arco previa que as cargas do vão central seriam rebatidas nos apoios vencendo o vão assim como as pontes construídas pelos romanos com seus arcos feitos em pedra.

Com a interrupção das obras, as ferragens ficaram sujeitas a intempéries por um longo tempo. Isso foi alegado posteriormente para mudar o partido estrutural. A ponte passou a contar com uma parte central feita em aço simplesmente apoiada nas extremidades das projeções dos pilares, estes apoiados no lago e ancorados nas margens, um modelo conhecido como vigas gerber. O desenho original foi mantido: três arcos apoiados em dois pontos nas águas do lago dando-lhe uma leveza ímpar.

A largura da ponte sempre foi criticada. Mesmo quando o fluxo era bem menor a ponte já apresentava insuficiência no escoamento do tráfego. Fez-se então a terceira faixa de modo a permitir, com a inversão do fluxo nos horários de pico melhorar a circulação dos veículos. A ponte está esgotada, especialmente depois das ocupações no Jardim Botânico, transformou-se em um ponto de estrangulamento. Afluem para ela, nas duas extremidades, pistas com três faixas de rolamento que se afunilam em duas faixas. Neste momento o correto seria fazer uma ponte paralela, mantendo o mesmo desenho, com outras três faixas de rolamento, permitindo que o tráfego flua livremente.

EPTG Transtorna Usuários

Rebatizada de Linha Verde, a EPTG foi reconstruída com o objetivo principal de melhorar o escoamento de veículos no trecho entre Taguatinga e o Plano Piloto. Pretendia-se ainda, permitir um melhor acesso aos moradores do Guará, do Vicente Pires, de Águas Claras e àqueles que trabalham no SIA e adjacências. As obras não foram de todo concluídas e a EPTG já dá sinais de esgotamento precoce.

Foram vários anos de transtornos e espera. Parte importante do projeto seria a implantação dos corredores exclusivos para ônibus, com embarque no centro da pista. Isto não está implantado.

Os congestionamentos atuais são tão grandes quanto aqueles havidos antes da reforma. Há um ponto onde o projeto mostra séria inadequação: o viaduto entre o Vicente Pires e o acesso ao Park Way/Águas Claras. Esta obra deveria fazer fluir o tráfego de quem passa e facilitar a vida dos moradores de Vicente Pires, Águas Claras e Park Way. Fez-se um viaduto longo, elevado. Criou-se um cruzamento sob o elevado de difícil solução. A faixa de domínio da pista foi reduzida e não sobrou espaço para tesourinhas e alças de acesso.

Temos ali vários fluxos conflitantes. Os motoristas que vão do Plano Piloto para o Park Way e Águas Claras, cruzam com os que saem do Park Way no sentido Taguatinga, com os que vêm de Taguatinga com destino ao Park Way e com aqueles que saem de Vicente Pires para o Plano Piloto. Os que saem de Vicente Pires para o Plano Piloto cruzam com quem está indo do Park Way para Taguatinga, com quem vem do Plano Piloto para o Park Way e Águas Claras e com os que vêm de Taguatinga para o Park Way.

As obras viárias no Distrito Federal têm piorado sua concepção e execução nos últimos tempos. Não é somente de agora. Os projetos têm geometria sofrível, sem concordância plano ou altimétrica. Apresentam curvas abruptas com quebra, gerando ondulações e depressões. Esta má qualidade e inadequação são observadas nas calçadas e em outras obras executadas pelo GDF nos últimos anos.

Cartel de combustíveis pode ter fim

A discussão sobre a existência de prática de cartel na venda de combustíveis no Distrito Federal é antiga. A novidade a respeito do assunto veio com a publicação, na semana passada, de um relatório da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça de que havia sido identificado indicio desse tipo de acordo comercial na Capital Federal.

O Relatório enfatiza que a diferença de preços entre os postos é muito pequena e que quando os preços variam esta variação ocorre em todos os postos ao mesmo tempo. Seria difícil aceitar, seguindo a lógica do relatório que os preços nos diversos postos variassem em conjunto e em igualdade de valores. O relatório nos traz uma informação relevante, ou seja, os postos da maior rede são de propriedade de uma distribuidora.

Nos últimos anos tem também sido discutida a possibilidade de venda de combustíveis nos hipermercados. A idéia é posta como uma forma de aumentar a oferta e a concorrência e assim reduzir os preços dos combustíveis no Distrito Federal, visto que os preços aqui são sempre superiores aos cobrados na maioria das capitais do país.

A livre concorrência seria o suficiente para o que os preços não subissem muito, pois aqueles que tentassem vender seu produto muito acima dos demais perderiam os clientes. Isso, entretanto não ocorre quando todos os postos de venda de combustíveis estão nas mãos de uns poucos.

Agora que se sabe de quem são os postos de gasolina, seria o momento de abrir licitação pública para o arrendamento de todos os postos das distribuidoras, manter nestas licitações o cuidado de que cada empresa ou empresário não possa arrendar mais que um ou dois postos. Por outro lado, seria muito interessante que o governo local, em conjunto com o Ministério da Justiça disciplinasse a formação de redes de postos de modo o evitar o monopólio no mercado como um todo ou localizado. Por fim, seria interessante a oferta de áreas para a instalação de novos postos de combustíveis, evitando a concentração da oferta em uns poucos estabelecimentos.

Telhado Branco Economiza Energia

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou no final do ano passado, em primeiro turno, Projeto de Lei do vereador Goulart determinando que os telhados e outras coberturas das edificações naquela cidade sejam pintados de branco. A justificativa do projeto é a redução do calor no interior das edificações, a redução da retenção do calor nas edificações, a redução do consumo de energia com aparelhos de ar condicionado.

A cobertura branca ou qualquer outra superfície reflexiva tem a propriedade de lançar de volta ao espaço os raios solares incidentes nas edificações e reduzir o calor no seu interior ou o calor irradiado para o meio ambiente.

Em depoimento publicado no Jornal The New York Times o casal Jon e Kim Waldrep conta que ao voltar para casa costumava ser recebido por uma muralha de calor. “Chegávamos em casa, no verão, e a temperatura estava em mais de 45 graus, era sufocante. Agora chegamos em casa em dias de em que a temperatura externa é de mais de 38 graus e, do lado de dentro, encontramos temperatura de 26 graus”. Aquele casal Havia instalado lamina plástica branca na cobertura de sua casa. Isso foi suficiente para reduzir sensivelmente o clima no interior da casa.

Estudos realizados no Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (PCC-USP) alertam, entretanto, que o uso de tintas a base de água para pintura do teto pode propiciar a proliferação de fungos filamentosos, algas e cianobactérias que irão escurecer rapidamente as coberturas anulando o resultado inicial.

A pesquisadora Márcia Aiko Shirakawa sugere a utilização de tintas inorgânicas autolimpantes, com nanopartículas de dióxido de titânio, que possuem capacidade de fotocatálise (aceleramento de uma reação por luz ultravioleta), impedindo a colonização microbiana. A adoção desta prática no Distrito Federal seria de bom alvitre visto que a diferença de temperatura entre o centro da cidade e as áreas não edificadas chega a cinco graus.

Temporais Inundam Rio e Brasília

Os relatos de temporais causados por chuvas que em algumas horas inundam partes significativas de cidades têm se tornado comuns. Não que tais fenômenos não fossem conhecidos. Há uma denominação para tais fatos – A Tromba D’Água. Mas tromba d’água não ocorriam todos os anos, muito menos todos os meses.

Imagino ser inaceitável que aquela inundação que se deu em volta do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro ocorra durante a Copa do Mundo. Tudo bem que a Copa ocorre no inverno, época de menor índice pluviométrico, mas as chuvas não têm respeitado época, chove inopinadamente. Neste caso não irão adiantar as sirenes colocadas em regiões de risco naquela cidade.

Também acho inaceitável o ocorrido na UnB. Todos aqueles equipamentos e atividades no subsolo perdidos em poucas horas. Esta questão das águas que descem na Asa Norte, desde o Setor Militar Urbano até o Lago Paranoá, formando corredeiras não é nova. Vez por outra há relatos de inundações em edifício, garages, vias etc.

O novo é que o fenômeno vem ocorrendo mais amiúde e com maior virulência. O que ocorreu no Rio foi estarrecedor, as águas subirem de imediato carregando veículos e pessoas, cobrindo ônibus. As cascatas nos auditórios da UnB causaram perplexidade.

Sabemos que não se combatem as cheias com obras apenas nos locais de alagamento. Os sistemas de captação das águas das chuvas devem ser revistos a partir pontos mais altos da bacia de contribuição, isto é, desde a linha do divisor de águas. Captando e canalizando as águas nos pontos mais altos não haverão aqueles riachos a correr pelas ruas ou pelos gramados.

As tubulações de captação nos logradouros públicos precisam ser revistas de modo a atender esta nova realidade das trombas d’água que ocorrem com maior freqüência. Especialmente nos locais de maior concentração das águas. Por outro lado devem ser tomadas medidas de proteção às edificações. Aquelas que ficam em nível mais baixo, as que têm subsolos devem buscar maneiras de evitar a invasão das águas e proteger o patrimônio.