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A Cidade e sua Vivência
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Monthly Archives: agosto 2009

Rede de alta tensão choca meio ambiente

Estamos a um mês da primavera. Quando esta chegar veremos caminhões sobre as calçadas dirigindo-se inapelavelmente para cortar e carregar as árvores que tiveram a desdita de estar ao longo das linhas de transmissão de energia aéreas. As árvores são mutiladas e perdem os galhos e folhagens que têm contato com a fiação. Isso ocorre nas quadras, no Parque da Cidade e em todos os locais onde foram erigidas essas redes de alta tensão.

A distribuição de energia elétrica, no meio urbano, por rede aérea, tornou-se fator preponderante de poluição urbana. Em geral essas redes tornam-se suportes para linhas telefônicas, redes de dados, TV a cabo, causando uma parafunda de toda ordem de fios que interferem na paisagem e impedem a visualização dos edifícios, dos conjuntos arquitetônicos e outros elementos da paisagem urbana.

Inúmeras cidades tem procurado remover as linhas de transmissão aéreas com o propósito de melhorar a paisagem urbana, reduzindo os elementos de poluição, entre eles, as redes aéreas. Gramado no Rio Grande do Sul, cidade turística, está implementando projeto de eliminação das redes aéreas. A administração da cidade noticiou o inicio dos trabalhos como uma contribuição importante ao embelezamento da cidade e como mais um elemento de melhoria com vistas ao turismo.

Também Pelotas no Rio Grande do Sul preocupa-se com os danos que as redes aéreas causam a paisagem urbana. O projeto de remoção daquelas redes ressalta os danos e os prejuízos causados ao centro histórico da cidade, visto como patrimônio histórico. Os autores ressaltam aspectos “como o de legibilidade urbana, que é, em essência, a capacidade que o espaço proporciona em que se identifique os diferentes elementos que compõe a paisagem”.

O projeto de Pelotas ressalta a importância do assunto chamando a atenção para o trabalho desenvolvido em Florianópolis, capital de Santa Catarina. Ali também há um esforço para remover as linhas aéreas de transmissão de energia. Isso ocorre especialmente nas áreas centrais das cidades. Pode-se observar alguns loteamentos lançados com o apelo de redes subterrâneas.

Nota-se em Brasília a ocorrência de fenômeno inverso. O que sempre foi tido como norma, a não utilização de linhas aéreas de transmissão de energia no Plano Piloto vem sendo sistematicamente transgredido. A cada momento nos deparamos com uma nova linha e com mais árvores mutiladas pela poda indiscriminada. Essas transgressões vão se tornando regra do mesmo modo que os puxadinhos e as invasões.

A CEB anuncia um grande programa de investimentos pela mídia , com melhorias a serem implementadas por todo o Distrito Federal. Esse é o momento do governo remover as linhas aéreas nas quadras, ao logo dos Eixos Rodoviário e Monumental, no Parque da Cidade e em outros locais. O meio ambiente agradece.

O Homem do Rio e o Cinqüentenário de Brasília

Está circulando entre os brasilienses, com grande audiência, parte do filme O Homem do Rio, dirigido pelo cineasta Philippe Broca (Itália, França e Brasil) lançado em 1964, com 110 minutos de duração. O grande apelo do filme é a presença de Jean Paul Belmondo, grande galã dos anos 60, e o fato de que o filme ter sido rodado em parte em Brasília quando a cidade tinha 4 anos de inaugurada. Trecho do filme está acessível no You Tube, no endereço:
Brasília em 1964: Belmondo em O Homem do Rio

O filme é todo uma correria que resulta do roubo de uma relíquia. Em Brasília, o ator Belmondo é perseguido, passa pela Rodoviária, Palácio do Planalto, Setor Comercial Sul, via S1, por uma favela à beira do Lago Paranoá (que acredito ser a antiga Vila Amauri, removida para o Gama) e dá rasantes com um pequeno avião sobre os Ministérios e o Congresso Nacional. E, principalmente, leva vários banhos de poeira. Muita poeira!

Impressiona ver o cenário: ruas quase sem carros. Um ou outro é visto ao fundo. Nenhum estacionado. A população ainda era muito pequena e o governo funcionava, na maior parte, no Rio de Janeiro. Gente mesmo só nas obra, na Cidade Livre e nas invasões.

Essa é a imagem conhecida do início de Brasília. Cidade planejada e construída em 4 anos. Na época era um fenômeno. Vitória do povo brasileiro que provou sua capacidade criadora, inventiva, empreendedora.

Brasília ainda impressiona. Aqueles que a visitam a vêm “diferente, ampla, linda, incrível, moderna, em que tudo é novo, emocionante, tranqüila, onde tudo é longe”. Isso, graças ao tombamento que preservou o Plano Piloto. É unânime a observação da falta de transporte público. O turista tem ainda a dificuldade de identificar a linha ou o veiculo que poderá levá-lo ao local desejado. Não há sinalização com os itinerários e horários nos pontos de ônibus.

Hoje, pouco antes de completar os cinqüenta anos de Brasília, o momento é propicio para reavaliarmos esta cidade de muitas gentes. A Brasília dos que aqui moram, trabalham e criam os filhos. A Brasília dos que aqui trabalham, dos que vêm aqui para trabalhar e voltam no final da semana. A Brasília que recebe os turistas que buscam conhecer seu traçado urbanístico único, suas virtudes arquitetônicas, suas obras de arte, o paisagismo, seu modo de vida sem esquinas, a alegria de seu povo, seu modo de vida, suas iguarias gastronômicas, entre outros.

A discussão do presente e futuro da cidade seria tão importante quanto as festas programadas. A identificação dos problemas gerados por décadas de populismo inconseqüente, das demandas geradas pela má gestão, pelo rápido crescimento e pela mudança nas aspirações e necessidades dos residentes e do restante do país com a sua capital.

Assim, a realização de amplo seminário envolvendo todos os diversos segmentos – o Governador Aparecido não gostava deste termo – onde se pudesse discutir, avaliar e propor medidas quanto o aspecto urbano, a ocupação do solo, as atividades a serem aceitas e estimuladas, a infra-estrutura, os serviços de saúde, educação, segurança, cultura, abastecimento e o que mais vier. Assunto é o que não falta.