Skip to Content

A Cidade e sua Vivência
archive

Monthly Archives: Fevereiro 2009

Porque a moradia no Noroeste é tão cara

Construtores, incorporadores, famílias, governos e instituições financeiras vêem no Setor Noroeste a possibilidade de morar bem, fazer um bom negocio e até ganhar dinheiro.

Ele se propõe a ser a nova área “nobre” de Brasília. Daí a corrida do ouro. Os valores estimados para os preços de venda são assustadoramente quase três vezes maiores que os preços praticados em Águas Claras. Comparados com os preços do mercado imobiliário de Goiânia, em imóveis similares, situados em áreas de alto padrão, os apartamentos do Setor Noroeste custariam quatro vezes mais caros que os equivalentes vendidos naquela cidade.

Em São Paulo, com tradição de produção de apartamentos de qualidade, têm preços diferenciados para alguns bairros, por serem servidos com equipamentos de qualidade, disporem de comercio sofisticado, contarem com eficiente estrutura de transportes e ainda com baixo nível de criminalidade. Nestes bairros os últimos lançamentos de apartamentos apresentam preços de aproximadamente a metade do preço especulado pelos incorporadores de Brasília.

O que poderia estar elevando o preço dos imóveis proposto para o Noroeste? A primeira suspeita poderia ser o custo dos terrenos cobrados pela Terracap, que estabelece o preço de venda com base na área que será construída. Não são computadas as áreas de varanda, de garage de circulação vertical e outras. Sinteticamente, a Terracap estabeleceu para o Noroeste o preço de R$ 1.500,00 aproximados para o metro quadrado. Enfim, o valor estimado pela Terracap pareceu adequado pelos incorporadores. Poder-se-ia dizer que não foge muito dos preços de mercado. Conclui-se que o custo do terreno não explica o alto preço especulado para os imóveis do Setor Noroeste.

A segunda hipótese para o encarecimento dos imóveis do Noroeste recai sobre o custo da construção. O Sindicato da Indústria da Construção Civil – Sinduscon mantêm em todos os estados da federação um índice de apuração do Custo Unitário Básico da Construção – CUB. Pois bem, o custo apurado pelo Sinduscon DF para construção de habitação de alto padrão de oito pavimentos foi de R$ 922,87 no Distrito Federal. Este custo não contempla fundações, projetos, equipamentos e instalações impostos e taxas. Porém estes itens não incluídos não irão onerar o custo do metro quadrado em mais de R$ 200,00. Cabe comentar que o CUB apurado no DF não difere muito daqueles apurados em Goiânia e em São Paulo.

A terceira hipótese de elevação dos custos é representada pela remuneração do construtor e do incorporador. Assim se for remunerado em 30% sobre o custo da construção, a sua remuneração seria de R$ 270,00. A remuneração do incorporador, incluindo os custos financeiros pela aquisição do terreno, estimada em 30% do total do empreendimento seria de R$ 870,00. Com isso teríamos o preço total de R$ 3.800,00 aproximados para o metro quadrado do apartamento.

Pergunta-se, então, de onde vem o preço especulado de R$ 8.000,00? Creio que decorre da pouca oferta de moradia e da demanda estimulada pela política de oferta de credito. Neste caso o equilíbrio só viria com o aumento da oferta e a satisfação parcial ou total da demanda reprimida.

O adeus a Cezenildo, o amigo da Metropolitana

Ontem me ligou o Francelino, companheiro das lidas no Núcleo Bandeirante. Francelino, assim como Cezenildo, foi motorista da Administração Regional e hoje é dono de uma marmoraria ali na Placa da Mercedes, na subida para o Riacho Fundo. Francelino é daquele tipo de pessoa com o qual se pode contar em todas as horas. Calmo, comedido e amigo de todos com os quais convive.

Mas Francelino ligou para dizer que Cezenildo, o Careca, havia morrido na noite anterior e que o enterro seria na manhã seguinte, no Campo da Esperança. Morrera de um enfarto fulminante. Chegara a sua casa, estacionara o carro, acionara o freio de mão e morrera ainda com o cinto de segurança atado. Não houve sofrimento prolongado. Foi encontrado
ali, no banco do carro sem expressão de dor estampada.

Careca gostava de uma cerveja, conversar com os amigos, passar a noite na farra, mas era um homem de família. Tão família que a primeira esposa convivia tranquilamente com ele e com sua segunda esposa com a qual teve seis filhos além dos quatro do primeiro matrimônio. Mas o Careca gostava de uma farra, daquelas farras inocentes de passar a noite bebendo e conversando com os amigos. Talvez seja por isso que os chegados ouviram-no dizer por várias vezes que estava vivendo no lucro, pois tinha aproveitado a vida. Pode-se dizer que era um homem feliz e realizado, apesar das poucas posses.

Enquanto conversávamos, eu reparava no aspecto geral do Campo da Esperança. Trata-se de um dos poucos lugares onde foram mantidas as árvores originais do cerrado. Vi sucupiras, caviúnas, barus e várias outras tais que ali convivem com ciprestes e outras exóticas.

Algumas questões sociais afloraram da visita. A primeira é a questão da privatização do Campo da Esperança e dos demais cemitérios do DF. Quando a administração estava a cargo da Fundação das Pioneiras Sociais, ela o fazia sem fins lucrativos e oferecia seus serviços de modo gratuito àqueles que não podiam pagar. Parece-me não ser desejável que estes serviços fiquem nas mãos da ganância e do lucro, uma vez que o governo destinou as áreas e as equipou para tal fim. O sepultamento deve ser encarado como um serviço público e não como um comercio.

A outra questão é a opção pela cremação. O ex-Governador José Aparecido de Oliveira estabeleceu como um de seus projetos prioritários a instalação de um crematório no Distrito Federal para atender aqueles que preferem tal opção. Não posso precisar se o fracasso do projeto se deu por resistências ou por inépcia daqueles que foram encarregados de implementá-lo. O certo é que aqueles que preferem esta maneira de tratar os restos mortais, são obrigados a procurar os serviços fora do DF.

Por fim, vendo ali a família do Careca reunida em volta do sepulcro, a espera do término dos trabalhos dos pedreiros, veio a minha memória, a lembrança de um pai diante do corpo da filha, pedindo a presença de um Padre que ministrasse os últimos sacramentos e conduzisse a cerimônia, pois “ela neles acreditava e gostaria que assim fosse feito”. Creio ser necessário um ritual tanto na capela quanto ao lado da sepultura que ofereça conforto aos familiares naqueles momentos de dor.

Dilma é estandarte do pacotão

No ultimo sábado de janeiro, o CONIC recebeu o PACOTÃO e simpatizantes para a escolha da marcha do carnaval deste ano. No encontro, na Praça Vermelha do Conic, abrigados sob o coreto, Charles Preto e os organizadores do evento receberam todos com as honras da Banda Podre do bloco carnavalesco. Bares das proximidades, com inúmeras mesas, acomodaram os participantes que entraram na folia ao som do Galinha da Madrugada, Bloco dos Raparigueiros e outros. O júri do concurso de marchinhas, escolhido por Charles Preto, era composto de jornalistas, escritores, músicos e personalidades.

O evento foi concorrido. Várias pessoas lá estiveram para prestigiá-lo, entre elas o Secretario da Cultura, Silvestre Gorgulho, que louvou a tradição do PACOTÃO, o deputado Rollemberg, que fez questão de cumprimentar a todos os integrantes do júri, a presidente da CUT, Rejane Pitanga que se fez presente até o final do evento. Presenças significativas, também, foram a do Rei Momo e da Rainha do Carnaval.

O concurso foi acirrado. Muitos chegaram de última hora e ainda assim puderam democraticamente participar. Dois fatos foram dignos de nota. Lá pelas tantas apareceram alguns fiscais com jaleco do GDF. Vieram acompanhados por um policial e solicitaram algo aos organizadores. Não deu para saber o que queriam. Neste ínterim, o locutor, dizendo-se falar em nome de Charles Preto, anunciou categoricamente que as inscrições estavam encerradas. Parece que os presumidos fiscais se deram por satisfeitos e se retiraram. Logo depois, “Cicinho Filisteu” que inscreveu várias músicas, uma delas se proclamando o “Brad Pitt do Conic”, voltou ao microfone para cantar novamente. Charles Preto não resistiu e desabou do alto de seus três metros de altura. Tem gente que jura que foi por causa do calor.

Os temas, como de costume, foram bastante influenciados pelo momento. Bush foi o mais lembrado. Ele pessoalmente ou pelos sapatos. A crise, o PAC, a reforma ortográfica e até o Brad Pitt foram objeto da irreverência dos autores. Mas foi Dilma a escolhida dos jurados e do público presente. Venceu a marcha Perereca de Bigode de Joca Pavaroti que aqui vai em primeira mão:

“PERERECA DE BIGODE”

“Estão maquiando a Dilma / Pra enganar o povão. / O Lula gritou Eureca! / Quem engoliu sapo / come Perereca! / Eu acho que vai dar bode / Dilma não tem barba / mas pode ter bigode! / Eureca! / Eureca! / Quem engoliu sapo / Engole Perereca!”

O Galinho Prestigiou

O Galinho da Madrugada, com estandarte, boneco gigante e banda apareceu para prestigiar. Foi recebido com entusiasmo e motivo de discursos de apoio e solidariedade. A banda fez uma apresentação. Logo apareceram sombrinhas coloridas e foliões adeptos do frevo mostraram suas habilidades. A banda do PACOTÃO se juntou a banda do Galinho e um pequeno desfile se fez em volta do coreto cantando a força do bloco e sua importância para o carnaval de Brasília. Todos esperam que o impasse seja superado para que o Galinho da Madrugada possa desfilar e manter as tradições.